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O Bayern perde a paciência e despede Carlo Ancelotti

É talvez a primeira vez que um clube abdica do treinador italiano a meio de uma época. Com 10 jogos feitos esta temporada, e depois de ter sido campeão alemão, o Bayern de Munique despediu Carlo Ancelotti

Diogo Pombo

FRANCK FIFE

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Os rumores já não abonavam muito a favor de quem a reputação dizia ser um mestre dos relacionamentos, um apaziguador, um amigo para os futebolistas e um treinador que deixa todos bem humorados, felizes e contentes: os jogadores do Bayern de Munique estavam a torcer o nariz a Carlo Ancelotti.

Coisas que ganharam um quê de certeza quando, esta quarta-feira, o Bayern, o grande, poderoso e gigante Bayern de Munique, foi a casa do Paris Saint-Germain perder (3-0), dominado e quase atropelado pelos novos-ricos do futebol.

Fê-lo começando com Frank Ribéry e Arjen Robben, extremos com mais de oito épocas cada um no Bayern, no banco de suplentes, ao lado de Matts Hummels, central campeão do mundo e sempre titular, com Jérôme Boateng, o outro central titulado e titular, na bancada (nem convocado foi).

Ou seja, para um dos encontros mais importantes desta temporada, prescindiu dos tipos que, supostamente, mais voz têm no balneário.

E isso, combinado com uma época em que, em 10 jogos, ganhou seis, empatou dois e perdeu outros tantos - já havia sido derrotado pelo Hoffenheim (2-0), equipa que perdeu com o Sporting de Braga, na Liga Europa -, resultou no despedimento de Ancelotti.

Em comunicado, o Bayern informou que as exibições da equipa esta época "não correspondem" às expetativas. Pelas palavras de Karl-Heinz Rummenigge, diretor geral do clube, "a partida de Paris claramente mostrou" que os bávaros "tinham de tomar medidas imediatas". O ex-avançado do Bayern agradeceu ao "amigo" Carlo e sublinhou que espera "uma resposta positiva" da equipa e "determinação absoluta" em atingirem "os objetivos para esta época.

Carlo Ancelotti ficou sem clube a meio de uma temporada, algo que não lhe acontecera no Real Madrid, no PSG, no Chelsea, no AC Milan, no Parma ou na Juventus.

O italiano, de 57 anos, já fora despedido de alguns destes clubes, embora sempre no final da temporada.

Ancelotti, que tirou uma espécie de ano sabático antes de chegar a Munique, tempo que aproveitou, entre outros afazeres, para escrever um livro, tem três Ligas dos Campeões vencidas na carreira (dois pelo AC Milan, outra pelo Real Madrid) e ganhou as ligas italiana, francesa, inglesa e alemã.

Um dos treinadores mais titulados no ativo, e com títulos grandes e importantes, portanto, acabou de ficar sem emprego.