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Futebol nacional

A construir o melhor campeonato de sempre

O último dia do mercado de transferências trouxe não só novidades mas também qualidade: do topo até ao fundo da tabela, as equipas portuguesas estão mais fortes. Agora sim, que comece o campeonato

Rui Malheiro (texto), Tiago Pereira Santos, com Freepik (ilustração)

tiago santos pereira (ilustração)

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Benfica

DEMOROU MAS FOI. Depois de muitas semanas de incerteza, Rafa Silva assinou mesmo pelo Benfica, a troco de €16 milhões FOTO INÁCIO ROSA/EPA

DEMOROU MAS FOI. Depois de muitas semanas de incerteza, Rafa Silva assinou mesmo pelo Benfica, a troco de €16 milhões FOTO INÁCIO ROSA/EPA

INÁCIO ROSA/EPA

A longa novela em redor da transferência de Rafa, com um novo recorde no que diz respeito a avanços e recuos, teve o final desejado pelas três partes centrais do negócio: o jogador, o ex-clube e o futuro clube. Se é certo que o diamante do Forte da Casa oferece a alucinante vertigem tão cara a Rui Vitória, que passa a contar com um impressionante rol de extremos constituído por Salvio, Pizzi (que poderá regressar à posição “8”, fazendo concorrência a André Horta, e possivelmente a Danilo, jogador que poderá ser utilizado como médio defensivo), Cervi, Zivkovic, Carrillo e Gonçalo Guedes (opção para segundo avançado), também é verdade que poderá acrescentar mais cérebro a um jogar previsível, onde a exploração do jogo exterior vota, muitas vezes, a um quase total ostracismo a construção e a criação pelo espaço interior.

Um dos desafios que Rui Vitória terá pela frente será a de ter um extremo destro à esquerda, o que poderá ser acompanhado pela presença de um extremo canhoto à direita (é aí que Zivkovic, ainda por estrear, rende mais), o que poderá fortalecer o jogo interior dos encarnados, até porque ambos são particularmente talhados – os mais talhados dos extremos do plantel – para protagonizarem uma construção acelerada sem que se perca o cérebro. Para além disso, Rafa, o jogador mais desejado do mercado de verão, poderá ser uma alternativa viável para o posto de segundo avançado, quando Jonas, que as duas primeiras jornadas confirmaram como o mais indiscutível entre os indiscutíveis dos encarnados, estiver ausente. Algo que Vitória desejará ardentemente que não aconteça.

No sentido contrário ao de Rafa, seguiram o argentino Óscar Benítez e o português Rui Fonte, ficando o colombiano Guillermo Celis, que também era desejado por José Peseiro, na Luz, onde também permanecerá Samaris, alvo da cobiça de Zenit e Fiorentina em cima do fecho do mercado. O longo dia D dos encarnados ficou marcado pela continuidade de Luisão, protagonista de um discurso de amor à camisola bem distante dos tempos de um capitão que precisava de pensar perseverantemente no seu futuro, e de Salvio, sempre arguto na utilização das redes sociais para comunicar boas notícias, e pela inteligência de Lindelöf, um patrão a encerrar todas as dúvidas sobre a sua continuidade e a abrir caminho para uma renovação que todas as partes parecem ambicionar.

Depois, se Carcela (Granada), Raphael Guzzo (Reus) e Nelson Oliveira (Norwich) encontraram destino, juntando-se a Marçal (Guingamp), Talisca (Besiktas) e Ola John (Wolverhampton), Taarabt, ele mesmo, continuará a ser uma dor de cabeça milionária, depois de não ter chegado a acordo com Palermo e Marselha, emblemas que almejavam o milagre de o voltar a fazer ser jogador de futebol. Rúben Amorim, que terá recusado uma proposta da Turquia, é outro jogador que não encontrou colocação, assim como (o lesionado) Pelé, Bilal Ould-Chikh, Alexis Scholl, João Lima e Romário Baldé, um quinteto que engrossa as fileiras da formação secundária, que recebeu o defesa central Nuno Gonçalves, ex-júnior do Vitória de Guimarães, e o promissor brasileiro Vinícius Jaú, médio ofensivo/segundo avançado oriundo do Atlético Paranaense, como reforços de última hora.

