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Ainda não há campeão em Itália, mas já houve festa, foguetes e fogo de artifício em Nápoles

O Nápoles venceu a Série A pela última vez há 28 anos, num tempo em que ainda vivia a fábula de Diego Armando Maradona. Esta época está tão perto quanto alguma vez esteve, desde então, de voltar a ser campeão de Itália, sobretudo depois da vitória deste domingo, contra a Juventus, que deixou a equipa a um ponto do rival de Turim. E as gentes da cidade festejaram assim

Diogo Pombo

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É bem capaz de ser o único hábito transversal a todos os clubes de futebol deste mundo: sempre que a equipa logra conquistar um título visto, pela consciência coletiva, como importante, os adeptos entram em festa. Rumam a um qualquer local tradicional da cidade, da vila, o que seja, onde se convencionou ser o local para celebrar em conjunto, e começa a farra. É o Marquês de Pombal para o Sporting ou o Benfica, em Lisboa, é a Avenida dos Aliados para o FC Porto.

Depois, há os especiais casos, em países igualmente peculiares, em que a festa faz-se por todo o lado de uma dada terra.

Essa peculiaridade existe em Itália, dos poucos países na Europa onde o futebol respira regionalismo e, por muitas outras razões, os clubes da terra vivem das gentes da terra. Têm os estádios cheios e batem segundo a pulsação de pessoas para quem a equipa de futebol é muito mais do que isso. Um desses casos é o Nápoles, da cidade homónima do país onde as gentes ficam mais calorosas, vibrantes e emocionantes quanto mais se for indo para sul.

Esse cidade e esse clube não são campeões de futebol em Itália desde 1990, um tempo em que tiveram o privilégio de existir consoante um génio e as suas aventuras em campo. O último campeonato da Série A que Diego Armando Maradona conquistou com o Nápoles foi há 28 anos e, entretanto, o clube já passou por muito, mas nunca mais por tanto quanto o que o argentino proporcionou ao clube (dois campeonatos, uma Taça UEFA e uma Super Taça de Itália).

Ficou a nostalgia, a saudade e a lembrança em toda a gente que viveu, ou conhece as histórias de quem lá esteva, o sentimento de celebrar vitórias. Diz-se que parte da explicação de Nápoles viver o futebol como vive vem daí, portanto, também aí se poderá perceber como na noite de domingo, a cidade viveu uma vitória da equipa contra a Juventus, em Turim, a centenas de quilómetros.

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Nápoles rebentou foguetes, libertou fogo de artifício, apertou as buzinas de carros e puxou pelos gritos das pessoas. A vitória contra a hexacampeã italiana deixou a equipa a um ponto do primeiro lugar que já ocupou durante várias jornadas esta época. Sobretudo, aproximou o Nápoles de um sonho que tem há 28 anos e que vem sendo engrandecido no último par de temporadas com Maurizio Sarri, o boémio treinador que um dia deixou um trabalho na banca para se aventurar no futebol.

Ele pôs o Nápoles a praticar o melhor futebol de Itália, um dos melhores na Europa, com jogadores bons e muito bons, mas sem estrelas nem muitos zeros à direita nas quantias que o clube consegue gastar para tentar conquistar títulos. Arranjou forma de a equipa apresentar-se como espetacular e entretida tirando o melhor de Insigne, Mertens, Hamsik, Callejón, Allan ou Jorginho e o português Mário Rui, jogadores com mais futebol nos pés do que nome na popularidade, que fizeram a primeira a equipa na história do novo estádio da Juventus (desde 2011) que de lá saiu sem sofrer um remate à baliza.

Fez as expetativas crescerem tanto em Nápoles e nas pessoas que lá vivem que, agora, acontecem coisas destas - uma cidade a enlouquecer com a hipótese, cada vez mais possível, de a equipa voltar a ser a melhor de Itália.

O que resta jogar a Nápoles e Juventus na Série A:

Nápoles: Fiorentina (F), Torino (C), Sampdoria (F) e Crotone (C).
Juventus: Inter de Milão (F), Bologna (C), AS Roma (F) e Hellas Verona (C).