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Um clássico é um clássico e um 'pasillo' é um 'pasillo'. Quanto vale o Barça-Real deste domingo?

Para o Barcelona, com o título garantido, o objetivo é claro: manter a invencibilidade no campeonato, que já alcançou dimensão inédita. Para o Real, é mais uma questão de honra. Os clássicos são sempre para vencer, mas Zidane não arriscará demasiado tendo Kiev em linha de vista.

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Alex Caparros

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A capa do jornal “Marca” desta manhã dá o mote: as caras de Messi e Cristiano Ronaldo coladas em duas caricas. “No quieren perder, ni a las chapas”. Nem à carica, nem a feijões: mesmo com o título atribuído, ninguém vai querer perder o clássico deste domingo, entre Barcelona e Real Madrid, marcado para Camp Nou, às 19h45.

O Barça joga em casa confortavelmente sentado na liderança e depois de ter assegurada a vitória do campeonato há uma semana na Corunha. Os catalães seguem invencíveis esta época e querem continuar a fazer a história.

Há 41 jogos que o Barcelona não perde para o campeonato - o que é já um recorde absoluto. A quatro jornadas do fim, a equipa de Ernesto Valverde mantém intacta a pretensão de terminar a prova invicto, algo que não acontece em Espanha desde a época 1931/1932.

Outro dos ingredientes do el clássico desta noite para o Barça é o de proporcionar a Iniesta mais uma alegria, naquele que será o último clássico de uma espécie de último herói do futebol contemporâneo. É o 38º clássico da carreira do médio que se estreou nestas andanças em... 2004.

O nº 8 do Barça estava em dúvida para o jogo, mas Valverde colocou-o na convocatória e estará apto a entrar em campo. O português Nelson Semedo também foi chamado. Já André Gomes ficou de fora, por opção técnica.

Isco fica de fora

E por falar em convocatórias, a do Real Madrid só foi conhecida esta manhã e veio confirmar que Isco vai ficar de fora. O espanhol não recuperou de uma lesão no ombro e juntou-se a Carvajal na lista dos indisponíveis.

De pedra e cal no onze deve estar Cristiano Ronaldo. O melhor marcador do Real Madrid tem sempre um duelo particular marcado nos clássicos contra Messi, mas este ano, em matéria de golos marcados, a vantagem está claramente do lado do argentino, o melhor marcador da Liga com 32 golos, mais oito que Ronaldo.

Na conferência de imprensa de sábado, Zinedine Zidane foi muito pressionado sobre se faria poupanças na equipa já a pensar na final da Liga dos Campeões marcada para 26 de maio em Kiev.

É verdade que o desfecho do jogo desta noite “não mudará a classificação”, anuiu o técnico. Contudo, este é "um encontro em que temos de jogar bem”, sublinhou.

Zizou assegurou que o Real fará por ganhar todos os jogos que lhe faltam até ao encontro com o Liverpool. A linha vermelha para o francês é o facto de os jogadores estarem a 100% ou não. Só os primeiros serão opção, diz.

A polémica do pasillo

Outro dos temas que dominaram a conferência de imprensa e que já fez correr muita tinha em Espanha é o facto de o Real - Zidane, mais concretamente - ter decidido não oferecer ao Barcelona, esta noite, em Camp Nou o tradicional pasillo. Isto é, fazer uma espécie de passadeira de honra à entrada dos blaugrana em campo, saudando os novos campeões nacionais.

Para Zidane a questão é clara e a responsabilidade é do adversário.Não o faremos porque eles não o fizeram connosco”, afirmou o técnico fazendo uma referência ao facto de, no clássico da primeira volta, também o Barcelona não ter cumprimentado desta forma o Real Madrid que acabava de ganhar o Mundial de Clubes.

“Disseram [para justificar não fazerem o pasillo] que não estavam na mesma competição que nós. Isso é mentira, porque para ganhar o Mundial temos de ganhar a Champions e na Champions estivemos todos”, atirou ainda o treinador dos merengues.

Zidane não deixou, contudo, de mostrar fair-play perante o adversário: “Mais importante que o pasillo é que respeitamos o que o Barcelona conseguiu. Ganhar a Liga é o mais bonito, o mais difícil”, disse aos jornalistas.

Ernesto Valverde, pela sua parte, desvalorizou a questão. “Já se falou muito disso”. “Um clássico é um clássico, um dos jogos mais importantes da época. Felizmente somos já campeões, mas há muito em jogo. Eles vão tentar quebrar a nossa série de invencibilidade, espero que seja um bom jogo”, concluiu o técnico do Barcelona.