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Iaquinta, as armas e a máfia: ex-campeão do mundo com a Itália pode ser condenado a seis anos de prisão

Vincenzo Iaquinta fez parte da seleção de Itália que, em 2006, conquistou o Mundial. Agora, será um dos visados pela justiça italiana devido a porte ilegal de arma e por, alegadamente, ter ajudado um grupo mafioso a infiltrar-se em contratos de construção após os sismos que afetaram o país, em 2012. O jogador já terá sido detido pelas autoridades e até o pai estará implicado nas investigações

Diogo Pombo

PIERRE-PHILIPPE MARCOU

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Vincenzo Iaquinta, em aparência e durante a sua vida de futebolista, era o típico italiano: cabelo impecavelmente fixo e penteado, uma barba cuidadosamente aparada e um ar de quem vive a vida tranquilamente. Assim o foi enquanto venceu um Campeonato do Mundo, em 2006, com a seleção, e quando jogou em clubes como a Udinese e a Juventus, entre os quais ocupou 11 épocas da carreira, que concluiu em 2012.

Iaquinta era um avançado alto, forte, possante e a confiar grande parte do seu jogo no físico que tinha a mais que muitos adversários. Ele retirou-se, por coincidência, no mesmo ano em que dois sismos abanaram as regiões de Emilia-Romagna e Bondeno, no norte de Itália - há seis anos, 15 pessoas morreram, cerca de 5.000 pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas e acumularam-se milhares de euros de prejuízo em edifícios afetados pelos terramotos.

Terá sido à volta desse maio de 2012 que a justiça italiana crê terem existido ligações entre Vincenzo Iaquinta e outra coisa tipicamente italiana: a Ndrangheta, um grupo mafioso conhecido por operar na região de Calabria, sul de Itália, a infiltrar-se em vários contratos de construção em zonas abaladas pelos sismos.

A "Gazzetta dello Sport" escreve, esta quarta-feira, que o antigo internacional italiano é um dos 147 detidos pelas autoridades, devido a alegadas ligações com a máfia. A mesma publicação acrescenta que Iaquinta, nascido em Crotone, cidade localizada na mesma região onde opera a Ndrangheta, estará acusado de crimes de falsificação de faturas, usura, extorsão e associação criminosa com a máfia.

O ex-avançado, de 38 anos, poderá enfrentar uma pena de seis anos de prisão. O pai do antigo jogador também fará parte dos 147 detidos e, alegadamente, poder-lhe-á ser decretada uma pena de 17 anos.

Vincenzo Iaquinta fez 40 jogos pela seleção italiana, entre os quais marcou seis golos. Começou a dar pontapés na bola no Padova, de lá saltou para o Castel di Sangri e daí seguiu para a Udinese. Foi no clube do norte de Itália que chegou a defrontar (e vencer) o Sporting, numa pré-eliminatória da Liga dos Campeões, em 2005/06.

Chegou a marcar um hat-trick ao Panathinaikos nessa época e fazer o suficiente para ser convocado para o Mundial, que a Itália conquistaria ao ganhar, na final, à França. Ainda faria a temporada seguinte na Udinese, antes de acumular quatro épocas na Juventus pré-imperialista da Série A (vai com sete campeonatos seguidos). Em 2012, terminou a carreira com uma última época no Cesena.