Sporting

Aparentemente, depois de um esforço hercúleo no reforço do plantel, só há um caminho: o da conquista do título nacional, quebrando com um jejum de uma década e meia. O Sporting perdeu duas unidades nucleares – o superlativo João Mário, jogador com um repertório técnico, tático e mental notável, e o goleador Slimani, um verdadeiro carro de assalto à profundidade –, mas foi feroz na abordagem ao mercado, constituindo um plantel com mais do que uma opção válida por posição (em algumas com mais do que duas), e nem a necessidade de fazer uma espécie de segunda pré-temporada em competição, integrando e estabelecendo conexões entre jogadores que se desconhecem, poderá servir como atenuante, até porque é um desafio que Jorge Jesus costuma suplantar com mestria.

O fecho do mercado trouxe duas notícias fantásticas para os leões: o afiançar do empréstimo de Lazar Markovic, o incrível sérvio que brilhou no Benfica – unhada no rival – e procura relançar a carreira depois de duas épocas sombrias no Liverpool e no Fenerbahçe, e o assegurar da continuidade de Adrien, o médio-centro que esteve perto de acompanhar Slimani na viagem até Leicester, uma cidade sem aeroporto. Depois, chegaram Douglas, um patrão que robustece a zona central da defesa bem entregue a Coates e a um explosivo Rúben Semedo, e Elias, uma sombra de Adrien, que, em caso de necessidade, tal como Melli, até poderá derivar para o corredor direito, ainda que esse lugar pareça muito bem entregue a Markovic, com Gelson, sempre a crescer na sombra.

No ataque, cinco reforços para dois lugares. Alan Ruiz, o primeiro a chegar, é o mais médio do quinteto, mas tem sido trabalhado para assumir o papel de “nove e meio”, o mesmo que o canhoto Joel Campbell, incisivo a explorar espaços vazios com a sua velocidade furiosa, poderá ocupar, ainda com versatilidade para poder partir de um corredor lateral, sobretudo quando Jesus voltar a fazer aproximações ao 4x1x4x1 e ao 4x4x1x1. Depois, se Bas Dost, menos incisivo no ataque à profundidade do que Slimani, mas um homem de área com espantoso sentido de oportunidade e facilidade de remate com o pé direito e através do jogo aéreo, é a nova referência ofensiva, Castaignos, em busca da consistência que o tem afastado do rótulo de novo Thierry Henry, poderá cumprir o papel que foi de Teo Gutiérrez na época passada, acrescentando velocidade, aceleração e contundência na desmarcação.

André, outrora novo menino da Vila, quando surgiu ao lado de Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso, poderá desempenhar as duas funções: a de segundo-avançado ou avançado-centro. É móvel e tem golo, mas resta perceber se Jorge Jesus consegue relançar a carreira de um jogador que estagnou e que é perseguido, tal como Téo era, pela fama de baladeiro. O dia D do mercado de transferências também confirmou as saídas por empréstimo dos extremos Iuri Medeiros (Boavista), Daniel Podence (Moreirense) e Carlos Mané (Estugarda), jogadores que poderão ser utilizados com grande frequência e continuar a sua evolução em competição, além das saídas de Wallyson (Standard de Liège) e Naldo (Krasnodar), que se juntaram a Ewerton (Kaiserslautern), Aquilani (Pescara) e Barcos (Vélez Sarsfield), o primeiro a sair após o início do campeonato. Paulo Oliveira, que foi cobiçado pelo Granada, permanecerá no plantel, ocupando o posto de quarto-central.

