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E à terceira jornada já se bate nos árbitros

Ainda a Liga vai no adro e coro de críticas aos árbitros já começou a subir. Depois do Benfica vetar o árbitro Manuel Oliveira para os jogos da Luz, este domingo, no rescaldo da derrota (2-1) fo Futebol Clube do Porto em Alvalade foi a vez de Nuno Espírito Santo se atirar ao árbitro Tiago Martins. É o prenúncio de uma época quente

Isabel Paulo e Lusa

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Decorridas apenas três jornadas, só as gentes do Sporting estão ainda em lua de mel, provavelmente até a um próximo desaire, com os sempre odiados homens do apito. Apesar dos esforços de Pedro Proença para fomentar o fair-play, com a criação de processos disciplinares e penalizações a quem ousar incendiar o campeonato, a contestação à arbitragem já anda no ar, detonada pelo empate na Luz com o Vitória de Setúbal, há uma semana, e, ontem, com a derrota mal digerida pelo FC Porto no primeiro clássico da época.

Num jogo que arrancou bem para os Dragões, com um golo do recém-contratado Felipe, a equipa de Jorge Jesus, mais experiente, acabou por dar a volta ao resultado, com golos de Slimani e Gelson, dois golos que, segundo Nuno Espírito Santo, foram concebidos em faltas não assinaladas pelo árbitro internacional Tiago Martins.

Ao sabor das circunstâncias

O treinador portista, que diz não gostar de falar de arbitragens, não resistiu a criticar a atuação do árbitro, “com influência direta no resultado”. As situações de dúvida, uma possível falta de Bruno César sobre Otávio, ou mão na bola ou bola na mão de Bryan Ruiz no lance do golo de Gelson, são algumas das razões de queixa dos portistas, bem como a “impressionante quantidade de vezes que os jogadores do Sporting usaram os cotovelos, sem serem devida e severamente punidos pela equipa de arbitragem”, como disse Nuno Espírito Santo

lusa

Apesar da dor de cotovelo de seguirem em sexto lugar à terceira jornada da Liga, com duas vitórias e uma derrota, na newsletter Dragões Diário o clube adverte que perdeu uma batalha, mas está longe de perder a guerra, lamentando que Tiago Martins não tenha sido como o polaco Szymon Marciniak, o árbitro da AS Roma-FCPorto - “nojento” (lá está) para o gosto do presidente romano, James Pallota.

“Puniu o jogo violento sem olhar a nomes, mas infelizmente em Portugal continua a haver uma inaceitável complacência com o jogo subterrâneo”, refere o site portista, duro ainda com a demora de Jesus a deixar o banco após a expulsão.

Antes da entrada em modo de pausa na Liga, para o regresso da seleção aos jogos de apuramento do Mundial da Rússia, Espírito Santo até fez mea culpa, ao reconhecer alguma falta de critério da equipa no último passe, e deixou como nota pedagógica que as derrotas “também servem” para ver qual é o caminho.

Menos complacente com a arbitragem, agora sob as rédeas de José Fontelas, o ex-internacional de futebol de praia e ex-líder da APAF, foi, contudo o presidente do Benfica na última jornada, no empate com o Setúbal. Além de ter imputado a Manuel Oliveira uma arbitragem “escandalosa”, Luís Filipe Vieira inaugurou à segunda jornada os pretensos vetos às nomeações, um estratagema já clássico de condicionar as escolhas dos árbitros pouco amigáveis.

O ataque do líder dos encarnados mereceu curiosamente reparos de Pinto da Costa, que prognosticou que o Benfica irá socorrer-se da crítica aos árbitros cada vez que o arquirrival não vencer os jogos na época de corrida ao tetra. Não deixa de ser curioso que as tréguas do círculo de Pinto da Costa tenham durado apenas...uma semana.

Sporting a somar, FC Porto a derrapar

Fora das guerras do apito continua Bruno de Carvalho, satisfeito com a liderança da Liga, ao contar tantos jogos, tantas vitórias, e com a entrada em caixa de um jackpot de milhões como jamais se viu em Alvalade. Para já o totalista é o campeão europeu João Mário, transferido para o Inter de Milão por €40 milhões, mais €5 milhões por objetivos. Slimani é o jogador que se segue, pretendido pelo Leicester, tal como Adrien Silva, estando disposto a pagar cerca de €60 milhões pela joias da coroa dos leões e que se despediu em lágrimas do clássico na despedida de Alvalade.

lusa

Na antevéspera do fecho do mercado de transferências de verão, o FC Porto move-se no lado sombrio do mercado, sem conseguir colocar as suas pálidas estrelas. Nesta janela de transferências o melhor que Pinto da Costa conseguiu foi vender Maicon, valorizado em 8 milhões, mas que terá rendido apenas 6 milhões, dado a diferença “ter sido paga em jogadores para a equipa B”, refere fonte próxima do clube.

Sem vendas e com a corda na garganta para cumprir as regras do fair play financeiro da UEFA, o FC Porto optou na reta final do mercado por “uma mudança de paradigma” para refrescar a equipa. Em vez da aquisição de jovens esperanças para valorização futuro, casos de Hulk, Falcao ou James Rodrigues, a SAD aposta agora em empréstimos, casos de Diogo Jota e Óliver Torres, cedidos pelo Atlético de Madrid, que resolvem problemas a curto prazo mas não geram mais valias futuras. Nem momentâneas: Aboubakar, sem dinheiro vivo à vista, foi emprestado ao Besiktas, enquanto a SAD ainda tenta colocar Brahimi.

“É o sinal do FC Porto empobrecido”, refere ao Expresso um ex-dirigente do clube.