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Novos ou velhos, os alemães serão sempre alemães

O México teve mais bola, manteve-a na relva, inventou jogadas bonitas e arriscou muito. Mas, no fim, perdeu (4-1) com uns alemães cheios de miúdos e de gente com pouca vida de seleção, que assim chegam à final da Taça das Confederações. Portugal, portanto, vai reencontrar os mexicanos no domingo, às 13h

Diogo Pombo

Buda Mendes

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Há que dar o braço a torcer aos mexicanos.

Eles são mais pequenos do que a maioria dos jogadores que estão na Taça das Confederações. O tamanho não é tudo, verdade, mas dá jeito ser forte, possante, grande e ter corpo e um tronco que aguentem os choques que o futebol pede para protegerem a bola. Eles fazem o que podem com a rapidez, a técnica e o facto de terem os olhos mais perto dos pés e da relva para onde a gravidade os empurra. Eles não têm os melhores jogadores, não são os mais fortes, não são quem remata melhor, quem dribla com mais jeito, quem impõe mais respeito ou quem assusta mais os adversários.

Mas querem ditar a vida da bola como os mais fiéis devotos a uma religião cujo único pecado mortal é levantá-la da relva, no caminho de uma baliza para a outra. Arriscam lá atrás, saem a jogar em posse e com passes curtos, a tentar inventar coisas com calma, sem pressas. Querem seduzir a pressão adversária, convidá-la a jantar, chegar ao restaurante, puxar-lhe a cadeira para se sentar, e sumir assim que ela virar as costas para se sentar.

É bonito e agradável vê-los a serem assim, especialmente contra os alemães, os fortes, grandes, altos, técnicos, velozes, táticos alemães, que mesmo sendo os que não costumam ir à seleção e que partilham uma média de idades de 23,8 anos, são alemães. Todos são titulares de equipas da Bundesliga, um campeonato com um estilo intenso, rápido, agressivo, onde Pep Guardiola disse, em tempos, estarem as equipas que melhor contra-atacam na Europa. Circunstâncias que não eram boas para os mexicanos.

Por melhor que eles usassem a bola, tivessem gente a mexer-se entre linhas e a pedir passes por dentro, e a inventarem jogadas a um ou dois toques, com muitas tabelas, acabaram por cometer erros. Porque quem mais arrisca é quem mais se põe a jeito de errar, e, em dois minutos, a Alemanha castigou-os por um par de bolas que perderam. Marcou dois golos pelo pé direito de Leon Goretzka, o primeiro com cinco toques, dois passes e dois jogadores envolvidos, uma vez recuperada a bola. O segundo, com Timo Werner a ir da esquerda para o centro importunado e a desmarcar o médio na área.

E os mexicanos continuaram na deles, a jogarem com a bola na relva, com passes curtos e a comportarem-se de peito feito. Chicharito rematava uma oportunidade por cima da barra. Giovanni dos Santos perdia para Ter Stegen. Herrera via o guarda-redes parar-lhe um livre batido a 30 metros.

O bom do México com a bola dava um 2-0 para a Alemanha.

FRANCK FIFE

Porque, sem ela, o México era mau e, com o tempo, foi piorando. Uma equipa que joga com três centrais não pode ter os restantes a reagirem tão lentamente às bolas que perde. Nem ter Hector Herrera, um pachorrento por natureza, como o médio que está mais perto dos defesas. Os mexicanos desorganizavam-se no ápice de um estalar de dedos e de quase nada lhe valia a vontade e agressividade com que os jogadores tentavam recuperar o tempo, e o espaço, perdidos.

Daí que, na segunda parte, tivesse que entrar Rafa Márquez, um mexicano de 38 anos com uma vida feita a centra, para o meio campo. E que os alemães, que tinham esperado, aguardado e pressionado só a partir do meio campo, até ao intervalo, tenham arriscado mais e acelerado o ritmo com que desmontava o adversário.

Julian Draxler punha a dançar qualquer mexicano que lhe aparecesse à frente. Sebastian Rudy não falhava um passe. Todos se comportavam, mais ou menos, como máquinas afinadas, enquanto Timo Werner corria como um sonho falhado de velocista dos 100 metros e apanhava qualquer passe que entrasse nas costas da defesa mexicana. Ele fez o 3-0 quando os alemães já se reuniam em torno da bola, para jogadas curtas e rápidas de tocas tu e vou eu.

O espaço e o tempo com bola abundava para o lado deles, mesmo que Jiménez rematasse e um dos remates fosse à barra, e que Marco Fabián ressuscitasse a honra dos mexicanos com um golaço, a 35 metros da baliza. Honra que foi encurralada minutos depois, pelo pé esquerdo de Younes que, na área, fixou o 4-1 para a Alemanha, que está na final da Taça das Confederações.

Os mexicanos quiseram muito, arriscaram ainda mais, não traíram o bonito de jogar a bola na relva e pensaram mais em atacar, do que em defender. Tinha estado sempre a perder e a ter que virar o resultado os três jogos desta competição, só que não ainda não tinham estado a perder contra os alemães.

Porque eles, mesmo sem os titulares, os mais experientes e os jogadores que são estrelas no futebol, são alemães. E sejam novos ou velhos, os alemães serão sempre alemães.

FRANCK FIFE

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