Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

Carlos had a dream: salvar o Swansea City (e Renato, vá)

O quarto português a treinar na Premier League é Carlos Carvalhal, o homem que só esteve dois dias no desemprego: saiu do Sheffield Wednesday, após duas épocas a morrer na praia do play-off de subida, e chegou ao último classificado da primeira divisão inglesa, o Swansea City

Diogo Pombo

Nathan Stirk

Partilhar

Carlos had a dream
to build a football team
he had no players so he went to sign them on loan

Assim começava o cântico que, há três anos, Carlos Carvalhal teve direito da parte dos adeptos do Sheffield Wednesday, pouco tempo depois de chegar ao clube e causar sensação. Foi rápido a mexer com as expetativas. Justificadas, porque nas duas últimas épocas levou o clube histórico de Inglaterra até ao play-off de acesso à Premier League, caindo sempre perante equipas com mais dinheiro e meios.

O problema é que chegámos a esta temporada e o sonho de Carvalhal foi esmiuçado apenas pelas sete vitórias que conseguiu em 25 jogos. Era pouco, muito pouco para o clube que, no 14º lugar do Championship, decidiu cortar relações com o português, apenas dois dias volvidos do Natal.

Mas, outro par de dias volvido, Carlos Carvalhal garantiu logo emprego: é o novo treinador do Swansea City. De repente, trocou a equipa que, em dois anos seguidos, ficou à beira de uma nova vida na Premier League, pela que, de momento, está mais perto de ser obrigada a rejuvenescer no Championship no próximo ano.

O clube galês é o último classificado do campeonato, com 13 pontos vindos de apenas três vitórias, quatro empates e 13 derrotas. Os 11 golos que marcou em 20 jogos têm o Swansea como o pior ataque da competição e, certamente, com uma das equipas com os piores morais da liga: foi goleada, no último jogo, por 5-0 em casa do Liverpool.

Outrora um clube elogiado pela filosofia de jogo, pela forma como contratava treinadores e jogadores para tratarem a bola com respeito, muitos passes e jogo pela relva - Leon Britton, um baixinho trinco inglês que orientou a equipa em Liverpool, a fazer e a acertar mais passes, numa época, do que Xavi, no Barcelona -, o Swansea parece estar a perder a identidade.

Nigel Roddis

Poucos traços restam dessa filosofia. É a 11ª equipa com mais média de posse de bola (47,4%) e a 10ª que mais passes curtos faz, por jogo (363), mostram os dados do WhoScored.

O importante agora, porém, será evitar a despromoção do clube que aterrou à Premier League em 2011 e chegou a qualificar-se para a fase de grupos da Liga Europa, em 2013. Salvar o clube e, pelo meio, tentar salvar Renato Sanches, cuja carreira tem vindo a decair e até tem perdido minutos na equipa (também por culpa de uma lesão recente).

Carlos Carvalhal, de 52 anos, é o quarto português a treinar na Premier League, seguindo o exemplo de José Mourinho, André Villas-Boas e Marco Silva, que lá chegou na época passada. Carlos Queiroz já os antecedera no futebol inglês, embora apenas tenha sido adjunto de Alex Ferguson no Manchester United.

O dream de Carvalhal, agora, é não seguir o exemplo que Marco Silva deixou no Hull City - ser outro treinador português a orientar uma equipa que desce de divisão no final da época. Mesmo a calhar, o primeiro jogo de Carlos Carvalhal no Swansea será, precisamente, em casa do Watford, já no sábado.