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Bayern, o que foi feito de ti?

Os bávaros de Ancelotti têm as feridas expostas. Num final de temporada desmotivante, será que descobrem a raiz do problema a tempo de a arrancar... ainda este ano?

Sónia Santos Costa

GERARD JULIEN

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O Borussia Dortmund visitou o Allianz Arena pela segunda vez este mês na passada quarta-feira (depois do jogo de há três semanas para a Bundesliga, de onde saíram derrotados por 4-1).

No Der Klassiker ainda se celebraram golos de Martinez e Hummels... No entanto, graças a Marco Reus, Aubameyang e Dembelé, a equipa de Thomas Tuchel saiu sorridente (3-2) e com um lugar garantido na final da Taça (que vão disputar com o Eintracht Frankfurt) de um jogo onde já entrou confiante - e deixou o Bayern com mais uma derrota na lista.

Onde está o problema, Bayern? No tabuleiro, em quem o move ou nas peças?

A pressão é maior do que nunca do lado dos bávaros, que perderam contra o Real Madrid para a Champions e parecem não ter retirado a mais importante lição dessa derrota: de que todas as oportunidades desperdiçadas podem fazer muita falta no futuro.

O resultado negativo frente aos merengues deixou os alemães cabisbaixos e derrotistas. “A arbitragem foi um problema. Alguns disseram que o Real mereceu mais, já sabemos isso também. Não temos passado os últimos dias a culpar o Viktor Kassai, mas sim a questionarmo-nos a nós mesmos. Já passamos por grandes vitórias e por terríveis derrotas, por isso sabemos que é preciso manter a calma.” , afirmou Mats Hummels em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel.

Tempos difíceis para uma equipa que não está habituada a perder... A derrota contra o Real Madrid ainda foi aceitável para os pupilos de Ancelotti: um trabalho questionável da arbitragem e ocasiões menos favoráveis aos alemães. Mas o resultado de quarta-feira frente ao Dortmund - num jogo em casa onde foram dominantes na maior parte do tempo - já não tem desculpa.

Estamos perante um Bayern que precisa de renovações urgentes - mas os resultados negativos não têm ajudado neste sentido e a ansiedade está a crescer no seio da equipa.

O médio Mehmet Scholl está certo de que o mercado de transferências vai trazer grandes alterações ao clube. E é um facto: bem precisam de se reforçar em áreas-chave.

Mas será que esta alteração pode dar bons frutos a curto-prazo? Avaliemos supostos protagonistas do próximo ano: é o caso de Kingsley Coman, Joshua Kimmich e Douglas Costa. Será que estes rapazes regrediram na sua performance por falta de tempo de jogo ou não terão simplesmente reunidas as qualidades necessárias a integrar o 11 principal?

Há uma questão crucial que também não pode ficar esquecida: o método “laissez faire, laissez passer” de Ancelotti parece não se adequar a esta fase que os alemães atravessam.

As incertezas acerca do treinador e da equipa estão instaladas e com estadia quase garantida até ao Verão - a não ser que os alemães decidam mudar repentinamente de estratégia e desatar a comprar grandes craques. Até lá e caso isso não aconteça, lá terão de se contentar com os rapazes presentes e reforçar as táticas e o trabalho de equipa - isto, claro, se quiserem inverter as tendências e voltar às vitórias