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Os milhões do Milan: Bonucci é mais do que uma contratação. “É um sinal para o futuro”

Lideram o mercado de transferências e prometem não ficar por aqui. Desde que foram comprados por um investidor chinês que o plano de investimentos mudou de figura. A compra de Bonucci é só o mais recente exemplo. Também o mais simbólico.

MIGUEL MEDINA

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O verão vai quente no Milan. O clube italiano recentemente comprado por um milionário chinês está apostado em regressar à ribalta do futebol mundial e tem investido como nenhum outro na Europa.

Leva 189 milhões de euros em contratações, superando os colossos de Manchester, e gastando mais do dobro do dinheiro investido pelo clube italiano que se segue na lista: a AS Roma, com 77 milhões.

Leonardo Bonucci é a mais recente compra dos rossoneri e, claro, a mais badalada. Afinal, o gigante adormecido de Milão, que leva três títulos conquistados na última década, teve a veleidade de ir ao rival de Turim buscar um dos melhores centrais da atualidade, simultaneamente um dos pilares do hexacampeonato da Juventus.

A contratação de Bonucci foi anunciada na sexta-feira.

A contratação de Bonucci foi anunciada na sexta-feira.

AC Milan

Só aqui, foram 42 milhões. Mas o investimento é mais do que material ou desportivo. É simbólico. “Comprar o Bonucci é um sinal para o futuro. Ele é um lutador e um líder que nos vai dar muito dentro e fora do campo”, sentenciou Marco Fassone, o novo CEO.

Há seis anos, Andrea Pirlo fazia o caminho inverso e, coincidência ou não, a mudança marcou o início da decadência do Milan e a aurora da hegemonia da Juve.

Ao ataque

Mas a administração do clube não quer ficar por Bonucci. De acordo com declarações de Fassone ao canal do Milan, há planos para reforçar o ataque e o responsável até citou nomes: Pierre-Emerick Aubameyang, Andrea Belotti ou Alvaro Morata.

“Claramente, ainda queremos fazer alguma coisa para essa posição”, afirmou o responsável.

E não é que nada tenha sido feito até aqui pela linha avançada. Afinal, o clube gastou 38 milhões com André Silva. E tem mais na lista de contratações: Andrea Conti (25M), Hakan Calhanoglu (22M), Mateo Musacchio (18M), Ricardo Rodriguez (18M) ou Lucas Biglia (17M).

André Silva é, até ao momento, a segunda contratação mais cara do verão milanesa.

André Silva é, até ao momento, a segunda contratação mais cara do verão milanesa.

AC Milan

Objetivo: Liga dos campeões

A tarefa difícil de encurtar um plantel desta dimensão vai caber ao técnico Vincenzo Montella, que transitou da época passada. O clube que no ano passado terminou na sexta posição e que com ela conquistou um lugar na Liga Europa, quer voltar ao campeonato-mor da Europa do futebol.

“O nosso objetivo é o apuramento para a Liga dos Campeões e ser muito competitvo em todos os jogos. Não pode haver desculpas”, declarou o técnico.

E o fair play financeiro é uma treta?

É uma das questões que fica em aberto. Com a qualificação para as competições europeias, o clube fica sujeito às regras de fair play financeiro da UEFA as quais recomendam uma gestão equilibrada entre receitas e despesas.

Para já, em Milão, a balança está muito desequilibrada. Mas as regras da UEFA, ou pelo menos a sua aplicação, não têm sido claras.

O AC Milan entrou numa nova era com a venda de 99,93% do clube, por 740 milhões de euros, a um fundo de investimento liderado pelo milionário chinês Li Yonhong. A operação foi anunciada no ano passado, e concretizada em abril deste ano.

A venda, além da mudança profunda provocada ao nível da gestão, marcou o fim da era de Sívio Berlusconi ao cabo de 30 anos de liderança, com períodos curtos de interregno.

A nova era que agora se anuncia não envolve só a compra e venda de jogadores. A marca Milan, os seus operacionais e o conhecimento adquiridos também rumam para o Oriente, por onde já anda o plantel em torneios e sessões de autógrafos.

Ainda este domingo, a aliança cino-italiana conheceu um novo capítulo. O clube assinou um acordo com a China Next Generation Education Foundation para a criação de um fundo, com o nome do clube italiano, que vai ter por objetivo apoiar o desenvolvimento do futebol nas escolas da China. É que os milhões fazem diferença, mas na China há cada vez mais a perceção de que para popularizar o desporto e recolher frutos duradouros é preciso apostar na base. Recorrer a um dos clubes com mais títulos da história do futebol parece uma boa ideia. Que é como quem diz, um bom negócio.