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Barcelona acusado de lucrar milhões à custa da revenda de lugares cativos

Bilhete de 90 euros pode chegar aos 1.500 através da transformação do vulgar cativo numa experiência premium. Sócios não sabiam.

Expresso

David Ramos/Getty

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O canal de televisão catalão TV3 assina uma investigação na qual acusa o Barcelona de lucrar milhões à custa da revenda de lugares de sócio como lugares VIP, sem o conhecimento dos sócios e sem repartir com eles o lucro obtido.

O vice-presidente Jordi Cardoner, sem desmentir a informação contida no trabalho, garantiu que com a campanha estão a ser colocados “os interesses coletivos acima dos individuais”.

A campanha “Seient Lliure” [“Assento livre”] tem por objetivo manter a lotação do Camp Nou sempre no máximo. Para isso, foi criado um sistema através do qual os sócios podem colocar à venda os seus lugares quando não possam comparecer aos jogos.

Feita a transação, é descontado o IVA e as despesas de processo, dividindo-se o que resta, em partes iguais entre clube e sócio.

O problema está no facto do clube transformar alguns desses lugares em entradas premium, que incluem lugar de estacionamento, acesso a uma sala VIP, catering, entre outras comodidades, aumentando o preço desses bilhetes, sendo exemplo máximo da disparidade identificada pela reportagem a venda de um bilhete de 88 euros por 1.502.

Esta campanha existe desde 2001, mas a reportagem da TV3 foca-se somente nas últimas três temporadas, tendo identificado exemplos da prática em 10 jogos, a envolver Real Madrid, Manchester City e Valência em 2014-2015, Roma, Arsenal e Atlético de Madrid em 2015-2016 e Atlético, Manchester itã e Real Madrid, na época transata.

“Não é nossa vontade que as pessoas vendam, mas sim que o estádio esteja cheio”, argumentou ainda Cardoner, citado pelo “El País”.

“Estes lugares VIP, nos grandes clubes, estão a gerar 40 a 50 milhões por ano. Nós só ganhamos 17 milhões. São produtos de luxo para gente que vem de for e tem essa necessidade”, explicou ainda o responsável.

Cardoner garantiu ainda que o clube vai continuar com a estratégia, que não omitiu a informação devida aos sósios e acrescentou que estes valores servem para manter o preço dos bilhetes e financiar contratações.