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Os momentos LOL de 2017: Sá Pinto, um Mário Soares 2.0, um novo embaixador do luso-francês

Num encontro da Taça da Bélgica, o treinador português envolveu-se numa situação, no mínimo, caricata, em que passou de alegadamente agredido a efetivamente expulso. E tudo culminou com uma flash interview em que tentou defender-se de forma enérgica, num francês pintalgado de muito português e algum inglês. Este é o primeiro dos momentos LOL de 2017 escolhidos pelos jornalistas da Tribuna Expresso

Lídia Paralta Gomes

Gabriele Maltinti/Getty

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Aprendemos a crescer com o chavão do mon ami Mitterrand, atestado da boa relação entre Mário Soares e o seu congénere francês e que ainda hoje nos serve para brincarmos com a destreza do português comum (e não só de um antigo primeiro-ministro e Presidente da República) para falar uma qualquer língua que se lhe apareça à frente, mesmo que não seja com o melhor sotaque ou que lá pelo meio surjam umas quantas palavras em bom português, que escapam por desconhecimento do equivalente em estrangeiro ou por ser o que vem à boca no momento.

Pois bem, talvez numa homenagem a Mário Soares, Sá Pinto anda por terras belgas (das francófonas) a espalhar a nossa milenar capacidade de desenrascanço, nomeadamente em conferências de imprensa, tradição à qual Toni, Vítor Pereira ou Augusto Inácio deram tão bom nome nos últimos anos.

“Olha, tu est calme? Tu est calme. Então tu donnait a tua opinião, posso… je peux responder?”

Vamos então ser kind e fazer um rewind até ao final do mês passado: oitavos-de-final da Taça da Bélgica, frente-a-frente Standard Liège, equipa treinada pelo português, e o campeão belga Anderlecht, a jogar em casa. Com o Liège em vantagem por 1-0, os adeptos do Anderlecht, enfurecidos, desataram a atirar objetos para a zona do banco do Standard. Um deles atingiria Sá Pinto, que caiu no chão, agarrado à perna, com esgares de dor.

Sá Pinto chamou o árbitro que, num volte-face meio-hollywoodesco, acabou por expulsar o treinador luso. Quoi? Acontece que o objeto que atingiu o português não era uma bigorna de ferro, como aquelas dos desenhos animados, mas sim um copo de plástico de cerveja, coisa que normalmente não faz grande mossa, a não ser molhar a vítima. E o juiz da partida achou tudo um tanto quanto exagerado.

“Je fait comme ça, quer dizer, il envoyer pour moi une chose et je sortir de le terrain?”

No final, com a vitória no bolso, Sá Pinto dirigiu-se até à flash interview da TV belga que transmitiu o jogo e face às perguntas do jornalista, sobre se o “teatro” tinha servido para ganhar tempo ou se não estava “demasiado nervoso”, o português, que não é de se ficar, chateou-se com as insinuações e refutou tudo num misto de francês com sotaque do norte (de Portugal, claro), inglês e português, às vezes os três ao mesmo tempo, enfim, com a língua que tinha mais à mão.

“Que nervoux de quoi? Então je gagne le match... estou a ganhar le match!”

O que é certo é que Sá Pinto se fez entender. E quem nunca se baralhou todo a discutir em estrangeiro, que atire o primeiro copo de cerveja.