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Quem precisa de avançados?

O Benfica venceu em Arouca por 2-1, na 4ª jornada da Liga portuguesa, mesmo sem Jonas, Mitroglou e Jiménez. Foram dois defesas a fazer de avançados: Semedo e Lisandro marcaram

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No meio da trapalhada da defesa do Arouca, a bola ainda foi bater em Semedo para o primeiro golo do Benfica no jogo

Octávio Passos/Lusa

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2 de maio de 2009. Cheio para mais um clássico do futebol espanhol, o Santiago Bernabéu ia então testemunhar história. Entre Christoph Metzelder e Fabio Cannavaro, que ficaram abananados - “não sabíamos se devíamos segui-lo até ao meio-campo ou se devíamos ficar quietos na linha da defesa", explicou mais tarde Metzelder - nascia um conceito que iria ganhar raízes no futebol moderno.

Apesar de não ser inédito, nunca tinha sido tão bem interpretado como então, por um jogador que tinha ouvido as explicações do treinador na noite anterior, depois de um acesso de génio. O treinador era o obsessivo Pep Guardiola, que magicava no escritório a melhor forma para vencer o Real Madrid, e o jogador era Lionel Messi, que personificou na perfeição o conceito de “falso 9” na frente de ataque do Barcelona, sendo uma espécie de médio onde costumava estar um ponta de lança.

Se não há goleadores, caça-se com criativos e, com as devidas (bom, enormes) diferenças, como é evidente, foi isso mesmo que Rui Vitória foi obrigado a fazer, esta noite, em Arouca. É que Jonas, Mitroglou e Jiménez estavam lesionados (assim como Danilo e Jovic) e a frente de ataque do Benfica passou a ser composta por uma dupla inédita: Guedes e Rafa.

O que podia ser um handicap, já que na época passada aquele trio de goleadores marcou 57 dos 88 golos do Benfica na Liga portuguesa (32 de Jonas, 20 de Mitroglou e 5 de Jiménez), acabou por não ser um facto particularmente relevante para os benfiquistas.

Porque mesmo com Guedes bem lá na frente, numa nova posição - na época passada era extremo, esta época já tinha sido testado a segundo avançado -, e Rafa por trás do colega, a estrear-se pela nova equipa, o Benfica entrou a dominar o jogo em Arouca, não permitindo à equipa de Lito Vidigal grande réplica.

Num dos muitos ataques do Benfica, Salvio tentou desmarcar Nélson Semedo - sempre muito ativo no ataque - à entrada da área, mas foi a confusão entre Nuno Coelho e Hugo Basto, com o primeiro a bater no segundo, que levou a bola a embater em Semedo e a entrar na baliza do Arouca, entretanto deixada vazia por uma saída pouco feliz de Bracali.

O Benfica marcava o primeiro golo aos 16 minutos e podia ter chegado ao segundo várias vezes durante a primeira parte, especialmente por intermédio de Rafa, que teve duas ocasiões de golo nos pés - numa delas, tentou um chapéu mas Bracali estava atento.

Octávio Passos/Lusa

O Arouca só acordou nos últimos dez minutos do primeiro tempo, mas nem assim conseguiu assustar Júlio César: em 45 minutos não fez um único remate. Lito Vidigal aproveitou o intervalo para tirar Crivellaro e pôr em campo Gegé, mas nem assim a defesa melhorou particularmente, já que, num canto no início da 2ª parte, Lisandro saltou sozinho e fez de cabeça o 2-0 para os visitantes.

Só após a desvantagem de dois golos é que o Arouca partiu de forma mais acutilante para o ataque e foi um verdadeiro ponta de lança, Walter, acabado de entrar, a reduzir para 1-2, com um grande cabeceamento nas costas de um surpreendido Nélson Semedo - ao lado de Lisandro e Jardel, já que Lindelöf nem sequer esteve no banco.

Aqui e ali, o Arouca ainda tentou procurar chegar mais perto da baliza do Benfica, mas Rui Vitória solidificou o meio-campo com a entrada de Samaris, para ao lado de Fejsa, e aguentou as investidas sem problema.

De tal forma que o treinador do Benfica ainda conseguiu dar alguns minutos - os descontos - ao único avançado que tinha na ficha de jogo: José Gomes, campeão europeu sub-17 que se estreou na equipa sénior do Benfica com 17 anos. E ia marcando, depois de uma grande jogada de André Horta, que acabou num remate de Carrillo - Gomes falhou a bola - para Bracali defender.