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Quini: uma história de golos, ténis e de um sequestro. “Batia como os melhores canhotos e como os melhores destros”, diz Maradona

Faleceu Quini, aos 68 anos, vítima de um enfarte do miocárdio. O avançado que foi uma lenda e um amigo para Diego

Expresso

Alain de Martignac

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A Espanha está de luto com a morte de Quini, antigo avançado do Barcelona e do Sporting de Gijón que faleceu terça-feira, aos 68, vítima de um enfarte do miocárdio.

Quini foi um ponta-de-lança incrível, sete vezes o Pichichi [melhor marcador] em Espanha, tendo feito 302 golos ao longo da sua carreira de clubes.

Para a história de Quini fica também a de um rapto após uma vitória por 6-0 do Barcelona contra o Hércules. Quini, que fez dois golos nesse encontro, foi sequestrado por dois homens que o forçaram a entrar dentro de uma carrinha. O avançado esteve em cativeiro durante 25 dias e foi salvo, posteriormente, pelas autoridades. Durante esse período, o Barça conseguiu apenas um empate em quatro jogos.

A propósito da morte de Quini, Maradona, que foi seu companheiro de equipa no Barcelona, escreveu um testemunho comovente nas redes sociais. Diós fala de um “homem excecional”, “um goleador nato” que o ajudou na sua adaptação ao clube da Cidade Condal.

“Foi Quini, o bruxo, um homem excecional e um atacante que fez golos a todos. A verdade é que foi um goleador dos que já não existem, do estilo Martin Palermo, que talvez não tocava a bola em todo o encontro, mas quando lhe batia de pé esquerdo, fazia-o como o melhor canhoto. E quando lhe dava de pé direito, fazia-o como o melhor destro. A bola estava sempre à procura dele. Por vezes, era comigo e ele ia no um-contra-um com o guarda-redes. E quando queria dar de cabeça, era sempre aquele que estava melhor posicionado.

Lembro-me que, nos balneários, combinávamos com o Quinocho e com Urruti para elaborar uma jogada que o Lattek nos tinha proibido de fazer, por medo de que nos feríssemos. Eu cruzava para o Quini e ele vinha a correr do meio-campo e atirava-se para o relvado. E depois eu vinha a correr do meio-campo, ele cruzava para mim , e eu também me atirava para o relvado, tal como o Urruti, e ficávamos todos enlameados. Quini ajudou-me muito na minha chegada a Barcelona, jogávamos muito ténis no nosso tempo livre. Eu espero que descanses em paz. Mando-te um abraço para ti e para a tua família”.