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A chama (apagada) de Antonio Conte

Espantou Inglaterra ao levar o Chelsea ao título na primeira época ao serviço dos blues, mas o percurso atual tem sido bastante conturbado e o italiano pode estar com um pé fora da Premier League

Cátia Leitão

António Conte cumpre a sua segunda época na liderança do Chelsea

Michael Regan/Getty

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A passagem de Antonio Conte pelo Chelsea já viu melhores dias e nos últimos tempos muita tinta tem corrido sobre a permanência, ou não, do treinador. O Chelsea tem feito exibições pouco notáveis para aquilo que a equipa habituou os adeptos e Conte tem sido apontado como o principal culpado.

É que o italiano já teve vários problemas com os jogadores e tem sido muito criticado pelos seus métodos de treino, mas contra tudo e contra todos, continua a liderar o Chelsea - mesmo depois de lhe terem sido apontados alguns substitutos.

A segurar Conte, para já (até ao final da época?), está Roman Abramovich, o implacável presidente do clube que é na verdade conhecido por ter pouca paciência com os treinadores. Foi assim com Luiz Felipe Scolari, André Villas-Boas, José Mourinho... e pode estar bem perto de acontecer o mesmo a Conte.

O caso Diego Costa

A crise que envolve Antonio Conte não é propriamente novidade e tudo começou com Diego Costa. No final da época 2016/2017, Conte dispensou o jogador por mensagem escrita, o que não agradou nem a Costa, nem aos colegas. "Olá Diego, espero que estejas bem. Obrigada pela temporada que passámos juntos. Boa sorte para o próximo ano, mas não estás nos meus planos" - foi assim que o treinador despachou Diego, segundo o jogador.

Também David Luiz foi alvo do pulso firme de Conte, que decidiu deixar o brasileiro a aquecer o banco sem dar grandes explicações sobre o assunto. Chegou, entretanto, o mercado de inverno e a situação não melhorou, muito pelo contrário.

Conte criticou duramente a direção do clube ao dizer que raramente recebe os jogadores que quer. "É uma loucura, [a direção] só cria problemas à equipa. É difícil preparar um jogo assim. Se conseguirmos um lugar na Liga dos Campeões será um êxito. Podemos não ser realistas e dizer que vencer a Liga é uma possibilidade, mas há que ter em conta a realidade", atirou.

Matthew Childs

A época mais negra

O Chelsea entrou em 2018 com o pé errado: em dez jogos, empatou cinco, perdeu três e só ganhou dois (Newcastle e Brighton), caindo assim para o 4º lugar da Premier League e com apenas um ponto de vantagem sobre o 5º classificado, o Tottenham.

Das três derrotas sofridas, uma foi com o Arsenal, por 2-1, para a Taça da Liga Inglesa, e as outras duas foram pedras no sapato de Conte. Primeiro, perdeu com o Bournemouth, 9º classificado, por 3-0, e depois foi goleado pelo Watford, 11º classificado, por 4-1.

Mas a gota de água caiu quando o treinador de 48 anos decidiu criticar os jogadores em praça pública. "Jogámos com medo. Para se jogar num grande clube é preciso ter caráter. É simples jogar quando há confiança. Especialmente nestas alturas específicas é se percebe quem está apto a jogar num grande clube, com personalidade e disposto a correr alguns riscos", disse Antonio Conte sobre o jogo contra o Watford.

"Tento continuar a trabalhar, a melhorar diferentes aspetos dos meus jogadores, mas o desempenho foi muito pobre. Claro que tenho de assumir responsabilidades... talvez tenha errado ao escolher o onze", concluiu.

A saída, ou a ausência dela

Os rumores da saída de Conte adensam-se, mas o técnico, com toda a arrogância que lhe é característica, diz que essa questão não lhe tira o sono: "Não estou preocupado com o meu lugar. Todos os dias dou 120% naquilo que faço. Se isto chega, tudo bem. Caso contrário, o clube pode tomar uma decisão. Mas não estou preocupado. Tenho a consciência tranquila. Não tenho problemas para adormecer a pensar, 'talvez possa fazer isto, ou aquilo'. Dou tudo, se isso não chega, o clube pode decidir outra coisa. A vida continua".

Como se tudo isto não bastasse, Giorgio Chiellini, que esteve ao serviço de Conte na Juventus e na seleção italiana, veio ainda revelar que o método de treino do italiano é bastante duro e que leva os jogadores à exaustão: "Com Conte não são só os jogos, é o dia a dia, cada sessão de trabalho. É como um sargento e faz com que se sinta algo especial no balneário, uma atmosfera diferente. No fim de um treino dele os jogadores não estão cansados, estão mortos. Mortos! Só conseguíamos porque acreditávamos no que ele estava a fazer." No entanto, Chiellini remata que Conte é "um dos melhores treinadores do mundo".

Mas ser o melhor não chega - que o diga o "Special One", que também foi dispensado do Chelsea -, e os próximos dias prometem ser duros para Conte, caso os resultados e as exibições não melhorem. No entanto, isso pode não ser uma dor de cabeça para o técnico, que já tem três destinos possíveis apontados: a seleção italian, o AC Milão e o Inter de Milão. Mas também já existem possíveis substitutos para o italiano no Chelsea: Luis Enrique, sem clube desde que saiu do Barcelona; Carlo Ancelotti, sem clube desde que saiu do Bayern de Munique; e Mauricio Pochettino, treinador do Tottenham.

Apesar de tudo isto, Conte não deve sair para já, visto que o Chelsea ainda está na corrida pela Taça de Inglaterra, na qual vai defrontar o Hull, e pela Liga dos Campeões, na qual enfrenta o Barcelona.