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Huddersfield ou uma máquina de fazer dinheiro chamada Premier League

Wembley foi palco do “jogo mais rico do mundo”, entre o Huddersfield e o Reading, que movimentou centenas de milhões de euros. A Tribuna Expresso simplifica-lhe as contas que vão surpreendê-lo

Cláudia Alves Fernandes

O Huddersfield Town subiu à Premier League, 45 anos de descer dessa divisão

Gareth Copley

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Quarenta e cinco anos. Passou quase meio século desde a última vez que o Huddersfield jogou no primeiro escalão do futebol inglês - a (milionária) Premier League. Foi na época de 1971/72, ao cargo de Ian Greaves – que continuou no comando da equipa até 1974 –, a última vez que a equipa jogou pela primeira divisão do futebol inglês.

Agora é altura de voltar. Mas os tempos são outros e o futebol também. E é por isso mesmo que o clube recém subido ao escalão principal naquele país pode tornar-se numa das equipas com mais receitas a nível mundial, figurando no ranking dos mais ricos.

No estádio de Wembley, segunda-feira, disputou-se o jogo que voltou a pôr a cidade de Huddersfield nos mapas, pelo menos para os amantes do futebol. Nesse mesmo estádio, na segunda-feira, disputou-se o "jogo mais rico do futebol", como os britânicos lhe chamam. Ou, neste caso, os penáltis mais caros do mundo - já que o jogo foi assim decidido. Mas isso já são outras contas.

Em campo, entraram duas equipas: Huddersfield e Reading, ambos a lutar por um lugar na Premier League. Durante 120 minutos (o jogo teve prolongamento de 30'), lutaram para vencer, mas não estava fácil e nada se decidia. O marcador continuava por inaugurar e ninguém facilitava.

Mas, como em todas as histórias, tem que haver um herói e, desta vez, foi Danny Ward quem assumiu o papel. Já nos penáltis e com os adeptos em desespero, o guarda-redes emprestado pelo Liverpool ao Huddersfield conseguiu parar o remate de Jordan Obita, impedindo o golo. O alemão Chris Schindler não desperdiçou e carimbou a vantagem. Estava feito o 4-3 para o Huddersfield.

Com o 4-3 em penáltis, estava assegurado algo mais do que a vitória sobre o Reading. Afinal, este não foi um jogo qualquer. No campo, uma explosão: jogadores, equipa técnica, adeptos, todos festejavam. Com mais ou menos lágrimas, a alegria enchia o Wembley. Tinham passados 45 anos desde a última vez que a equipa tinha lutado contra os gigantes ingleses. Agora, é altura de voltar a lutar. E somar milhões.

Vamos aos play-offs (milionários)

A Championship, segunda divisão do futebol inglês, está organizada de forma a que três equipas possam subir à Premier League.

Quer isto dizer que o primeiro e segundo classificado têm entrada direta na Premier League. Depois disso, as quatro equipas seguintes – do terceiro ao sexto lugar – têm a oportunidade de disputar os play-offs que os podem transportar para a primeira divisão.

Esta época, depois de Newcastle e Brighton & Hove Albion carimbarem a sua participação direta na Premier League para a próxima época (por serem primeiro e segundo classificados, respetivamente), tudo se resumiu às quatro equipas seguintes.

Reading, Sheffield Wednesday (liderado pelo treinador português Carlos Carvalhal), Huddersfield e Fulham jogaram entre si os play-offs que, sabemos agora, permitiram que Huddersfield Town compita entre (e contra) os melhores do futebol inglês na próxima época.

Puxemos da calculadora: os milhões que a Premier League vai render ao Huddersfield

Gareth Copley/Getty

Subir ao primeiro escalão do futebol inglês implica muito mais do que à primeira vista pode parecer. E quando falamos em muito mais, referimo-nos a milhões, muitos milhões de euros (ou melhor, libras).

Para começar, a equipa inglesa vai conseguir encaixar cerca de 111 milhões de euros. Estes milhões não caem do céu, mas quase: são fruto dos direitos televisivos para a próxima época.

Mas as contas ainda não estão feitas e podemos continuar a somar. Depois desta subida, há dois cenários possíveis para a equipa que vão determinar o quanto engordam os cofres do clube: ou o Huddersfield volta a cair na Championship, ou se mantem na Premier League na época seguinte.

No primeiro cenário, se o Huddersfield tropeçar de novo para a Championship no final da época 2017/18, o encaixe financeiro chega "apenas" aos 196 milhões de euros. Aos 111 milhões de euros iniciais, somamos mais 85 milhões, valores arredondados, o chamado "paraquedas", que vai manter a equipa a "voar".

A liga inglesa oferece este valor às equipas que não se mantêm na primeira divisão, para evitar o choque financeiro e amenizar a queda para o Championship. Assim, contas feitas por baixo, 196 milhões já cá cantam, nos cofres do Huddersfield.

Mas se os astros se alinharem para a equipa inglesa, os cofres podem lucrar até mais de 230 milhões. Como? No segundo cenário, aos 111 milhões de euros de direitos televisivos somamos outros tantos, pelo segundo ano de permanência na principal liga inglesa. A estes 222 milhões, acrescentam-se mais nove milhões de euros – o prémio que a Premier League oferece por cada posição conquistada na competição.

Este valor aumenta consoante subimos na tabela de classificação. Ou seja, o último classificado recebe dois milhões, o penúltimo o dobro e assim vão somando e seguindo as equipas daquela competição. Quer isto dizer que, a manter-se na Premier League, o Huddersfield pode arrecadar nove milhões (pelo 17ª lugar, o último que permite a permanência) e perfazer um total de 231 milhões de euros, relativos às duas épocas na Premier League.

A somar a isto, os ingleses vão poder contar com receitas de bilheteiras, publicidade, patrocínios e, no fundo, tornar-se uma máquina... de fazer dinheiro.