FC Porto

MAIS VALE SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO. O central francês Boly foi o único reforço contratado pelo FC Porto no última dia do mercado

MAIS VALE SÓ DO QUE MAL ACOMPANHADO. O central francês Boly foi o único reforço contratado pelo FC Porto no última dia do mercado

CARLOS RODRIGUES/GETTY

Não, não houve um ataque contundente portista ao mercado em cima do seu fecho. Falhado o regresso de Mangala, que optou por se juntar a Garay no Valencia, os dragões voltaram-se para o seu alvo preferencial para o centro da defesa e fecharam a aquisição, que esteve perto de se consumar ainda antes do início de temporada, do ex-bracarense Willy Boly - que se junta ao duo de reforços oriundos do Atlético Madrid, formado pelo cerebral Óliver Torres e pelo contundente Diogo Jota, afiançados na passada semana.

O compatriota do canhoto Mangala, que quase estaria obrigado a fazer dupla com (o destro) Felipe, é destro, mas sente-se totalmente confortável para atuar à direita ou à esquerda. Face às saídas de Diego Reyes, emprestado ao Espanyol, e do proscrito Bruno Martins Indi, cedido ao Stoke City, o nigeriano Chidozie, que regressou à formação secundária, assume o papel de quarto central, a menos que o FC Porto reserve uma surpresa para setembro. É que Ricardo Carvalho (ainda) está livre, como também Martín Cáceres, ex-Juventus, colega de Maxi Pereira na seleção uruguaia, Yohan Tavares, ex-Estoril, Felipe Santana, ex-Kuban Krasnodar (depois de passagens por Borussia Dortmund, Schalke 04 e Olympiacos) ou Alex, o veterano, ex-AC Milan, que já chegou a ser apontado como possível reforço dos portistas.

Do longo último dia de transferências, registo para as saídas airosas de Alberto Bueno (Granada, onde será colega de Carcela), de Gonçalo Paciência (Olympiacos), Licá (Nottingham Forest) e Nabil Ghilas (Gaziantepspor), que se juntam a Aboubakar (Besiktas), Hernâni (Vitória Guimarães) e Josué (Galatasaray), jogadores que iniciaram a pré-temporada com Nuno Espírito Santo, e para a continuidade de Brahimi, que acabou por não se transferir para Galatasaray ou Everton.

O maior desafio de Nuno, extremamente corajoso a abdicar de Brahimi no início da época, será o de procurar recuperar um prodígio capaz de fazer a diferença, mas que se esquece, quase sempre, de algo crucial no ideário do treinador: o pensamento coletivo com e sem bola. Certo é que não fará muito sentido que Brahimi permaneça parado a desvalorizar-se de forma pungente.

Sporting de Braga

As transferências de Rafa (Benfica) e Boly (FC Porto) garantiram mais um volumoso encaixe financeiro ao clube superiormente dirigido por António Salvador. É certo que José Peseiro perde duas unidades de grande peso para encurtar distâncias em relação a Benfica, Sporting e FC Porto, que continuam a reforçar-se em Braga, mas as suas partidas foram atempadamente preparadas.

O plantel tem quatro bons defesas-centrais – o sérvio Lazar Rosic, ex-Vojvodina, e o uruguaio Emiliano Velázquez, emprestado pelo Atlético de Madrid, juntam-se a André Pinto e Ricardo Ferreira (que permanece nos guerreiros do Minho, apesar do assédio dentro e fora de portas) – e assegurou os empréstimos de Ricardo Horta, também capaz de atuar como médio-ofensivo, e de Óscar Benítez, oriundo do Benfica, para manter os corredores laterais despertos, jogadores que se juntam ao decisivo Pedro Santos, ao capitão Alan e ao versátil Wilson Eduardo.

O último dia de mercado confirmou também o regresso de Rui Fonte, cedido a título definitivo pelo Benfica, e a aquisição do promissor Douglas Coutinho, ex-Cruzeiro e Atlético Paranaense, avançado brasileiro que chegou a ser apontado, há um ano, como possível reforço do FC Porto, que se juntam ao egípcio Ahmed Hassan e ao sérvio Nikola Stojiljkovic, outro jogador que possuía propostas para abandonar os arsenalistas.

