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Santi Cazorla esteve quase a perder a perna. E não sabe se voltará a jogar

Após uma série de lesões graves, o internacional espanhol do Arsenal esteve para arrumar as chuteiras... e perto de perder uma perna. Mas ainda não desistiu. Em 2018, quer voltar aos relvados

Clive Rose

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Há provações que ninguém deseja viver, provações que fazem uma pessoa perder parte da sua identidade. Um escritor que deixa de escrever, um pintor incapaz de pintar, um futebolista que deixa de conseguir rematar. Alguém consegue imaginar?

Há quase cinco anos que Santi Cazorla, jogador do Arsenal, vive no limbo de anunciar a sua reforma antecipada ou voltar a entrar em campo, conta a “Marca” esta sexta-feira. Já esteve perto de perder uma perna, agora promete voltar a entrar em campo em 2018.

Uma lesão, duas lesões, três lesões...

Tudo começou num jogo amigável em 2013, quando a seleção espanhola jogava com o Chile. A meio do jogo, Cazorla foi substituído devido a um golpe que sofreu no tornozelo direito - o osso quebrou, mas não saiu do sítio, ficando assim a depender de uma calcificação natural para recuperar.

Na prática, tornou-se um problema permanente. Durante algum tempo, Cazorla continuou jogar - mas com dores. Estas tornaram-se mesmo uma presença constante, mas não o suficiente para o fazer sair dos relvados. “Se aquecesse podia jogar, mas durante o intervalo, assim que arrefecia, [as dores eram tantas que] começa a chorar”, contou.

Mas a história de Carzola é feita de azares: a um somou-se outro. Em dezembro de 2015, teve de ser operado devido a uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo.

Mais uma vez, Carzola tentou resistir às dores. Mas elas acabaram por o dominar e levaram-no para a mesa de operações. “Se voltares a andar com o teu filho no jardim, devias dar-te por satisfeito.” Foi este o prognóstico dos médicos para o jogador, após a primeira de várias cirurgias.

Mil vezes adeus

Pousadas as chuteiras, apesar de ainda ter contrato com o Arsenal, Carzola focou-se exclusivamente em recuperar a capacidade de andar. E voltou a jogar... mas por pouco tempo.

Um ano depois da operação ao joelho, foi novamente parar ao hospital, por causa de uma lesão no tendão na palma do pé direito.

A princípio, os médicos tinham-lhe dito que seria uma paragem de três semanas. Mas este foi quase o golpe decisivo de fim de carreira do internacional espanhol.

Passado um mês da operação, os pontos foram removidos, mas a corte voltava a abrir, uma e outra vez, sempre que entrava em campo. Acabou por apanhar uma infecção, a ferida gangrenou.

Depois de conseguir não encontrar nenhuma solução em Inglaterra, Cazorla voltou para Espanha e foi até Salamanca ao encontro do médico Mikel Sanchez, por quem está agora a ser seguido.

Quando abriu a ferida na sala de operações, Mikel Sanchez levou as mãos à cabeça. “Ele encontrou uma infecção gigantesca. Tinha danificado parte do osso e [as bactérias] tinham comido parte do tendão de Aquiles”, disse Carzola.

Para tratar as bactérias, teve de fazer vários tratamentos com antibióticos. Caso o tratamento não tivesse resultado, poderia mesmo de ter de amputar a perna.

Mas o pior cenário não aconteceu. A última cirurgia de reconstituição do tendão de Cazorla foi a 29 de maio. Neste momento, está a passar por uma processo de reabilitação intensiva.

Cazorla tem contrato com o Arsenal até junho de 2018. Quando chegar essa data, o espanhol quer provar que ainda não é um jogador reformado. Quer voltar a entrar num relvado.