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FC Porto começa a caminhada possível para o impossível

Está aberta a Liga 2016/17: o FC Porto venceu o Rio Ave por 3-1, em Vila do Conde, num jogo sempre muito aberto

Mariana Cabral

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Herrera marcou o segundo golo do FC Porto, um golaço ao ângulo

FRANCISCO LEONG/Getty

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O FC Porto tem tendência para as glórias improváveis, como bem escreve AQUI o meu estimado camarada portista Marco Grieco, que pede ao seu clube “se possível, o impossível”. Madjer, Mourinho, Kelvin - os momentos são muitos e, na sua essência, caraterizam-se sempre pelo mesmo: quando ninguém parece acreditar que aquilo vai correr bem, a verdade é que até corre mais do que bem.

Foi assim que o FC Porto entrou na Liga 2016/17. Nuno Espírito Santo já tinha avisado, antes do jogo, que o clube não podia “estar um quarto ano sem conseguir um título”, mas a verdade é que as expectativas sobre este Porto (ainda) não são propriamente elevadas (basta ler AQUI o desalento de uma adepta portista).

Ficaram mais elevadas depois desta vitória por 3-1 em Vila do Conde? Bom, nem por isso. Com um onze que Lopetegui não reconheceria - Casillas, Maxi, Felipe, Marcano, Alex, Danilo, Herrera, André, Corona, Otávio e André Silva -, o FC Porto entrou no jogo inaugural da Liga de forma morna e até foi o Rio Ave a chegar-se mais à frente primeiro.

A equipa do ex-portista Nuno Capucho (ex-jogador e ex-treinador na formação), que já se tinha mostrado num bom nível contra o Slávia de Praga, na Liga Europa (ainda que tenha acabado eliminada com dois empates), procurou quase sempre pressionar o FC Porto logo no seu meio-campo e foi até começando com mais bola do que o adversário.

É que o Porto de Nuno Espírito Santo não é propriamente o Porto de Lopetegui - também quer ter bola, sim, mas não vê isso como o momento mais importante do jogo. Foi mais do que evidente a intenção da equipa em transitar rapidamente para o ataque quando recuperava a bola, ao contrário do que acontecia na época passada.

FRANCISCO LEONG/Getty

Ainda que não estivesse muito animado, o jogo estava aberto e não foi surpresa para ninguém quando o Rio Ave marcou o primeiro golo. Na sequência de um canto, Marcelo desmarcou-se bem e aproveitou a falta de reação de Felipe na defesa à zona na pequena área portista para marcar de cabeça, aos 36'.

O jogo podia ter ficado complicado para o Porto, mas a questão resolveu-se apenas cinco minutos depois, quando Corona mostrou o que é ter espontaneidade no remate ao rodar à meia volta e marcar de primeira num cruzamento que parecia não dar em nada.

O extremo mexicano foi sempre dos mais ativos do Porto - ainda mandou uma bola ao poste pouco depois -, a par com Otávio, que assistiu Herrera para o segundo golo, logo no início da 2ª parte. O (outro) mexicano marcou um golaço ao ângulo, sem hipótese para Cássio.

JOSE COELHO

O guarda-redes do Rio Ave esteve quase a compensar com outra defesa, quando parou um penálti de André Silva, mas o jovem portista conseguiu marcar na recarga. Foi aqui, aos 57', que aquele jogo aberto e relativamente interessante acabou, não só pelo resultado mas porque o árbitro Fábio Veríssimo decidiu - de forma algo exagerada - expulsar Marcelo depois do defesa empurrar Otávio no penálti portista.

Mantendo a fama de disciplinador - só não foi o árbitro que mostrou mais cartões na época passada porque João Capela mostrou 226 em 37 jogos e Fábio Veríssimo mostrou 224 em 33 -, o árbitro também expulsou pouco depois o novo lateral esquerdo portista Alex Telles (Layún começou no banco - Brahimi e Aboubakar nem vê-los), por acumulação de amarelos.

Os últimos minutos ainda permitiram ver a estreia do 'gigante' Laurent Depoitre, com três treinos nas pernas, e a utilização de um ex-renegado: Adrian López. É o novo Porto - nos jogadores e no pragmatismo. Um Porto possível, rumo ao (im)possível.