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Pedro Martins é o quinto português a treinar o Olympiacos (e os outros todos ficaram com histórias para mais tarde recordar)

O técnico português vai ter a primeira experiência além-fronteiras e logo num clube que tem sido um 'cemitério' de treinadores. Nos últimos cinco anos, foram quatro os treinadores lusos que por lá passaram, todos eles com sucesso desportivo, mas... com episódios mal contados à mistura

Hugo Miguel Ferreira

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Aos 46 anos, Pedro Martins, que nunca treinou fora de Portugal, ruma ao Olympiacos, o maior clube grego, heptacampeão nacional e recordista de títulos, com 44 troféus de campeão no seu museu - 24 a mais que a segunda equipa mais titulada, o rival Panathinaikos.

Anunciado esta segunda-feira, o antigo técnico do Vitória de Guimarães assinou com os gregos até junho de 2020, num clube por onde já passaram outros quatro treinadores portugueses. Leonardo Jardim em 2012/13; Vítor Pereira em 2014/15; Marco Silva em 2015/16 e Paulo Bento em 2016/17.

“Muito orgulhoso por representar o Olympiacos. Uma honra trabalhar num clube extraordinário, com adeptos tão apaixonados. Tempo de começar a preparar 18/19, com um propósito claro: ganhar”, escreveu Pedro Martins nas redes sociais, onde também foi recebido pelo clube com uma mensagem de boas-vindas: “Welcome Coach".

Pedro Martins ruma ao campeonato grego depois de ter ido do céu ao inferno no Vitória de Guimarães, onde na época passada conseguiu um honroso 4º lugar no campeonato - e consequente apuramento para a Liga Europa - e a presença na final da Taça de Portugal - derrota com o Benfica, por 2-1. Mas foi esta época que a situação fugiu do controlo do técnico português, com uma série de maus resultados, e Pedro Martins deixou o Vitória após uma goleada caseira no dérbi do Minho, perdendo por 0-5 contra o rival SC Braga.

Na Grécia, esta também tem sido uma época atribulada para o Olympiacos, depois de Evangelos Marinakis, o presidente do clube, ter mandado os jogadores “de férias”, devido aos maus resultados (a equipa está em 2º lugar, a seis pontos do AEK), e anunciado que pretendia jogar apenas com os jovens. Uma situação caricata, pela qual o único português do plantel, André Martins, também está a passar.

Apesar de todos os treinadores portugueses que passaram pelo Olympiacos terem visto a equipa ser campeã, apenas Marco Silva realizou uma temporada completa na Grécia. Vítor Pereira entrou no clube a meio da época e tanto Leonardo Jardim como Paulo Bento não chegaram sequer a terminar o campeonato.

O suposto ‘flirt’ de Leonardo Jardim

Leonardo Jardim esteve no Olympiacos em 2012/13

Leonardo Jardim esteve no Olympiacos em 2012/13

Christof Koepsel

O caso de Leonardo Jardim no Olympiacos é provavelmente o mais inacreditável, já que o técnico português, atualmente no Mónaco, foi despedido quando liderava o campeonato com 10 pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Porquê?

As razões não ficaram muito claras, mas, segundo a imprensa grega, o treinador português teria mantido uma relação com a mulher do presidente.

Sobre isso, nas suas redes sociais, Leonardo Jardim escreveu o seguinte: “Apesar da ausência de informação sobre o meu despedimento, a verdade que me foi transmitida é que saio devido às exibições/resultados. Não vale a pena especular acerca de outras situações que põem em causa o profissionalismo da equipa técnica e o meu bom nome”.

A batalha campal de Vítor Pereira

Vítor Pereira esteve no Olympiacos em 2014/15 e conquistou o campeonato e a Taça da Grécia

Vítor Pereira esteve no Olympiacos em 2014/15 e conquistou o campeonato e a Taça da Grécia

Pacific Press

Vítor Pereira chegou ao Olympiacos a meio da época 2014/2015, com o objetivo de conquistar o pentacampeonato, e com 13 vitórias em 20 jogos, o técnico português pôde festejar no final da época - conquistou o campeonato e a Taça.

Mas não só de festa foi feita a passagem de Vítor Pereira pelo Olympiacos. O técnico português desencadeou uma gigante confusão no estádio do rival Panathinaikos, ainda antes do início do jogo que opunha as duas equipas.

Vítor Pereira cumpria o seu ritual em tocar nas redes das duas balizas, mas quando se aproximou da claque do Panathinaikos os adeptos mostraram-se incomodados e dirigiram-lhe palavras e gestos não muito simpáticos. Quem também não gostou foi o técnico português que decidiu desafiar os adeptos a irem ao seu encontro - convite prontamente aceite.

O que se seguiu parecia um "bombardeamento no Iraque", como o definiu o presidente do Olympiacos na altura. Invasão de campo com tochas, petardos, painéis publicitários, cadeiras e até fogo de artifício, tudo servia para lançar na direção de Vítor Pereira, que teve de ‘sprintar’ até ao túnel de acesso para se proteger da ira dos adeptos rivais.

O recordista Marco Silva

Marco Silva esteve na Grécia em 2015/16

Marco Silva esteve na Grécia em 2015/16

Shaun Botterill

O ex-treinador do Estoril e do Sporting chegou ao Olympiacos na época 2015/2016 e conquistou nessa época o sexto campeonato consecutivo para o clube, batendo um recorde de vitórias, com 17 triunfos consecutivos.

Como já se torna hábito no Olympiacos, nenhum treinador se aguenta muito tempo, e Marco Silva abandonou o clube no final da época, alegando razões pessoais.

No entanto, o jornal grego ‘Gazzetta’ deu conta de uma alegada falta de entendimento entre técnico e clube no que toca ao investimento para as competições europeias, o que terá motivado ao seu afastamento.

Marco Silva foi terceiro na Liga dos Campeões na fase de grupos, tendo caído para a Liga Europa, competição na qual foi eliminado nos dezasseis-avos de final pelo Anderlecht.

Paulo Bento, o líder isolado… e despedido

Paulo Bento estreou-se como treinador do Olympiacos em Arouca, em 2016/17

Paulo Bento estreou-se como treinador do Olympiacos em Arouca, em 2016/17

OCTAVIO PASSOS/ Lusa

O quarto técnico português chegou ao Olympiacos na época 2016/2017, na altura em que o clube era hexacampeão e procurava o sétimo campeonato consecutivo.

Paulo Bento até levou a equipa ao primeiro lugar da tabela, mas três derrotas consecutivas, algo que não acontecia no clube há 21 anos, fizeram com que o treinador português fosse despedido, deixando, ainda assim, a equipa em 1º lugar, com sete pontos de vantagem para o 2º classificado.

Nesse ano o clube acabou mesmo por conquistar o heptacampeonato, mas não se livrou de uma pesada multa de €150 mil euros e quatro jogos à porta fechada por cenas de violência no duelo com o AEK de Atenas.