Dos dispensáveis, os bracarenses encontraram soluções para o avançado Erick Moreno (Tondela), para o médio-defensivo Alef (Umm Salal), para o lateral-esquerdo Tiago Gomes (Apollon) e para o médio-ofensivo Joan Román (Slask Wroclaw). Por resolver, ficaram as situações do lateral-esquerdo norueguês Ringstad e do avançado brasileiro Rodrigo Pinho, que poderão ser integrados na formação secundária, e do nigeriano Chidi Osuchukwu, médio canhoto que os bracarenses pretendiam emprestar para jogar com continuidade, mas que poderá continuar às ordens de Peseiro no plantel principal.

Arouca

OBRIGADO, MERCADO. Depois de passar por Estoril, Karabukspor, Belenenses e Rio Ave, o cabo-verdiano Kuca assinou pelo Arouca

OBRIGADO, MERCADO. Depois de passar por Estoril, Karabukspor, Belenenses e Rio Ave, o cabo-verdiano Kuca assinou pelo Arouca

reuters

O internacional cabo-verdiano Kuca, que no último exercício representou Rio Ave e Belenenses, por empréstimo dos turcos do Karabukspor, foi o reforço de última hora do Arouca, que assim recebe mais uma unidade para atuar pelos corredores laterais do ataque, fazendo concorrência a Mateus e Zequinha (além de Bruno Lopes e Sancidino Silva), mas também capaz de atuar como segundo-avançado ou médio-ofensivo.

O avançado paraguaio Walter González (7 golos na segunda metade do último exercício), apontado como possível reforço do Hamburgo, permanecerá no plantel, concorrendo com o equatoriano Marlon de Jesús, protagonista de um trajeto tergiversante, pelo papel de referência ofensiva. As inscrições de Igor Rocha, terceiro guarda-redes, e do médio versátil Karl Júnior, emprestado ao Tondela na segunda metade do último exercício, foram outras novidades, num dia que também ficou marcado pela continuidade do lateral esquerdo Nelsinho, dado como potencial dispensável, que permanecerá sob o comando técnico de Lito Vidigal, apesar da concorrência dos reforços Thiago Carleto e Victor Costa.

Rio Ave

O último dia de mercado não trouxe perdas para a formação vila-condense: o médio defensivo ganês Wakaso, o equilibrador do sector intermediário, e o avançado centro Guedes, que não tem sido opção principal para Capucho, permanecerão no Rio Ave, apesar do interesse de clubes turcos no seu concurso. Ao invés, chegaram dois reforços. Uma cara conhecida, já que o lateral direito Lionn, que não tinha acertado a continuidade no final do exercício passado, regressou a Vila do Conde - onde deverá assumir a titularidade face à concorrência de Pedrinho e Eliseu Ndjack -, e uma jovem promessa da Guiné-Conacri: o veloz Tafsir Chérif, antigo jogador de Capucho no Varzim, reforça o ataque por empréstimo do Mónaco.

Paços de Ferreira

A lesão de Rabiola, operado ao joelho esquerdo e com uma paragem prevista de seis meses, obrigou a uma última investida ao mercado em busca de um avançado. Apesar de Rafael Martins, ex-Moreirense, insatisfeito no Levante (2.ª Divisão espanhola), ter sido apontado como alvo preferencial, a escolha acabou por recair em Ricardo Valente, capaz de atuar como avançado ou (falso) extremo, excedentário no plantel do Vitória de Guimarães. O último dia de mercado confirmou a inscrição do guarda-redes Yeerzati Yeerjieti, revelação do Gondomar (Campeonato de Portugal) em 2015/16. O chinês concorrerá com Rafael Defendi, Mário Felgueiras e João Pinho.

Estoril Praia

O início paupérrimo de exercício – três derrotas em três jogos – não justificou uma investida desesperada ao mercado, num plantel amplamente remodelado, como atestam as quase duas dezenas de caras novas. Fabiano Soares recebeu o reforço que pretendia para o centro da defesa, onde Dankler, Diakhité e Thiago Cardoso se têm manifestado insuficientes. João Afonso, sem espaço no Vitória de Guimarães, foi a escolha para suprir as perdas de Diego Carlos (Nantes) e Yohan Tavares (estranhamente ainda livre), juntando-se ao versátil João Basso, capaz de atuar como defesa central ou médio defensivo, contratado ao Paraná.

