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Há borregos para matar e uma vingança à espera de acontecer

As emoções da Europa já lá vão e o campeonato nacional tem um Benfica-Sp. Braga para animar o nosso fim de semana (bem, a nossa segunda-feira, haja precisão). Há contas para ajustar e história para tentar

Lídia Paralta Gomes

SUPERIOR. Benfica arrancou época oficial com uma vitória por 3-0 frente ao Braga

PEDRO TRINDADE/LUSA

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Depois de uma jornada europeia que se traduziu em três empates chatos e uma derrota/vitória moral em Madrid para as equipas portuguesas, o campeonato nacional está de volta numa 5.ª jornada que terá como prato forte um Benfica-Sp. Braga onde os minhotos esperam matar um borrego que dura desde o início dos tempos. True story. No papel, FC Porto e Sporting têm deslocações mais acessíveis, mas Tondela e Rio Ave já provaram que podem passar a perna aos grandes.

Tondela-FC Porto, domingo, às 18 horas

DÚVIDA. Herrera desiludiu no jogo da Champions frente ao Copenhaga e deixou adeptos portistas com a cabeça em água

DÚVIDA. Herrera desiludiu no jogo da Champions frente ao Copenhaga e deixou adeptos portistas com a cabeça em água

JOSÉ COELHO/LUSA

Não vai famoso o pecúlio do Tondela nesta Liga. Um pontinho apenas em quatro jogos e o estado de graça de Petit a desvanecer, depois da heróica permanência na temporada passada. Foi exatamente no arranque daquela caminhada incrível no final, em que o Tondela se vestiu de grande e desatou a ganhar a toda a gente, que os beirões foram ao Porto vencer por 1-0 e escandalizaram o Estádio do Dragão – na verdade, o Dragão já estava um pouco fora de si quando viu José Peseiro apostar em Suk e Marega para tentar dar a volta ao texto.

O Tondela, que era último (a dez pontos da linha de água) e vinha de uma série de uma vitória em 12 jogos, escolheu o melhor cenário para se galvanizar.

Só que desta vez, apesar da aflição beirã, é improvável que o cenário se repita. Primeiro, porque Suk e Marega já não vestem de azul e branco, para felicidade da nação portista; e, depois, porque o FC Porto vai fresquinho a Tondela, já que só apareceu em campo durante 15 minutos frente ao Copenhaga.

A verdade é que Nuno Espírito Santo terá de decidir se quer um FC Porto à semelhança do que se viu em alguns momentos do último jogo do campeonato, frente ao V. Guimarães, ou um dragão mais preso ao 4x3x3 de quarta-feira. Ou como quem diz: André André não rende mais nesta altura do que Herrera? Rúben Neves não merece uma oportunidade? André Silva não jogará melhor com companhia? Oliver não deverá atuar mais próximo do ataque?

Para lá da vingança, o encontro frente ao Tondela poderá ser simpático para responder a algumas destas questões. A não ser que algum dos beirões seja expulso, o que no caso do FC Porto parece muitas vezes atrapalhar, nomeadamente em jogos que não se realizam em Roma.

Rio Ave-Sporting: domingo, às 20h15

EM GRANDE. Gelson Martins é o jogador de quem se fala em Portugal (e em Madrid também)

EM GRANDE. Gelson Martins é o jogador de quem se fala em Portugal (e em Madrid também)

MÁRIO CRUZ/EPA

O leão chega desgostoso de Madrid, mas o Rio Ave não é o melhor adversário para passar fatura. O Sporting até nem tem sido infeliz no Estádio dos Arcos: nas últimas cinco visitas para o campeonato, venceu quatro, mas sempre com resultados apertados. Domingo não deverá ser diferente: o Rio Ave de Capucho está a crescer, depois do arranque de época marcado pela eliminação na Liga Europa. O último mês serviu para se perceber que é uma das boas equipas desta Liga: segue em 6.º e os pontos perdidos foram para Sp. Braga (empate) e FC Porto (derrota na 1ª jornada).

Para o Sporting, o objetivo é manter a liderança invicta, nem que seja com um resultado curtinho e um golo aos “oitchenta e otcho minutos”, como se diz do outro lado da fronteira.
Jesus, na sua nova condição de hispanofalante, deverá fazer voltar o 4x4x2 mais típico, depois de ter reforçado a linha média no Santiago Bernabéu e de Bruno César ter jogado na quarta posição da época. Rui Patrício que se cuide. A tática pode também evoluir para um moderno “Gelson Martins mais 10”.

Benfica-Sp. Braga: segunda-feira, às 20h

TROCADOS. Este rapaz de barba que se chama Rafa agora veste à Benfica e não à Braga. E está lesionado

TROCADOS. Este rapaz de barba que se chama Rafa agora veste à Benfica e não à Braga. E está lesionado

PEDRO TRINDADE/LUSA

Empatados com 10 pontos e apenas atrás do Sporting, Sp. Braga e Benfica protagonizam o chamado ‘jogo grande’ desta 5ª jornada, ainda que ‘jogo grande’ e ‘segunda-feira’ sejam conceitos meio contraditórios, como aqueles feriados que calham ao fim de semana. Enfim, Europa oblige.

Olhando para o 3-0 da Supertaça, podemos dizer que o Benfica é favorito, mas não nos esqueçamos que esse jogo foi há nove lesões atrás. E perante uns encarnados com quase tantos pontos na enfermaria como na tabela e praticamente sem avançados (Mitroglou vai regressar, mas Jonas e Jiménez ainda estão de molho), as forças parecem equivaler-se. Segunda-feira não será assim tão descabido ver os minhotos a jogar de igual para igual, ainda que o encontro com o Gent para a Liga Europa tenha mostrado fragilidades pouco condizentes com o estatuto de vice-líder da Liga, mesmo que seja a Liga portuguesa. Mais: os números aconselham-nos a pensar o contrário.

A verdade é que as estatísticas são pouco simpáticas para os bracarenses. “Pouco” é claramente eufemismo. É que os arsenalistas nunca ganharam no Estádio da Luz. Nem sequer na versão 1.0 da Catedral. Para vermos um triunfo dos minhotos em casa do Benfica é preciso recuar até à vetusta época 1954/55, quando o nosso campeonato estava longe de apresentar nomes de grandes corporações e respondia apenas pela graça de ‘I Divisão’. Nesse respeitável ano de 1954, o Estádio da Luz (o velhinho) estava ainda em construção e o encontro disputou-se no Jamor. O único golo foi marcado pelo treinador-jogador argentino Mário Imbelloni, hoje rapaz para os seus 92 anos. José Peseiro tem assim um desafio em mãos. E daí talvez não. No último ano foi à Luz vencer com uma equipa que estava mais frágil que este Braga: o FC Porto.

Com uma estreia na Champions que não deixou nenhum adepto benfiquista propriamente descansado e o Sporting ainda invicto no topo da tabela, perder pontos fará soar os alarmes na Luz. Mas vá, pelo menos no domingo o Talisca não joga.