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O futebol europeu vai ao Zimbabwe. E é um português que o vai levar

O nome não é conhecido para muitos, mas o currículo já é extenso. João Ferreira tem 34 anos, vive para (e do) futebol há quase metade da vida e agora vai ao Zimbabwe mostrar o que de melhor se faz no futebol português, conta à Tribuna Expresso

Cláudia Alves Fernandes

O técnico português vai ao Zimbabwe levar o futebol europeu

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É mais um exemplo da dimensão do futebol português pelo mundo. A iniciativa é da Hartley Academy, em Harare, capital do Zimbabwe, que quer oferecer aos jogadores e treinadores locais uma formação que "num curto espaço de tempo mostre algumas das práticas de treino que os técnicos europeus têm", conta à Tribuna Expresso João Ferreira, o treinador escolhido para responder ao pedido do presidente do clube. "Pediu-me especificamente que mostrasse os métodos europeus", acrescenta.

E porquê João Ferreira? Ou melhor: quem é João Ferreira? Este é o treinador que vai levar o futebol português a outro continente e que não tem medo de dizer que, no desporto, o seu grande amor não é um dos três grandes, mas a Associação Desportiva Guetim Futebol Clube, "o clube da terra, uma aldeia muito pequenina em Espinho", de onde é natural. Além desse, conta também que torce por outro clube: "O Guetim foi onde comecei a treinar, mas torço também pelo SC Espinho, que é também da minha terra. Foi um clube que já representei, com muito orgulho. São esses os clubes que guardo mais no meu coração e com muito sentimento".

O técnico português já passou por vários emblemas e fez do futebol a sua vida. "Licenciei-me em Educação Física e Desporto em 2003. E logo no 2º ano da licenciatura, comecei a ser treinador principal de uma equipa. Foi aí, aos 22 ou 23 que iniciei a minha carreira como treinador". Até hoje.

Depois de começar, nunca mais parou: no União de Lamas, como preparador físico da equipa sénior, nos juniores do SC Espinho, nos séniores do Leverense e dos Dragões Sandinenses, o técnico já deu provas de estar à altura do desafio que vai enfrentar entre 21 e 27 de maio - dias em que se desloca ao Zimbabwe para dar formação.

Mas esta não será a primeira experiência que João terá além fronteiras e, por isso, já vai preparado. Em 2011, o português levantou voo e foi parar à Arábia Saudita, com os internacionais portugueses Eurico Gomes e Jorge Amaral, onde serviu o Al-Raed, um clube da 1ª divisão, como preparador físico. "Foi uma experiência bastante enriquecedora, evidentemente. Porque me permitiu contactar com uma realidade, quer futebolística, quer cultural, diferente da que estava habituado. Claro que partilhar dias com essas duas pessoas também foi bastante interessante porque imagina-se que têm sempre muitas histórias e exemplos enriquecedores para dar. Foi uma boa experiência", conta.

Agora, o técnico prepara-se para levantar voo outra vez, desta vez em direção ao Zimbabwe, onde vai mostrar o que de melhor no futebol europeu – e em Portugal – se faz: "Nada acontece por acaso... eu sentado no sofá não ia ter este convite. Portanto ninguém no Zimbabwe ia descobrir que havia um treinador português para dar essa formação. Isso aconteceu porque falei com o treinador português Vítor Salvado, que treina em África já há cerca de 10 anos. No decorrer da conversa ele diz-me que havia um clube do Zimbabwe que tinha falado com ele para ir dar essa formação, mas como ele está a trabalhar no Senegal não pode sair de lá uma semana. Entao ele deu-me o contacto do presidente dessa academia e disse-me para eu dizer que tinha sido por indicação dele. Depois a conversa foi decorrendo e ele mostrou-se interessado em que eu pudesse fazer esse trabalho."

Na mala, confessa que leva pouco mais do que as técnicas que quer ensinar e expectativas de um futebol que diz não conhecer bem, mas espera ficar a conhecer. "Tenho a certeza absoluta que serei capaz de os fazer rir no treino e serei capaz de os fazer sentir uma coisa diferente no futebol. Através de jogos competitivos no treino, da presença constante da bola, de dinâmicas que os façam sentir motivados. A própria comunicação e o feedback ao longo do exercício acho que faz toda a diferença, porque o jogador dá mais, se sentir o treinador presente e com feedback positivo", explica o técnico.

Para juntar a isso, João quer ainda "captar" os treinadores locais: "É através do exemplo e da minha disponibilidade de ir ao encontro deles que tentarei captá-los. Para que depois possam dar alguma sequência e sentirem-se mais realizados, sentirem que aprenderam alguma coisa e que podem, com aquelas pequenas coisas, também eles ser melhores".

Com voo marcado e pronto para aterrar no Zimbabwe, João Ferreira alia a confiança ao profissionalismo para provar que quem trabalha sempre alcança.