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Não Conte com ele, Premier League. Sai Antonio, entra Maurizio?

O Chelsea oficializou esta sexta-feira a saída de Antonio Conte, o treinador com melhor percentagem de vitórias que ganhou uma Premier League e uma FA Cup em dois anos. Roman Abramovich contratou 11 treinadores desde 2004. Segue-se o homem que encantou Nápoles?

Hugo Tavares da Silva

Ian MacNicol

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Mourinho, Grant, Scolari, Hiddink, Ancelotti, Villas-Boas, Di Matteo, Benítez, Mourinho, Hiddink e Conte. Foi este o filme no banco do Chelsea desde o verão de 2004, quando Abramovich atracou dois senhores iates perto das praias do Estoril, para assistir ao Campeonato da Europa e levar José Mourinho e Paulo Ferreira para Londres. O último capítulo desta saga chegou ao fim esta sexta-feira: o clube londrino oficializou a saída do italiano Antonio Conte.

Foi uma despedida fria: bastaram 52 palavras e 292 caracteres. O texto no site oficial do clube lembra que durante a estadia de Conte o clube conquistou a sexta Premier League e a oitava FA Cup. “Na época do título, o clube estabeleceu então um recorde de 30 vitórias em 38 jogos, assim como o recorde do clube de 13 vitórias consecutivas na liga.” Na época passada, o Manchester City de Guardiola bateu o recorde de vitórias (32). “Desejamos a Antonio todos os sucessos para a sua carreira”, remata o comunicado mais fresquinho do que o inverno na capital britânica.

O fado dos treinadores do Chelsea já não é segredo para ninguém. Não há tempo para aquecer o lugar. Foram 11 treinadores escolhidos por Abramovich desde que comprou o clube em 2003. Mourinho foi o primeiro contratado, substituiu então Claudio Ranieri, que terminara na segunda posição (a 11 pontos dos invencíveis de Wenger) e chegara às meias-finais da Liga dos Campeões.

Conte, ao estilo de Mourinho e Ancelotti, venceu a Premier League na primeira época. O italiano que mais parece um louco a ver futebol ali na linha lateral, com a paixão e os braços a voar por todo o lado, saltou para Londres depois de ter sido selecionador italiano. Antes, na Juventus, foi tricampeão italiano, começando ele a série de sete scudetti consecutivos. Puxando a fita ainda mais atrás, o homem natural de Lecce, que jogou 13 anos na Juventus agora de Cristiano Ronaldo, subiu o Bari para a Serie A em 2009.

O 12.º treinador da era Abramovich deverá ser Maurizio Sarri, a mente brilhante que fez sonhar os tiffosi do Napoli como não acontecia desde os tempos de Maradona. O futebol apoiado, em triângulos, em espaços que faziam corar as tão faladas cabines telefónicas conquistou muitos adeptos por todo o mundo. Esta época liderou até 12 jornadas do fim, mas não foi capaz de superar a poderosa Juve de Allegri.

Agora espera-se que aterre em Stamford Bridge, eventualmente com Jorginho, o médio com toque de bola sublime que leva a mensagem certa aos colegas.

A Premier League não estará mal servida para a nova época: Guardiola (City), Mourinho (United), Pochettino (Tottenham), Klopp (Liverpool), Sarri (Chelsea) e Emery (Arsenal). Nuno Espiríto Santo (Wolves) e Marco Silva (Everton) vão também chapinhar naquelas águas de tubarões.