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Aconteceu no Brasil: um jogador agrediu violentamente um apanha-bolas durante o jogo (vídeo)

Já se sabe que, quando o assunto é futebol, é muito fácil perder as estribeiras. Este foi mais um desses casos. Mas, o que é que aconteceu afinal? Um jogador do Operário FC não fez cerimónia e agrediu - e não foi pouco - um dos apanha-bolas do rival

Cátia Leitão

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O futebol é um daqueles desportos que move montanhas, junta multidões e aquece o coração... e às vezes a cara também. Foi o que aconteceu no passado domingo, pelo menos ao apanha-bolas do Comercial, Tadeu Francisco, que levou um valente tratamento pela parte de Jefferson Reis, futebolista do Operário. Se acha que já viu tudo no futebol, então deixe-me dizer que está redondamente enganado.

Digamos que as emoções estavam, literalmente, à flor da pele. E se não estavam, passaram a estar, com a reação verdadeiramente cruel que o jogador do Operário teve perante o apanha-bolas. Mas já se sabe que, como em tudo, existem sempre dois lados da história e isso deixa algumas dúvidas: o que aconteceu afinal?

O momento da verdade

O calendário marcava o dia 18 de fevereiro, domingo, e estava prestes a ser disputado um clássico no Brasil, mais precisamente na competição Sul-Mato-Grossense. O Operário FC, primeiro classificado da divisão, viajou até à casa do Comercial, terceiro na classificação, para aquele que seria um jogo no mínimo épico, embora não pelas melhores razões.

Esta era a 7º jornada do campeonato estadual do Mato Grosso e tudo parecia correr na normalidade até se dar o único golo da partida: marcado de cabeça por Jô, avançado do Comercial, e que acabaria por dar a vitória à equipa da casa. E foi aqui que tudo descambou.

Nesta altura já Jefferson Reis estava no banco, depois de ter sido substituído, mas isso não foi entrave absolutamente nenhum para ele. Depois do golo, Tadeu fez aquilo que qualquer adepto faz: festejar. Mas, a ele correu-lhe mal. Jefferson "passou-se", saiu do banco e correu na direção do apanha-bolas. Quando alcançou o jovem de 19 anos, Jefferson mandou-o ao chão e não teve meias medidas: esmurrou o rapaz.

A confusão estava instalada. Vários jogadores aproximaram-se daquilo que mais parecia um ringue de boxe e tentaram afastar o avançado do Operário, que continua a agredir o apanha-bolas, a torto e a direito. Mas, a história não fica por aqui. Além da agressão, começou uma picardia entre os jogadores dos dois clubes que terminou com três expulsões: o próprio Jefferson Reis e Rodrigo Gral do Operário, bem como Jéferson Baré do Comercial. Depois disto, o jogo acabou.

A esquadra

As proporções do acontecimento foram tão graves que algumas pessoas foram mesmo levadas pela polícia, Tadeu acabou também por ser ouvido e este contou que ao longo da situação foi agredido nem por uma, nem por duas, mas sim por quatro pessoas. Quem? Jefferson Reis (bastante óbvio), Rodrigo Gral (o outro jogador expulso), Raul dos Prazeres (massagista do Operário) e um treinador de guarda-redes.

Tanto Jefferson Reis como Raul dos Prazeres estavam na esquadra quando o apanha-bolas prestou as suas declarações e ambos aproveitaram para se defender ao dizer que a culpa foi do rapaz que comemorou o golo de forma provocatória. Depois disso já houve tempo para esclarecimentos da parte de Estevão Petrallas, presidente do Operário.

“Tudo começou quando o apanha-bolas, no momento do golo da equipa dele, fez gestos obscenos para a maior claque de Mato Grosso do Sul”, disse Estevão. E acusou ainda Tadeu de ter sido ele a começar a confusão. “Começou ele [Tadeu] por chutar o massagista, o massagista defendeu-se e ele [Tadeu} foi para o banco de suplentes do clube e continuou a provocação. Infelizmente o atleta Jefferson é o que aparece em cima do apanha-bolas, dando a impressão que só houve aquilo”.

No entanto, Jefferson Reis acabou por ser suspenso pela direção do clube. “Há um contrato vigente com o atleta, então o primeiro passo do nosso procedimento interno é o afastamento. Agora os órgãos competentes vão reunir e deliberar sobre esse contrato. É o início do procedimento sobre a avaliação da conduta do jogador”, explicou Rafael Meireles, um dos advogados do Operário. Falta agora saber se o jogador vai voltar às contas do treinador Celso Rodrigues, ou se é melhor começar a pensar em mudar-se para outro clube.