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Os gigantes sobem ao relvado e querem ficar com a bola

Estava escrito nas estrelas que havia de acontecer. E os gigantes até já tinham dado pequenos passos em direção ao tão apetecido tesouro: os direitos de transmissão das grandes competições desportivas, aglutinadoras de espetadores em massa

Luís Proença

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Facebook e Amazon chegam-se à frente e declaram interesse em concorrer pelos direitos de difusão de um dos mais desejados campeonatos de futebol: o espanhol, La Liga. E como gigantes que são, a entrada em jogo pela licença para o triénio 2019/20 a 2022/23 já faz estrondo que baste. De acordo com o jornal eletrónico ‘El Confidencial’, os detentores dos direitos de transmissão, a Liga de Fútbol Profesional (LFP), espera vir a arrecadar 2.300 milhões de euros pelo novo contrato, num modelo repartido: 1.300 milhões pelos direitos de transmissão das 38 jornadas em território espanhol e mais mil milhões com a venda dos direitos para a transmissão internacional.

Javier Tebas, o presidente da LFP, não esconde o interesse dos candidatos norte-americanos: a Amazon, liderada por Jeff Bezos, que prospera na venda a retalho digital e na distribuição de conteúdos audiovisuais subscritos, através da plataforma de ‘streaming’ Amazon Prime Video, e o Facebook, a maior rede social global, que reclama deter 2,07 mil milhões de utilizadores ativos mensais (sem contar com o Messenger, o Instagram e aq WhatApps também pertença do conglomerado de Mark Zuckerberg).

Tebas, citado pelo ‘El Confidencial’ foi curto, mas claro na resposta ao pedido de confirmação: “escutamos todos (os interessados).” Para o concurso à compra dos preciosos direitos, cujas negociações abrem formalmente no início do ano que vem, estariam posicionados os dois maiores grupos de televisão espanhóis em sinal aberto – Mediaset e Atresmedia -, bem como as plataformas de televisão paga, por subscrição – Movistar (detida pela Telefónica), Vodafone e Orange, passando pela produtora e gestora de direitos televisivos Mediapro. Para princípio de conversa, e face ao valor aventado por Tebas, tanto a Movistar como a Vodafone já se declararam fora da corrida, por não haver como rentabilizar a “espiral inflacionista” junto dos subscritores.

De “baby steps” ao grande passo

Está bom de ver que os gigantes saídos da revolução digital chegariam a esta batalha ou outras do mesmo calibre. Basta recapitular os passos dados por ambos no curtíssimo prazo. A Amazon já conta com os direitos de transmissão da NFL (o campeonato de futebol americano), da MLS (o campeonato americano de “soccer” – futebol de onze) e dos torneios de ténis da ATP para o Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos. O Facebook, através do Facebook Watch, emite a liga norte-americana de basebol, o campeonato mundial de surf, bem como a Liga dos Campeões e o campeonato mexicano de futebol para utilizadores nos Estados Unidos. Subir de divisão nesta conquista pelos direitos de transmissão desportivos está, portanto, ao nível da inevitabilidade.

Fonte da indústria audiovisual em Espanha sugere que o processo de concurso aos direitos de transmissão de La Liga deverá vir a acabar com uma repartição, através da criação de pacotes distintos, a vender diferenciadamente e em simultâneo aos operadores tradicionais e aos novos ‘players’ – ou pelo menos a um deles. A ver vamos, num qualquer ecrã.