Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Os top of the flops

Vieira falou sobre Ola John (o rapaz que está aqui em cima prostrado) e Djuricic, mas que outros futebolistas falharam nos três grandes nos últimos cinco anos?

Pedro Candeias

Comentários

Desespero de Ola John

Partilhar

De tudo o que ele já fez – golos de trivela e cruzamentos de trivela, fingir-se de morto para o futebol e depois renascido para o futebol, tatuar lágrimas na cara, despir-se para uma revista e entregar uma camisola ao Papa – ter sido finalista vencedor e vencido do Bidone D'Oro deve estar no topo da lista dos acontecimentos mais improváveis na vida de Quaresma. (Nesta lista de coisas que ninguém estava à espera que acontecessem, mas aconteceram, deixamos de fora o título Europeu, porque ainda estamos todos à espera de perceber como foi isto acontecer).

O Bidone D'Oro, que por aqui se traduz à letra por Bidão de Ouro, foi um prémio criado pelo programa Catersport da Radio 2 que, de 2003 a 2012, escolheu os flops da Serie A. Havia o menos mau, o mau e o pior de todos, distinção que Adriano levou para casa três vezes (2006, 2007 e 2010).

Quaresma ganhou em 2008, quando jogava no Inter de Milão, e no ano seguinte ficou em segundo lugar, atrás de Felipe Melo, da Fiorentina, e à frente de Tiago, que estava na Juventus. Obviamente, nenhum dos tipos aqui citados era ou é ruim de bola, mas a eleição do Bidone D'Oro era implacável e desmemoriada, porque escolhia gente como Ronaldo (Fenómeno), Diego Milito, Christian Vieri, Rivaldo ou Alessandro Del Piero. E além de desmemoriada, a eleição também era desmiolada, porque só alguém com pouco tino poria Al-Sa'adi Gaddafi, filho do ditador Gaddafi, nos finalistas. Passou-se em 2003, na primeira edição do prémio, altura em que só os internautas e os ouvintes participavam, e Gaddafi júnior ‘jogava’ no Perugia; nos anos seguintes (Udinese e Sampdoria) o nome dele nunca mais apareceu.

JAVIER SORIANO

Em Portugal, o lado B da Bola de Ouro não existe a não ser na nossa cabeça – assim de cabeça, cada um de nós conseguiria rascunhar uma série de flops – e é uma pena. É uma pena, porque podíamos ver quem tem ou tem não fair play, como Sandra Bullock ou Halle Berry nos Razzies; e porque era sempre mais um prémio para ver os presidentes dos clubes em disputa do troféu tu-és-pior-do-que-eu.

Ontem, por exemplo, ouvimos Luís Filipe Vieira na TVI a falar de dois flops do Benfica, Djuricic e Ola John, rapazes que “têm qualidade” mas que não se ambientaram a Lisboa (nem a qualquer outra cidade, diga-se), e de Taarabt, “um erro” dele e de Rui Costa. Ola John custou €9 milhões e umas contas embrulhadas com a Doyen; Djuiric, €8 milhões.

No nosso futebol, em que os grandes contratam em barda e em várias modalidades (a compra, o empréstimo e o ‘custo zero’), o flop mede-se exclusivamente pelo ratio custo-rendimento. Se o clube pagou X pelo jogador Y e este não rendeu Z, nada feito – é um fracasso.

Portanto, sem mais demoras, o Expresso recuperaa os últimos cinco anos de Benfica, Sporting e FC Porto no mercado de transferências e elegemos os falhanços (a ordem é aleatória, não queremos o Gaddafi por aqui) top of the flops acima dos dois milhões de euros.

Benfica

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Ola John custou €9 milhões em 2013 e fez 4597 minutos, o equivalente a 51 jogos completos (é esta a unidade de medida que usaremos), pelo Benfica até agora – os encarnados, só em 2013-14, disputaram 57 encontros. O holandês que parece (e é) pesado, tem ginga e pinta de futebolista, bom drible, mas é consecutivamente inconsequente.

Depois dele, Djuiricic, por quem os da Luz pagaram €8 milhões em 2013 e que tem 12,7 jogos inteiros vestido de encarnado. Rui Costa deu-lhe a camisola dez e o canhoto foi um zero à esquerda, com muitos zeros à direita no cifrão.

Agora, um rodízio de atletas: Funes Mori (€2 milhões, 4 jogos completos), Bebé (€3 milhões, seis jogos incompletos), Loris Benito (€3 milhões, 4,28 jogos), César (€3 milhões, 7 jogos), Derley (€2,5 milhões, 11 jogos completos) e Cristante (€6 milhões, 10 jogos completos).

Para o fim, o melhor, Taarabt, que chegou como jogador livre e a quem o Benfica paga 193 mil euros por mês. Tem cerca de zero minutos pela equipa A.

Sporting

Em Alvalade, também os há, e começamos por Jeffrén (€3,75 milhões, tempo de jogo equivalente a 18 encontros completos) , Bojinov (€3,50 milhões, 7 jogos completos) e Valentin Viola (€4 milhões, 10,7 jogos).

E, como o Benfica, o Sporting também tem o seu número com charme magrebino: Labyad, que custou €900 mil e tinha um contrato armadilhado, com consecutivos aumentos (em 2015-16, de €2,1 milhões brutos). Labyad chegou em 2012, jogou o equivalente a 14,5 encontros pelos leões. Ambas as partes rescindiram contrato e ele é, agora, um futebolista livre.

FC Porto

O FC Porto arrancou bem este quinquénio – uma palavra cara para negócios caros – com Danilo, Alex Sandro ou Jackson, mas, às tantas, espalhou-se ao comprido. Ghilas (€3, 80 milhões, tempo de jogo equivalente a 12 encontros completos), Quintero (€10 milhões, 26 jogos), Reyes (€7 milhões, 19 jogos), Adrián (€11 milhões, quase 10 jogos), Indi (€7,7 milhões, 66 jogos, sim, mas com trapalhadas pelo meio) ou Marega (€3,8 milhões, cinco jogos e metade de outro.)

Entre os três, são 86,5 milhões.