O último dia de inscrições confirmou a saída do promissor médio defensivo nigeriano Anderson Esiti para os belgas do Gent, futuro adversário do Sporting de Braga na Liga Europa, o que constituirá um duro golpe no sector intermediário. Já os médios Matheuzinho e Billal Sebaihi, dados como dispensáveis, não encontraram colocação e permanecerão no plantel.

Belenenses

Joel Pereira, guarda-redes luso-suíço emprestado pelo Manchester United, foi o último reforço do Belenenses. O novo concorrente de Ventura, que assumiu a sucessão de André Moreira, recuperado pelo Atlético Madrid, vai fazer a sua estreia no futebol português, apesar de ser internacional nos escalões sub-17, sub-18 e sub-19, e de ter sido o suplente de Bruno Varela nos Jogos Olímpicos 2016. Com a sua chegada, o Belenenses abdicou da aquisição de Victor Golas, guardião brasileiro oriundo do Botev Plovdiv, que se chegou a treinar sob a orientação de Júlio Velázquez.

Os últimos dias de mercado também já tinham confirmado as chegadas de Dinis Almeida, promissor defesa central português emprestado pelo Monaco, depois de dois exercícios ao serviço do Reus, que lutará com Domingos Duarte, Gonçalo Brandão e Gonçalo Silva pela titularidade, e de Vítor Gomes, médio-centro que saiu do Moreirense no final da última temporada.

Por resolver ficaram as situações do médio espanhol Fernando Llorente, contratado aos romenos do Poli Timisoara, e do avançado Betinho, reincorporado no plantel, que não entrarão nas contas do técnico espanhol, que já vira partir o cerebral Rúben Pinto para o CSKA Sófia, onde será colega de David Simão, Diogo Viana e Rui Pedro, além dos dispensáveis João Afonso (Sintrense) e Tiago Duque (Olhanense). O extremo Kayembe, internacional sub-21 vinculado ao FC Porto, e o avançado Mamadou Tounkara, hispano-senegalês pertencente aos quadros da Lazio (depois de ter realizado parte da formação no Barcelona), chegaram a ser apontados como possíveis reforços, mas os empréstimos não se concretizaram.

Vitória de Guimarães

REGRESSO. Hernâni volta a um sítio onde já foi muitíssimo feliz, antes de ingressar no Porto: Guimarães. O extremo esteve emprestado ao Olympiacos, na época passada, e agora foi emprestado ao Vitória

REGRESSO. Hernâni volta a um sítio onde já foi muitíssimo feliz, antes de ingressar no Porto: Guimarães. O extremo esteve emprestado ao Olympiacos, na época passada, e agora foi emprestado ao Vitória

RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

Os reforços de fim de mercado foram afiançados atempadamente: o extremo Hernâni, emprestado pelo FC Porto, e o médio versátil Bernard Mensah, cedido pelo Atlético Madrid, regressam à Cidade Berço, assumindo-se como mais-valias indiscutíveis para a formação orientada por Pedro Martins. A estes, juntou-se também o costa-marfinense Prince-Désir Gouano, emprestado pela Atalanta, defesa central veloz, mas bastante inconsistente, que Martins orientou, em 2014/15, no Rio Ave. Depois de uma temporada irregular, em que esteve cedido a Gaziantepspor e Bolton Wanderers, estará na sombra de Josué Sá e de Pedro Henrique.

Ao contrário do que foi aventado, não se confirmaram as saídas de Bruno Gaspar, Tozé e Alex, dados como potenciais dispensáveis, nem a chegada de um reforço de última hora: um lateral direito – Lionn era uma possibilidade – ou um médio centro: Darko Brasanac, promessa do Partizan, foi desviado pelo Bétis. No último dia de mercado, confirmaram-se as saídas do defesa central João Afonso, sem espaço no plantel, que rumará ao Estoril, de Ricardo Valente, unidade móvel de ataque, que foi cedido ao Paços de Ferreira, onde poderá jogar com maior regularidade, e do promissor avançado Rui Areias, autor de 34 golos nas últimas 3 temporadas pelo Vitória Guimarães B, que rumará à equipa secundária do FC Porto.

