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Árbitros italianos recebem balas pelo correio. E o motivo é o VAR

Se em Portugal o VAR já foi, por vezes, polémico, em Itália tornou-se um gigantesco problema. Em março, por exemplo, centenas de adeptos da Lazio protagonizaram um protesto contra o VAR em frente à sede da Associação italiana de Árbitros, em Roma

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Não se pode dizer que a aplicação do vídeo-árbitro (VAR) no campeonato português esta época mereça, por parte dos adeptos do desporto e dos clubes, uma avaliação totalmente positiva, mas o que se está a passar em Itália é mesmo muito complicado: o número de polémicas já vai longo. Tão longo, que o ódio ao VAR e aos árbitros chegou a níveis de ameaças de morte.

Marcello Nicchi, presidente da Associação italiana de Árbitros, revelou durante uma conferência, na quinta-feira, que ele e outros membros do comité receberam, via correio, pacotes com balas - ameaças de morte evidentes - de adeptos insatisfeitos com o desempenho do VAR.

Segundo Nicchi, esta situação já está a ser investigada pelas forças policiais italianas e está nas mãos do ministro do Interior.

“A AIA recebeu pacotes com balas destinadas a mim, ao vice-presidente e o selecionador Nicola Rizzoli”, revelou Nichi.

Ainda em março, centenas de adeptos da Lazio protagonizaram um protesto contra o VAR em frente à sede da Associação italiana de Árbitros, em Roma. Mais: o árbitro Marco Di Bello foi alvo de um processo judicial por adeptos da Lazio, devido a algumas das suas decisões no jogo do clube com o Torino, em dezembro.

Ainda na mesma conferência, Nicchi denunciou um jornalista, sem nunca referir o seu nome, de incitar os adeptos a “disparar sobre os árbitros” e divulgar estatísticas erradas acerca da violência contra os juízes de partida.

“Um jornalista disse em direto: ‘Em guerra tens de disparar, nós temos de disparar aos árbitros”, citou.