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Os dramas do Benfica são as soluções do Benfica

O tricampeão começou a Liga com uma exibição pouco feliz, mas fez o mais importante: venceu o Tondela (2-0)

Mariana Cabral

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Lindelöf ia atrapalhando Lisandro, mas o central argentino lá marcou o primeiro golo do Benfica em Tondela

FRANCISCO LEONG/Getty

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Há frases que não se esquecem e esta, de Fernando Santos, é uma delas: "Fomos simples como as pombas, prudentes como as serpentes". Ao nível do conhecimento bíblico, Rui Vitória pode não ser tão forte como o selecionador nacional, mas não se pode dizer que também não seja versado em bonitas frases a almejar o filosófico (leia-se o "Arte da Guerra para treinadores", por exemplo). Como esta: "Aqui não há dramas, há soluções".

O treinador do Benfica referia-se à ausência de Jonas, melhor marcador da Liga na época passada, que não pôde ser utilizado esta noite em Tondela, por lesão. É certo que Jonas é só um, mas é um que é bem mais do que um e faz muita falta à organização ofensiva do Benfica, como se viu. É que ainda que Gonçalo Guedes esteja a ganhar cada vez mais rodagem enquanto avançado, Mitroglou esteve mais apagado do que é habitual e não aproveitou as oportunidades que teve.

Ora, como diz o líder, onde não há dramas, há soluções - e a solução do Benfica adveio de um drama que foi uma solução. À meia-hora de jogo, já depois da equipa de Petit ter ameaçado a baliza de Júlio César várias vezes, num início muito intenso, Luisão lesionou-se e teve de dar o lugar a Lisandro. Foi assim que, dez minutos depois, o central argentino cabeceou para o 1-0 (mesmo com Lindelöf a estorvar), numa bola parada batida por Pizzi.

FRANCISCO LEONG/Getty

O Benfica acalmou depois do golo - a presença mais frequente de Pizzi pelo meio também ajudou a controlar melhor as saídas do Tondela -, mas mesmo na 2ª parte não subiu de rendimento, passando por alguns sustos: Júlio César defendeu um remate de Crislan, isolado; e Wagner, a três metros da linha de golo, não acertou na bola.

Rui Vitória optou pelo pragmatismo aos 65', substituindo Franco Cervi por Samaris e colocando o grego ao lado de Fejsa no meio-campo, com André Horta a ficar mais à frente.

E foi precisamente o miúdo que veio do Vitória de Setúbal a marcar um golo impressionante, já nos descontos. Fintou dois e enganou três, rematou, marcou, gritou e tirou a camisola. Depois das vitórias do Porto e do Sporting, vitória do Benfica. Temos campeonato.