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Falta de combustível causou queda do avião da Chapeoense

Relatório final da Aeronáutica Civil colombiana diz que avião não cumpria normas internacionais em relação ao abastecimento de combustível e que tripulação soube 40 minutos antes da queda que a aeronave estava numa situação de emergência, mas nada fez

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LatinContent/Getty

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A falta de combustível foi a causa da queda do avião que transportava a equipa da Chapecoense para a cidade colombiana de Medellín, que causou a morte a 71 pessoas em novembro de 2016. As conclusões às análises das caixas-negras da aeronave e de outros documentos foram apresentadas esta sexta-feira pela Aeronáutica Civil da Colômbia, que revelou ainda que 40 minutos antes do acidente já o avião estava em emergência e que a tripulação não agiu em conformidade, mantendo o plano de voo, mesmo com luzes e sinais sonoros a soarem na cabine.

Os investigadores sublinham que o desastre podia ter sido evitado já que houve uma falta de gestão de risco pela empresa LaMia. O combustível do avião era insuficiente para o voo entre Santa Cruz e Medellín e a escala prevista no contrato não foi realizada. Quando o combustível acabou, os quatro motores deixaram de funcionar e o avião planou até embater numa montanha na região de Rionegro.

Segundo as normas internacionais, um voo deve ter combustível para chegar a um aeroporto alternativo ao de destino e mais 30 minutos de reserva para o caso de uma emergência, algo que não foi respeitado pela LaMia que, refere ainda o relatório, passava por momentos complicados com salários em atraso e muita desorganização operacional. A empresa boliviana também não cumpria determinações das autoridades da aviação civil em relação ao abastecimento de combustível.

Por outro lado, a tripulação era experiente e tinha toda a documentação necessária em dia, bem como exames médicos. No entanto, Miguel Quiroga, piloto da aeronave, estava plenamente consciente que o combustível não era suficiente para o voo direto e numa fase inicial terá “decidido parar em Bogotá, mas mais adiante mudou de ideias e foi direto para Medellin”, pode ser-se no relatório.

A equipa da Chapecoense, do estado brasileiro de Santa Catarina, viajava para Medellín, onde iria disputar a primeira mão da Taça Sul-Americana, contra os colombianos do Atlético Nacional. Apenas seis pessoas, três dos quais jogadores da equipa, sobreviveram ao desastre.