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Como terminar uma relação por SMS, by Conte

Há muitas relações que se deixam levar pelas mensagens de telemóvel, para o bem, e para o mal. Antonio Conte não terá gostado de uma reposta mais seca de Diego Costa e, em troca, enviou-lhe um SMS a desejar-lhe sorte, a agradecer pela época feita e a dizer-lhe que não conta com o avançado para a próxima época

Diogo Pombo

Steve Bardens

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Acaba a época e abre-se um período que não costuma durar mais do que um mês para cada jogador ir à sua vida e fazer o desmame de uma época a ver, quase diariamente, as mesmas pessoas. Uma delas é o treinador, o tipo que dá ordens, manda, controla, decide e, conforme as personalidades, quer ter um olho em tudo. Há treinadores que são mais preocupados que outros e querem manter os jogadores na linha, mesmo quando eles estão de férias e com licença para fazer o que lhes apetece.

Antonio Conte será um deles. O italiano despediu-se dos jogadores e foi de férias com o título de campeão inglês, conseguido à primeira tentativa. Entretanto, e aqui começa a história que interessa, lembrou-se de pegar no telemóvel e enviar uma mensagem a cada um deles. Tencionava dizer-lhes o que esperava deles para as férias, escreve o The Guardian, em termos de cuidados com a alimentação e o fitness. Para tentarem não descurar a forma por aí além.

Diego Costa foi um dos jogadores que recebeu essa mensagem. O brasileiro naturalizado espanhol respondeu ao treinador. A resposta, ao que consta, terá sido seca e indiferente. Uma secura e uma indiferença que o treinador levou a mal. A resposta encheu-lhe o saco e, dias depois, enviou esta mensagem ao avançado: “Olá Diego, espero que estejas bem. Parabéns pela grande época que passámos juntos. Boa sorte para o próximo ano, mas não fazes parte dos meus planos”.

Seco e indiferente.

Mike Hewitt

O jogador, quiçá surpreendido pela relação terminar através de uma mensagem enviada por telemóvel, enviou-a depois a vários jogadores do Chelsea e pessoas do staff técnico do clube. Ou talvez não tão surpreso quanto isso, porque esta relação andava a baloiçar na corda bamba há muito tempo.

Logo na pré-época, houve rumores de que Diego Costa, desgostoso com os treinos iniciais do treinador italiano - muito pára-arranca, com sessões táticas de posicionamento de jogadores e da equipa sem a bola -, teria simulado uma lesão nas costas para não ter que participar neles. No início da temporada, o avançado ficou alguns jogos no banco, com cara de um amuado que tem poucos amigos. Em outros, era substituído na segunda parte e punha a mesma cara durante apertos de mão forçados com Conte. Mais tarde, foi apanhado a beber uma cerveja no balneário, após um jogo contra o West Bromwich Albion.

Em janeiro, o hispano-brasileiro sacudiu os rumores de uma transferência milionária, para ele e para o clube, dizendo que ficava no Chelsea. Acabou a época com 22 golos em 42 jogos e como o melhor marcador da equipa. Jogou bem, elevou o nível, pareceu encaixar sem problemas no 3-5-2 em que o treinador moldou a equipa já com a época a decorrer. Agora, o mais certo é ir embora.

Porque, à tal mensagem que recebeu e à partilha indevida que fez, Diego Costa acrescentou as palavras que proferiu na quinta-feira, após o empate entre a Espanha e a Colômbia, com que nos contou parte do que acabei de vos contar: “Vou ser sincero, no outro dia, o Conte enviou-me uma mensagem a dizer que não conta comigo para a próxima época. Por isso, vou ter de arranjar uma solução. A minha relação com o treinador foi má. Deduzo que tenha feito uma má época, por isso não posso continuar”.

Seco e quase indiferente, também.

Os jornalistas que o ouviram, lembrando-se do que Diego Costa dissera há meses, perguntaram-lhe logo pelo Atlético de Madrid, clube do qual se transferiu para o Chelsea, há três anos. O avançado confirmou, outra vez, que gostava de lá jogar, mas que tem de “pensar no futuro” e não pode “ficar quatro ou cinco meses sem jogar” numa temporada que será a do Mundial de 2018. Foi uma forma de dizer que seria tudo bonito caso o Atlético não estivesse proibido de inscrever novos jogadores até janeiro próximo, devido a uma suspensão imposta pela FIFA. Logo, Diego Costa e o Chelsea terão de arranjar outra solução.

O problema é que o avançado abriu a boca quando não devia. Dizendo ao mundo que Antonio Conte não o quer e que o Chelsea o terá de vender, o jogador, em suma, indicou que ele está mal no clube, o treinador está mal com ele e que, der por onde der, o jogador terá de sair - o que complica a parte de os blues pedirem muito dinheiro pelo avançado e serem duros a negociar.

E este deverá ser um problema bem mais complicado de resolver do que pegar no telemóvel, escrever um SMS e dizer que esta relação é para romper e acabar.