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Doping. FIFA está a investigar seleção da Rússia do Mundial 2014

É mais um episódio do escândalo gigantesco que dura há anos e já levou a que atletas russos de várias modalidades ficassem banidos de muitas provas internacionais

Luís M. Faria

Matthias Hangst / Getty Images

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A FIFA confirmou este domingo que está a investigar os 23 membros da seleção russa que participou no Mundial de futebol em 2014. É a última notícia numa sucessão de casos envolvendo um esquema generalizado de doping alegadamente promovido a nível estatal na Rússia.

Publicamente, a FIFA recusa dizer se descobriu situações concretas de doping no futebol. Num email enviado à Reuters, diz ter "confirmado simplesmente que, em estreita colaboração com a WADA (Agência Mundial Antidoping), continua a investigar as alegações respeitantes a futebolistas no chamado relatório McLaren".

Elaborado em 2016 por Richard McLaren, um advogado canadiano, esse relatório concluiu que mais de mil atletas russos participantes nas mais competições internacionais estiveram envolvidos em doping sob alguma forma. No Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, por exemplo, os truques incluiam a troca sistemática de amostras de urina, através de buracos na parede e com violação de selos supostamente inexpugnáveis.

"Um absurdo qualquer", diz o vice-primeiro ministro russo

As conclusões de McLaren tiveram efeitos sobretudo no atletismo, com a Federação Russa da modfalidade a ficar vedada de provas internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos de 2016. Já em maio deste ano, o Comité Paralímpico Internacional disse que há uma "forte possibilidade" de os atletas russos serem impedidos de participar nos Jogos de Inverno de 2018.

O governo russo nega todas as alegações. O vice-primeiro ministro Vitaly Mutko, que também dirige a federação de futebol no país, afirmou: "Eles escreveram um absurdo qualquer. Não se incomodem em ler os jornais ingleses esta manhã". Mas o antigo chefe da WADA, Dick Pound, diz que a FIFA tem obrigação de chegar a conclusões antes do Mundial de 2018, que vai realizar-se... na Rússia.

"Mesmo num organismo com tão pouca credibilidade como a FIFA, um funcionário sénior não há de querer ser parte disto. Há anos que existe uma negação institucional do doping no futebol. Eu assisti a muitas apresentações, oriundas do mundo da fantasia, sobre como não há problemas. Eles têm absolutamente que levar este caso a sério", diz Pound.

Luís M. Faria