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Michel Platini confessa que houve “um pequeno truque” para arranjar a final do Mundial 1998

O antigo presidente da UEFA deu a entender, em entrevista a uma rádio francesa, que a organização do Campeonato do Mundo, há 20 anos, terá feito algo para garantir que a França e o Brasil apenas se encontrassem na final da competição, como realmente aconteceu

Diogo Pombo

Aurelien Meunier - UEFA

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Di-lo com o ar mais natural e descontraído e despreocupado do mundo. Michel Platini está sentado numa cadeira, com headphones na cabeça e um microfone à frente: "Quando organizámos o calendário, fizemos um pequeno truque. Não estamos, durante seis anos, entediados a organizar um Campeonato do Mundo para, depois, não podemos fazer uns pequenos truques". E, no final desta frase, o homem que foi co-presidente do Comité de Organização do Mundial de 1998 riu-se, como se nada fosse.

Em entrevista à "France Bleu", Michel Platini admitiu que algo foi feito para que a França, seleção anfitriã, apenas pudesse defrontar o Brasil, então campeão do mundo, na final da prova. A cadeia de rádio gaulesa apenas revelou alguns excertos da entrevista ao antigo presidente da UEFA, que será divulgada, na íntegra, no domingo.

Mesmo sem avançar, para já, com pormenores, foi possível ver e o ouvir Platini a dizer isto: "Acham que os outros [países que organizaram Mundiais] não o fizeram também? Um França-Brasil era a final de sonho para toda a gente".

Em 1998, a França conquistou o Campeonato do Mundo ao vencer (3-0) o Brasil na final. Os gauleses avançaram para a fase a eliminar da competição com o primeiro lugar do Grupo A, enquanto os brasileiros acabaram a liderar o Grupo C - conjugação de resultados que permitiu que as duas seleções, segundo o calendário, apenas colidissem no derradeiro encontro do Mundial.

Michel Platini, que presidiu à UEFA entre 2007 e 2016, está a cumprir uma suspensão de quatro anos de quaisquer atividades ligadas ao futebol, após ter sido provado que recebeu subornos de Sepp Blatter, antigo presidente da FIFA. O castigo original era de oito anos, mas o francês recorreu da decisão e o castigo seria encurtado.