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“Nuno lutou com Jesus sempre com armas desiguais”

Domingos Paciência, o último Bola de Prata português, eterno ídolo portista e ex-treinador do Sporting, garante que é cedo demais para dar palpites sobre o favorito ao título nacional, o que o leva a ser prudente na antevisão do primeiro clássico da época, domingo, em Alvalade, entre um Sporting mais equibilbrado e um FC Porto de novo moralizado, mas que ainda precisa de um reforço importante

Isabel Paulo

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CLÁSSICO. Sem clube, Domingos Paciência não esconde a vontade que tem de voltar a treinar, lá fora ou cá dentro

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Na euforia da vitória em Roma, Pinto da Costa anunciou que o FC Porto vai a Alvalade ganhar. É a sua aposta?
Não sou de apostas. Concordo com o presidente do FC Porto, pois é sempre para ganhar que o FC Porto vai a Alvalade. Agora uma coisa é dizer, outra é conseguir, até porque há um grande equilíbrio de forças entre as duas equipas. O Sporting é uma equipa muito equilibrada, esteve bem nas duas primeiras jornadas, e o FC Porto vai jogar moralizado pelo que fez no play-off da Champions. É um clássico em que tudo pode acontecer.

Jorge Jesus diz que o jogo de domingo não é uma prova de fogo...
E tem razão. À terceira jornada não há provas de fogo. Ainda há muito campeonato pela frente, muitos jogos decisivos.

Nestes clássicos, o fator casa conta muito? O Sporting é favorito?
É sempre relativo. Nos clássicos, o fator casa não é tão decisivo como se pensa. Ainda na época passada, o Benfica acabou por ir a Alvalade ganhar, contra todas as previsões.

Nuno Espírito Santo nunca venceu Jorge Jesus. Em seis encontros ao serviço do Rio Ave, perdeu todos, embora só agora jogue de igual para igual.
É evidente que não dá para fazer comparações. Com o Rio Ave, o Nuno lutou sempre com armas desiguais. Agora as hipóteses de vencer são bem diferentes.

É o treinador certo para acabar com o ciclo de três anos de jejum de títulos?
Sobre isso não me pronuncio, nem em relação a ele ou a outros treinadores. Não me diz respeito fazê-lo. Quem está no comando é que tem de saber quem são os técnicos certos para o lugar...

MISTER. Domingos Paciência, 47 anos, treinou o APOEL na época passada, mas está sem clube desde que saiu do Chipre

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Surpreso com a vitória categórica em Roma?
Não fiquei surpreendido, apesar do resultado desfavorável (1-1) do jogo no Dragão. Da minha experiência como treinador, aprendi que cada jogo tem uma história, um contexto próprio, que foi favorável ao FC Porto, não só devido às expulsões, mas pela forma determinada como entrou muito bem no jogo. Está na Champions com todo o mérito.

Esta semana, houve caras novas no Dragão e em Alvalade. Os brasileiros André (avançado) e Douglas (central) já foram anunciados por Bruno de Carvalho, ainda se fala holandês Bas Dost, enquanto ao Dragão chegou o desejado Óliver Torres e Diogo Jota, também emprestado pelo Atlético de Madrid. Qual é o melhor plantel?
É difícil estar neste momento a fazer análises definitivas. Ambas as equipas estão ainda em construção e até ao fecho do mercado nos próximos dias ainda pode haver saídas e surpresas. Do que vi, ambas têm mais soluções do que na época passada, embora para já o Sporting me pareça mais equilibrado, mais dinâmico e a jogar com maior intensidade, como aliás é típico das equipas de Jesus. O FC Porto sem dúvida que é agora uma equipa mais sólida, está a jogar de forma mais consistente, mas sem a velocidade do adversário de domingo.

Ainda precisa de reforços?
Em minha opinião, ainda lhe falta um ponta de lança experiente. Para precaver baixas, é uma posição que precisa de três alternativas, até por ser o lugar mais sujeito a lesões. André Silva tem dado boas provas, mas Depoitre está lesionado. O Sporting só precisa ir ao mercado se sair o Slimani - e talvez precise de mais um ala.

Este é o ano do Sporting, depois da estreia “quase, quase” de Jesus?
Ainda é muito cedo para dizer algo com consciência e credibilidade. Tudo o que se diga sobre quem tem mais hipóteses de ganhar o título são palpites. Ou uma questão de fé e de amor clubístico.

Com saudades de voltar a treinar?
É o que gosto e quero continuar a fazer.