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Goodbye, Mr. Littlebox. Pedro Caixinha despedido do Rangers

O português foi demitido pelo Rangers e tornou-se no treinador que menos tempo durou na história do clube. Os últimos tempos de Pedro Caixinha foram conturbados: disse que os jogadores o envergonharam e criticou o futebol escocês, garantindo que nunca se ia adaptar ao estilo de jogo do país

Diogo Pombo

Ian MacNicol

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Pedro Caixinha estava no Qatar, a treinar o Al-Gharafa, quando um dos clubes mais titulados do mundo se interessou por ele. Em março, o português estava a ser apresentado no Glasgow Rangers, dono do maior número de títulos no futebol escocês, representante dos protestantes da cidade, a erguer-se das cinzas a que se reduziu, em 2012, quando decretou falência e teve de se refundar.

O escoceses desconfiaram e ergueram os seus sobrolhos, porque estava ali um treinador do país onde os treinadores têm boa reputação, mas com um currículo reduzido aos três títulos que conquistou durante os três anos e meio que passara lá longe, no México.

Cerca de sete meses, ou 229 dias depois, Pedro Caixinha foi despedido.

E fica na história como o treinador que menos tempo durou no Rangers. Nos 25 jogos contados com o português, o clube ganhou 13, empatou cinco e perdeu sete, resultados que o têm no quarto lugar do campeonato - em que é quase obrigatório estar em primeiro ou em segundo -, o eliminaram da Liga Europa na pré-eliminatória e o fizeram sair, há dias, da Taça da Escócia, nas meias-finais.

Pedro Caixinha a demonstrar um gesto técnico (numa garrafa) num jogo dos Rangers

Pedro Caixinha a demonstrar um gesto técnico (numa garrafa) num jogo dos Rangers

Ian MacNicol/Getty

O percurso do português no Glasgow Rangers foi resumido por Tom English, analista de futebol escocês da BBC, assim: "A única coisa em que Caixinha parecia ser bom era a falar do que seria um bom jogo, em vez de protagonizar um".

No início desta época, Pedro Caixinha contratou Fábio Cardoso, Dálcio, Candeias e Bruno Alves, jogadores portugueses que pretendia para um estilo de jogo contrário ao que via no futebol escocês. "Preciso de compreendê-lo, não preciso de me adaptar a ele. Tenho a minha própria identidade, personalidade e filosofia de futebol. Vejo o futebol de uma forma positiva, para mim o físico é apenas um regime, não a coisa dominante", chegou a dizer, em agosto, sobre o futebol que, na Escócia, tem muito de corrida, bolas longas, contra-ataques e intensidade.

No domingo, após ser eliminado da Taça pelo Motherwell (0-2), em casa, nas meias-finais, o treinador português disparou críticas um pouco para todos os lados.

Caixinha, primeiro, apontou para os jogadores - "Disse-lhes que me envergonharam, envergonharam o clube e envergonharam os adeptos. Não podemos ter medo de ganhar" -, depois para o futebol escocês no geral: "Estamos felizes com a direção que o futebol no país está a tomar? Quantos árbitros apitam a nível internacional? Quantos jogadores são conhecidos a nível europeu? E a nível mundial? Há quanto tempo a seleção falha torneios internacionais? Há quanto tempo está a cair no ranking da FIFA?".

Esta quarta-feira, e após todas as críticas, o Rangers empatou (1-1) o Kilmarnock, penúltimo classificado do campeonato, e a direção do clube despediu Pedro Caixinha. "Os resultados têm sido uma desilusão e não se adequaram ao nível de investimento que foi feito", lê-se, no comunicado em que foi anunciada a decisão.

É o fim de Pedro Caixinha no Glasgow Rangers. Goodbye, Mr. Littlebox.