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Hala Madrid, hasta la vista Madrid (a crónica do fim merengue)

O Barcelona ganhou 3-0 no Bernabéu e deixou o Real Madrid a 14 pontos de distância na Liga espanhola. Messi foi o exterminador de serviço: um golo (o 25.º em clássicos, um recorde) e uma assistência

Pedro Candeias

Denis Doyle

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Pelo menos duas vezes por ano de há muitos anos para cá há Clásico aqui ao lado: Real Madrid-Barcelona ou Barcelona-Real Madrid, é indiferente o lugar onde se joga, é sempre aquele jogaço que ninguém quer perder. O deste sábado muito menos, por várias razões que passamos a enumerar: um encontro à hora de almoço no fim de semana natalício é coisa peculiar, mas um encontro à hora de almoço no fim de semana natalício em que um dos lados fora da corrida do título é coisa inédita. É que o Real Madrid partiu para o encontro com 11 pontos de atraso para o Barcelona que chegou ao Bernabéu sem derrotas na Liga.

Ou seja, o Real estava obrigado a ganhar e o Barcelona aguentaria tranquilamente um empate.

Ora, o Clásico arrancou com uma surpresa no onze do Real Madrid (Kovacíc no lugar de Isco, ao lado de Casemiro, Kroos e Modríc) que se explicava com as presenças de Messi e de Iniesta do lado contrário. A ideia era apostar no físico e no 1x1, e o croata tinha como missão vigiar o argentino à distância e durante a primeira-parte cumpriu a missão com relativo sucesso, já que o vimos apenas a lançar Paulinho para uma boa defesa de Keylor Navas.

Do lado do Real, Ronaldo marcou um golo, logo anulado por fora de jogo, falhou embaraçosamente um remate, e teve nos pés alguns dos melhores lances da sua equipa - alguns deles anulados por manifesta inépcia de Benzema, que, em sua defesa, atirou à barra.

Ao intervalo, um 0-0 legitimado por duas equipas que se anularam, e era provável que tudo assim continuasse porque ambos os lados andavam.

Mas, depois, na segunda-parte, uma decisão caricata de Kovacíc permitiu ao Barcelona chegar ao 1-0: Busquets fintou um adversário, pôs a bola em Rakitic que subiu, subiu, subiu no terreno com Kovacíc a preferir ficar ao lado de Messi em vez de apertar o compatriota, abrindo um buraco do tamanho da diferença pontual entre as equipas; a seguir, Rakitic pôs a bola em Sergi Roberto e este em Suárez que a chutou para dentro da baliza.

A partir de então, o jogo ficou desequilibrado e numa jogada iniciada por Messi sucederam-se vários remates à baliza do Real Madrid que só terminaram quando Carvajal deu ares de guarda-redes e defendeu com a mão. O defesa direito foi expulso, Messi converteu o penálti e o Clásico acabou ali.

Quer dizer, acabou ao minuto 90 e picos, quando Messi fintou dois ou três e assistiu Aleix Vidal na cara de Cristiano Ronaldo para 0 3-0, um instante carregado de simbolismo porque encerra a discussão sobre quem vai ganhar o quê nesta La Liga. E não é Ronaldo.