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Adrien Silva: “Nunca entenderei a decisão da FIFA. Se estivéssemos a falar de um atraso de horas… mas estamos a falar de segundos"

Em entrevista ao diário britânico "The Guardian", o internacional português voltou a recordar o episódio que o deixou quatro meses sem jogar, depois da sua inscrição chegar à FIFA 14 segundos após o fecho do período de transferências. E alguma frustração pelo papel de Bruno de Carvalho no processo

Lídia Paralta Gomes

James Williamson - AMA/Getty

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Foram quatro meses sem jogar por causa de 14 segundos. Menos de meio minuto de atraso na hora de enviar os documentos para confirmar a transferência de Adrien Silva do Sporting para o Leicester. Um atraso não tolerado pela FIFA, apesar de todos os esforços do jogador português e do seu novo clube. A partir de setembro, Adrien foi obrigado a treinar-se sozinho, até abrir nova janela de inscrições, em janeiro.

Uma situação que continua a incomodar o campeão da Europa em 2016, que este sábado concedeu a primeira entrevista a um jornal inglês desde que chegou à Premier League. “Já tive algumas lesões e isso eu posso aceitar. Mas esta situação não foi correta. Porque eu estava fisicamente capaz de jogar e eu não fiz nada para estar naquela situação”, explica Adrien Silva na conversa com o “The Guardian”.

“Nunca entenderei a decisão da FIFA - mesmo com o Leicester a tentar tudo para a mudar. Não há qualquer tipo de proteção para um jogador numa situação como esta. E os jogadores são a parte mais importante do futebol, por isso porque é que a FIFA não pode pensar um pouco e abrir aqui uma exceção? Se estivéssemos a falar de horas, mas estamos a falar de uma questão de segundos. Acho que foi uma decisão muito má”, lamentou-se o médio.

Adrien sublinhou ainda que não ficou incomodado com o papel do Sporting na transferência, mas frustrado com Bruno de Carvalho - o negócio só ficou decidido já muito perto da hora de fecho do mercado de transferências, depois de duras negociações entre o presidente dos leões e o Leicester. “Não fiquei chateado com o Sporting. Fiquei com o presidente. Mas ele tentou proteger o clube”, sublinha, frisando que “no futebol, quando representas um clube, é mais importante proteger o ser humano, o jogador”.

Sobre o Sporting, Adrien diz ser o clube que o formou “como jogador mas também como homem” e que o emblema do leão terá sempre “um lugar especial” no seu coração.

Uma estreia emocional

Adrien Silva fez finalmente a estreia com a camisola do Leicester a 1 de janeiro. Frente ao Huddersfield Town, o médio começou no banco e quando foi chamado a entrar, o momento foi emocional. “Passaram-me muitas coisas pela cabeça. Mas o pensamento principal foi: joga apenas o teu futebol. É a minha paixão e algo tão simples. Mas naquele dia eu queria comer o campo!”, diz.

A temporada tem sido assim uma aventura para o português, que foi pai pela terceira vez há poucos dias. E Adrien diz que “a melhor forma de terminar a época” seria mesmo com uma ida ao Mundial.