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Wolverhampton, o mais recente clube proveta de Jorge Mendes

Ruben Neves é o sexto jogador português a entrar nos ‘wolves' no espaço de um ano. A esses há que juntar o novo treinador, Nuno Espírito Santo. A influência de Jorge Mendes no clube, cuja compra pela Fosun terá aconselhado, é cada vez mais evidente.

JACK TAYLOR

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Laurie Darlymple, o diretor desportivo do Wolverhampton, bem pode repetir o que disse quando Nuno Espirito Santo foi apresentado em junho: “Jorge Mendes não é o responsável pelo recrutamento deste clube.” A verdade é que se somam negócios onde a mão do agente, não sendo oficial, é clara.

E a influência não vem deste defeso. O Wolverhampton foi comprado há um ano pela chinesa Fosun, no seguimento da estratégia oficial do país de expansão no mercado do futebol, e Jorge Mendes é apontado como tendo sido determinante em todo o negócio de aquisição.

A amizade de Jeff Shi, da Fosun, com Jorge Mendes foi assumida desde cedo e os negócios começaram a refletir essa proximidade.

Ivan Cavaleiro foi o primeiro a chegar e a sua contratação foi um recorde para o Wolverhampton: 7 milhões pagos ao Mónaco, clube onde a influência de Mendes não é menos conhecida.

Do principado também chegou Hélder Costa em janeiro. E de novo os ‘wolves’ abriram os cordões à bolsa para estabelecer um novo máximo: 13 milhões de euros.

Sílvio, cujo passe é do Atlético de Madrid, e João Teixeira, do Benfica, chegaram por empréstimo. O primeiro, já é sabido, não vai continuar no clube inglês depois deste ter decidido não acionar a cláusula de extensão do contrato por mais um ano. O segundo foi novamente emprestado, desta feita ao Vitória de Setúbal.

E se dúvidas restassem sobre o poder de Jorge Mendes no clube - excesso que, de acordo com o jornal “Guardian”, poderá ter estado na base da saída do técnico Paul Lambert - em junho deste ano, Nuno Espírito Santo é apresentado em Inglaterra como o novo treinador do Wolverhampton, menos de um mês depois depois de ter saído do FC Porto, no culminar de uma época sem títulos, nem glória.

O técnico tem no currículo vários clubes onde a influência de Mendes é conhecida: Rio Ave, Valência e FC Porto.

“Sou cliente do melhor agente do mundo”, advertiu Nuno à chegada. “Ele faz o trabalho dele, eu faço o meu”, concluiu. “Quanto a transferências, é uma tarefa do clube. Temos de conseguir bons jogadores. Eles podem ser britânicos, alemães ou outra coisa desde que joguem bem”.

A verdade é que quem veio foi mais um português: em meados de junho é anunciada a contratação de Roderick Miranda, que foi orientado pelo técnico no Rio Ave. Assinou por quatro anos por um valor não revelado.

Este sábado, é agora oficial, confirma-se a chegada de mais dois jogadores vindos de Portugal: Ruben Neves, 20 anos, formado pelo FC Porto, e Willy Boly, também ele do FC Porto. O primeiro assinou um contrato de cinco épocas, de novo por valores não revelados, mas estimados pela imprensa na casa dos 20 milhões, ao passo que o central segue para Inglaterra cedido por uma temporada.

Quem se seguirá? Talvez não fosse má ideia perguntar a Jorge Mendes, porque à semelhança do que já vimos acontecer com Saragoça, Valência ou Mónaco, no clube inglês o português está longe de ser um simples agente.

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