Nacional da Madeira

SR. EMPRÉSTIMOS. Contratado pelo FC Porto em 2013/14, Sinan Bolat já foi emprestado ao Kayserispor, ao Galatasaray e ao Club Brugge. E, agora, vai passar a época no Nacional da Madeira

SR. EMPRÉSTIMOS. Contratado pelo FC Porto em 2013/14, Sinan Bolat já foi emprestado ao Kayserispor, ao Galatasaray e ao Club Brugge. E, agora, vai passar a época no Nacional da Madeira

reuters

O guarda-redes Siman Bolat, sem espaço no plantel do FC Porto, foi o reforço de última hora do Nacional. O internacional turco, revelado pelo Standard Liège, que nos últimos exercícios rodou no Club Brugge, Galatasaray e Kayserispor, deverá ser opção prioritária, impondo-se à concorrência formada por Rui Silva, Vítor São Bento e do jovem camaronês Ohoulo Framelin.

Garantida a continuidade de Salvador Agra, com mercado fora de portas, Manuel Machado fez um pequeno reajustamento no plantel, de onde saíram o lateral direito moçambicano Bhéu Januário e o versátil médio defensivo/defesa central Sérgio Duarte, já depois de ter emprestado o central Diogo Coelho à Académica. Os médios Vítor Hugo, brasileiro oriundo do Angra dos Reis que esteve à experiência na Choupana, e Geraldo, moçambicano oriundo do Liga Muçulmana, são outras caras novas no plantel.

Moreirense

“Critério. Vamos valorizar a bola. Só há uma bola: vamos tratá-la bem, c...”. A frase do treinador Pepa, em mais um brilhante ReporTV de Jaime Cravo, teve continuidade na abordagem ao fecho do mercado, onde sagazmente afiançou dois reforços de peso para assegurar mais imprevisibilidade e conetividade na ligação entre a zona de criação e de finalização. O desequilibrador Daniel Podence, emprestado pelo Sporting, e o cirúrgico Frédéric Maciel, jogador formado nas escolas do FC Porto (com uma passagem breve pelo Sporting) que se encontrava nos belgas do Royal Mouscron, encaixam-se que nem uma luva no ideário do mister Pepa: “Lembra-te de uma coisa. Para a frente: com asas. Asas, liberdade, criatividade. Livre que nem um passarinho”.

Com a chegada da dupla de extremos, o promissor ganês Ernest Ohemeng foi cedido à Académica, onde poderá jogar com mais regularidade sob o comando de Costinha, seguindo o mesmo caminho do seu compatriota Caleb Gomina, destaque das rondas inaugurais do Campeonato de Portugal ao serviço do Felgueiras (2 golos em 2 jogos).

Marítimo

O triunfo na deslocação a Moreira de Cónegos garantiu uma semana mais tranquila ao Marítimo, numa altura em que os adeptos já contestavam a continuidade do treinador brasileiro Paulo César Gusmão e do seu exótico preparador físico Jorge Sotter, responsável por uma das frases filosóficas mais estonteantes da pré-época: “É preferível chorar no treino para poder sorrir no jogo”.

A chegada de Amido Baldé, oriundo do Benfica de Luanda, e a inscrição de Dyego Sousa, com uma pré-época marcada por uma altercação com um árbitro auxiliar, foram as novidades do último dia de mercado, assegurando duas opções possantes para o centro do ataque que se juntam ao versátil médio defensivo Erdem Sem, turco-belga oriundo do Gaziantepspor. Depois de alguns erros de casting, refletidos nas dispensas dos reforços brasileiros Christianno, Felipe Manoel, Régis e Bruno Nunes, a que se juntaram as saídas do guardião Haghighi, internacional iraniano que permanece no mercado, e do problemático Damien Plessis, o Marítimo transferiu, em cima do fecho de mercado, o extremo/avançado camaronês Donald Djoussé para o Al-Sadd do Catar.

