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Ronaldo marcou o primeiro e o Real Madrid disse 33 (campeonatos)

Foram necessários apenas dois minutos para Cristiano Ronaldo abrir o marcador em Málaga e praticamente carimbar o 33.º campeonato do Real Madrid, que seria confirmado com mais um golo, de Benzema. Português vence o seu 2.º título nacional em Espanha e ainda pode ganhar a Champions

Gonzalo Arroyo Moreno/Getty

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Tinha de ser ele, o suspeito do costume, a estragar o fim de tarde ao adepto neutral, que sonhava com um pouco de emoção. Emoção? Ronaldo não quer saber de emoção, só de títulos. Em Málaga só houve dois minutos de suspense. Última jornada do campeonato espanhol, Real três pontos à frente do Barcelona, que recebia o Eibar e esperava que os merengues perdessem na Andaluzia. Pois sim: aos dois minutos Isco fez um passe de ruptura entre os centrais e quem surge na cara do guarda-redes? Pois, Ronaldo. Ora com licença, vou só torneá-lo, marcar e oferecer o campeonato ao Real. Pela primeira vez em cinco anos. Fim de história, fim de emoção, o culpado de sempre.

Que está velho, como sabemos. Acabado. Sem velocidade. Sem drible. Não aparece nos grandes jogos. Pelo menos era o que se dizia no início da época, quando Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, depois de umas férias mais longas do que o costume, a debelar uma lesão, se mostrou menos prolífico do que o costume. Mas, como disse um dia um poeta imortalizado num lindo busto no Aeroporto da Madeira: “Os golos são como o ketchup; quando sai um saem todos”. E do meio da época para a frente, Ronaldo desatou a ketchupar, sem dó nem piedade. O último dos golos ajudou o Real Madrid a sagrar-se campeão: a vitória por 2-0 deu aos merengues o 33.º campeonato da sua história.

Há cinco anos que o Real não era campeão de Espanha – o que, para o suposto maior do clube do mundo, isto é pouco, muito pouco. E enquanto o campeonato não chegava, veio a Décima e a 11.ª Champions, esta última já pelas mãos de Zinedine Zidane, de quem quase toda a gente desconfiava e que agora, depois de resgatar o campeonato, pode ainda levar o Real a tornar-se no primeiro clube a defender a Liga dos Campeões.

Se isso acontecer, Ronaldo iguala Messi; a Bola de Ouro será sua; o que, se adicionarmos o Campeonato Europeu ao seu CV, o tornará no jogador vivo com mais troféus importantes. Ronaldo que nos últimos anos foi perdendo velocidade e, por isso, transformando o seu jogo, tornando-se um nove. Se no início da época ainda mostrava dificuldades com a nova posição, agora a adaptação está completa: Ronaldo continua a aterrorizar defesas, sem se desgastar tanto, surgindo quando é mesmo necessário.

Para isto muito contribuiu a gestão de Zizou: pela primeira vez na sua carreira Ronaldo aceita ser substituído ou mesmo não jogar para descansar e recuperar. Quando joga, Ronaldo é extraordinário e faz a diferença. Mas isto também só é possível porque o banco do Real é compostos de Asensio, Lucas Vásquez, James e Morata. Um banco que ganharia a todos os clubes de La Liga, excepto o Barcelona.

Barcelona que acreditava que podia renovar o título: desde que Messi exibiu a sua camisola no Bernabéu que a crença se instalou entre os catalães. Mas o golo de Ronaldo aos dois minutos quebrou-lhes a moral: só quando o Eibar já vencia por 2-0 Messi acordou, a tempo de marcar dois golos e ajudar à reviravolta do Barça (venceu por 4-2).

De nada valeu a vitória: no estádio do Málaga desde cedo o destino estava traçado. Porque Ronaldo assim quis. E Benzema também, na sequência de um canto. Deu até para Zidane gerir: entraram Kovacic, James e Morata para os festejos, em que também participaram Pepe e Fábio Coentrão, os outros portugueses campeões pelo Real Madrid.

Ronaldo, que com este golo atingiu a marca dos 40 ou mais golos pela sétima época seguida, junta assim mais um campeonato de Espanha, o segundo, aos três que ganhou em Inglaterra. Tem ainda um Campeonato da Europa e duas Champions no currículo, que poderão ser três no dia 3 de junho. Impressionante.