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Piqué e o dia em que fez asneira no balneário do United: “Sabem o Jack Nicholson no ‘The Shining’? Pois, era assim o Roy Keane”

Gerard Piqué deu uma extensa entrevista ao site “Player's Tribune” e a Tribuna Expresso destaca uma passagem curiosa, que remete para o início de carreira do central espanhol no Manchester United de Alex Ferguson

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Sim, Piqué ja foi do United. E, sim, Piqué já teve este penteado

John Peters

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Gerard Piqué é um tipo curioso: jogador, empresário, político, ativista, articulado e desassombrado. Numa entrevista ao ‘Player's Tribune’, o futebolista que também já fez as vezes de jornalista, descreveu partes das etapas da sua carreira. Uma delas, recorde-se, foi passada em Manchester, no United, na altura em que lá andavam os monstros do balneário. E não houve maior monstro do que Roy Keane, como Piqué nos faz questão de lembrar.

Cheguei ao Manchester United um rapaz e saí um homem. Foi uma época maluca para mim, porque nunca tinha saído de casa antes. Passei os meus primeiros 17 anos a crescer em Espanha, na academia do Barcelona, e quase senti que estava a jogar para a equipa do liceu ou algo do género. Conhecia toda gente e estava perto da minha família. Para mim, portanto, o futebol era apenas para me divertir. Não entendia o lado comercial do jogo. Depois cheguei ao Manchester United e, honestamente, foi um choque completo. OSir Alex Ferguson foi fantástico comigo desde o primeiro dia, como um segundo pai. Fez-me merecê-la, mas acabou por me dar uma oportunidade. Num dos meus primeiros jogos em Old Trafford, estávamos no balneário a equiparmo-nos e eu estava muito nervoso. Imaginem - 18 anos e estou sentado num pequeno balneário, a calçar as minhas meias ao lado do Ruud Van Nistelrooy, do Ryan Giggs e do Rio Ferdinand. Só queria ser invisível. E pensava: 'Faz o teu trabalho e passa despercebido’. Então, estávamos sentados à espera que o treinador entrasse para falar connosco e eu estou literalmente sentado ao lado do Roy Keane. O balneário é tão pequeno que as nossas pernas quase se tocavam. Não havia espaço nenhum. Estava um silêncio de morte. De repente, ouve-se uma pequena vibração. Muito baixinho. O Roy começa a olhar à volta. Bzzzzzzz …..Ah m.... Percebi que era eu. Era o meu telemóvel. Deixei-o a vibrar e estava no bolso das minhas calças, enfiado no saco com roupa que estava logo atrás da cabeça do Roy. O Roy não consegue perceber de onde vem o barulho e começa a olhar como se fosse um maníaco. Conhecem aquela famosa cena com Jack Nicholson no 'The Shining', quando ele arromba a porta? Era assim que o Roy estava. Então, ele gritou para toda a gente: “De quem é esse telefone?!” Silêncio. Ele pergunta novamente. Silêncio. Ele pergunta pela terceira vez. "De quem. É. O car... Do filho da p…. Do telefone?!”. Por fim, assumi, como um miudinho. Muito calmamente, disse: ‘Peço desculpa. É meu.’ O Roy colocou o braço à minha volta, riu-se e disse-me para não me preocupar com isso... Ou não. O Roy perdeu a cabeça! Ficou louco à frente de toda a gente! Foi inacreditável. Quase me borrei todo! Mas foi uma boa lição”.