Boavista

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Foi um dia extremamente positivo para o Boavista. A saída do guarda-redes Mika, que esteve em negociações com o Sunderland, não se confirmou, assim como a do médio ala/extremo direito Renato Santos, com interessados dentro e fora de portas, o que permitiu aos axadrezados assegurarem a continuidade de duas unidades nucleares.

As boas notícias prosseguiram com a surpreendente chegada de Iuri Medeiros, extremo/segundo avançado cedido pelo Sporting que, depois de empréstimos bem-sucedidos a Moreirense (2015/16) e Arouca (segunda metade da 2014/15), tem todas as condições para se tornar protagonista no Bessa, juntando-se a Fábio Espinho, o médio criativo, a Renato Santos, que domina a arte do cruzamento, e a Schembri, o maltês que sabe vestir o fato de unidade móvel de ataque. O último dia de mercado confirmou também a inscrição do médio ofensivo russo-azeri Emin Makhmudov, antigo jogador do Krylya Sovetov, que chegou em julho ao Bessa. Em relação a saídas, confirmou-se a de Reuben Gabriel, médio-defensivo nigeriano que foi perdendo espaço desde que Sánchez regressou ao Bessa. Já os seus compatriotas Uche Nwofor e Michael Uchebo não encontraram uma solução para o seu futuro, e continuarão a trabalhar à parte do plantel principal.

Vitória de Setúbal

O excelente início de temporada – com 7 pontos em 9 possíveis – teve prolongamento na abordagem serena ao mercado, reflexo de um plantel construído atempadamente. Assim, o avançado Edinho, internacional português contratado aos turcos do Sanliurfaspor, foi o último reforço dos sadinos, que conseguiram assegurar a continuidade do versátil lateral Ruca, pretendido pelos cipriotas do Apollon, do médio ofensivo Costinha, ou do extremo/avançado André Claro, protagonista de um exercício de bom nível em 2015/16, jogadores com mercado. Da lista de jogadores excedentários, o Vitória conseguiu chegar a acordo para rescindir com Forbes, avançado guineense que está livre para decidir o seu futuro.

Tondela

Afiançar o regresso do colombiano Erick Moreno, novamente na condição de emprestado pelo Sporting de Braga, foi a única operação de mercado do Tondela no dia de fecho do mercado. Uma opção para o centro do ataque, que se junta a Crislan, também ele cedido pelos bracarenses, e ao jovem Zé Turbo, contratualmente ligado ao Inter de Milão, que poderá ser opção a partir dos corredores laterais.

Desportivo de Chaves

O regresso do promissor Francisco Ramos, médio-centro internacional português em todos os escalões desde os sub-16 aos sub-21 e aos Olímpicos, ao FC Porto, onde realizará o processo de recuperação de uma lesão no pé esquerdo, que obrigará a uma paragem competitiva de dois a três meses, foi compensada com a chegada de Carlos Ponck, médio-defensivo que se encontrava no Benfica B. Será o reencontro do cabo-verdiano com o treinador Jorge Simão, que o orientou, durante a segunda metade do exercício passado, no Paços de Ferreira, onde não se conseguiu impor como titular.

Feirense

José Mota queria dotar o ataque de mais unidades capazes de promover desequilíbrios, e o vimaranense Ricardo Valente, desviado pelo Paços de Ferreira, era um alvo pretendido, mas o último dia de mercado não trouxe novidades para o Feirense. Assim, o haitiano Jean Sony, lateral-direito oriundo do Steaua Bucareste, com passagens anteriores por Leixões e Rio Ave, e o camaronês Hervé Tchami, extremo, ex-Giresunspor, com um trajeto tergiversante que já o levou a percorrer nove países, foram os últimos reforços dos Fogaceiros, satisfeitos por assegurarem a continuidade do nigeriano Etebo, destaque dos últimos Jogos Olímpicos. No lado inverso, o guardião nigeriano Dale Alampasu seguiu por empréstimo para o Cesarense, ao invés de Tiago Jogo, Vieirinha e Lane Nhaga, um trio de jogadores que o Feirense pretendia ceder.