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Na Rússia, há 8 mil quilómetros entre clubes da mesma divisão (vale a pena ver este mapa)

Com a subida do SKA Khabarovsk à primeira divisão russa, o campeonato vai ficar muito mais comprido: a maioria dos clubes vai enfrentar viagens de oito horas de avião

Cláudia Alves Fernandes (texto) e Sofia Miguel Rosa (infografia)

O Spartak de Moscovo venceu a liga russa esta época

IVAN VODOPYANOV/GETTY

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A Rússia cobre um nono da área terrestre: são mais de 17 milhões de quilómetros quadrados, que fazem deste o país com maior área do planeta. Se para uns estes factos são impressionantes, para outros... nem tanto.

É que ser o maior país do mundo em termos geográficos implica, em termos futebolísticos, que milhares e milhares de quilómetros separem as equipas que disputam a 1ª liga russa. E quando falamos em milhares de quilómetros referimo-nos a mais de oito mil: é esta a distância que separa a equipa recém subida à primeira divisão - SKA Khabarovsk - dos rivais de Moscovo e São Petersburgo.

Foi no domingo que jogadores e quipa técnica do clube da cidade de Khabarovsk viajarm mais de sete mil quilómetros. O destino era cidade de Orenburg e em causa estava a final dos play-offs, que decidiria quem subia à principal divisão de futebol do país, a Russian Premier. O SKA Khabarovsk saiu vitorioso ao derrotar o Orenburg nos penáltis e conseguiu então fazer história nos relvados e subir de divisão.

O problema é que, com a subida da equipa, na verdade, tudo se dificulta. São sete fusos horários que separam agora a recém chegada à primeira liga dos campeões Spartak Moscovo, por exemplo. De carro, são precisas 100 horas (cerca de quatro dias) de viagem. De avião, oito horas no ar - e, de comboio, cinco dias. Isto falando apenas na ida.

Se quando o Zenit entrava nas competições da UEFA, as viagens (São Petersburgo) eram consideradas grandes, porque a equipa atravessava toda a Europa Ocidental, agora é altura de repensar distâncias: de carro, a jornada que separa o Zenit de clubes como o SL Benfica ou o FC Porto, por exemplo – clubes contra os quais já jogaram para a Liga dos Campeões - demoraria cerca de dois dias (45 horas). Portanto metade da distância que agora separa clubes do mesmo país.

Distâncias à parte, esta é uma grande vitória para o SKA Khabarovsk, que já há quatro anos tinha chegado ao play-off de subida, mas só agora conseguiu concretizar a ascensão. Na próxima época, a equipa que nasceu nos anos 40, ainda sob a União Soviética, enfrenta desafios desportivos e logísticos, devido às difíceis e demoradas deslocações.

Ainda assim, esta não é a primeira vez que a liga russa enfrenta um desafio deste tamanho. Entre 2006 e 2008, quando o Luch-Energiya conquistou um lugar na principal divisão do país, as viagens eram ainda maiores - e isso também afetou toda a competição.

Quando iam a Vladivostok, cidade do clube, os adversários tinham depois direito a descansar durante uma semana, e quando o Luch-Energiya se deslocava a casa dos adversários, disputava dois jogos e descansava durante dez dias.

É este o futuro que se prevê para o SKA Khabarovsk e para a liga russa. Resta então esperar que a equipa não se apure nem para a Liga Europa, nem para a Liga dos Campeões, para que os portugueses nunca tenham de enfrentar as mais de 18 horas de avião que os separam da cidade russa.

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