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Uma santa sexta-feira de futebol para todos vós

O Expresso lança aqui a 6.ª jornada: as diretrizes europeias obrigam FC Porto e Sporting a entrar em campo esta sexta-feira, numa ronda em que o Benfica enfrenta um Chaves que ainda não perdeu. Isto promete.

Lídia Paralta Gomes

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A jornada é boa e o sportinguista Joel Campbell parece entusiasmado. Como não estar?

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Bem-vindo à renovada liga portuguesa, onde de repente todas as equipas parecem querer ganhar. FC Porto e Sporting perderam pontos na última jornada e esta sexta-feira (a culpa é da Europa, como sempre) vão tentar remendar o estrago. Os dragões têm dérbi da Invicta, frente ao Boavista, e o Sporting recebe o Estoril, jogo que não é dérbi por escassos 25 quilómetros. O Benfica, que ainda não perdeu, joga no sábado com o Chaves, que também ainda não teve esse amargo de boca.

Que tática irá utilizar Nuno Espírito Santo desta vez? Conseguirá Jesus roubar o protagonismo a João Capela? E o Benfica enganará o Barcelona de Trás-os-Montes? Sábado à noite já todas estas questões terão sido respondidas. No domingo não há bola, podem aproveitar para ir ao shopping.

FC Porto-Boavista, sexta-feira às 19h

Na antevisão ao encontro com o Boavista, Nuno Espírito Santo que, sim, ainda é treinador do FC Porto, deixou de lado questões de pouca monta como a falta de fio de jogo dos dragões, Óliver a jogar onde calha menos a 10 ou as pesadas caminhadas que latagões belgas dão nas áreas adversárias para voltar a reclamar que a sua equipa fez o suficiente para vencer em Tondela e que, pasmem-se, o árbitro esteve mal.

Ok, é verdade que as pernas de Otávio ainda hoje se queixam de duas ou três entradas menos amistosas, mas falar de árbitros é estratégia mais antiga que o próprio futebol. Quando as coisas não correm bem dentro de campo, faz-se a guerra fora dele. Nada disto é particularmente original: o Benfica passou boa parte do final dos anos 90 a fazê-lo e o Sporting faz desde sempre. As coisas só acalmam quando Bruno de Carvalho se esquece da password do Facebook.

FRANCISCO LEONG/Getty

Talvez Nuno tenha razão, quem sabe. Mas a verdade é que fomos confirmar o nome do árbitro do Tondela-FC Porto e não é “Depoitre”. E contra o Copenhaga não consta que o juiz fosse o espanhol “Casillas”.

De resto, Nuno ainda é rapaz para se lembrar dos tempos em que um FC Porto-Boavista parava as frias noites da cidade e podia até ser importante para decidir campeonatos. Havia luta, lama, mais chuteiras a bater em caneleiras do que na bola.

Hoje tudo é diferente: desde que o Boavista voltou à 1.ª divisão, há duas épocas, marcou qualquer coisa como zero golos ao seu rival em cinco jogos. Bons números para Nuno se agarrar, ele que a esta hora deve estar a magicar que tática vai desta vez experimentar. Depois do 4x3x3, do 4x2x3x1 e até do clássico 4x4x2, talvez tenha chegado a hora de ir mais longe e tentar qualquer coisa desde que a soma dê 10. Um 3x5x2, um 4x1x5 ou até mesmo um 2x4x4. Muita gente lá à frente e bolas bombeadas para a área. Onde é que já vimos isto? Em Tondela, onde o FC Porto foi impedido de vencer por um árbitro chamado André Silva.

Sporting-Estoril, sexta-feira às 21h

É inacreditável, nós sabemos. Mas por uma vez o protagonista de um jogo do Sporting não será o senhor grisalho que diz palavrões fora do campo. Será outro, ainda que não muito diferente da maior parte dos jogos da liga portuguesa: o árbitro João Capela, que volta a apitar um encontro do Sporting, algo que não acontecia desde 21 de abril de 2013.

E o que aconteceu nesse dia? Nada verdadeiramente esotérico, na verdade. O Benfica venceu o Sporting por 2-0 e Bruno de Carvalho queixou-se da arbitragem. Muito. Do outro lado, alguém que treinava o Benfica disse que o triunfo encarnado tinha sido “limpinho, limpinho”. Não sei quem foi, apenas que começa por “J” e o segundo nome é “Jesus”.

Talvez o Sporting tivesse razões de queixa, mas não nos vamos afastar do essencial. E o essencial é que no onze dos leões estavam craques como Joãozinho ou Fito Rinaudo e que na 2.ª parte Jesualdo Ferreira tentou dar a volta ao texto e quando olhou para o banco estavam lá sentados Valentin Viola e Zakaria Labyad.

Voltando ao futebol, depois da hecatombe de Vila do Conde, o Sporting continua à procura de espantar os espíritos de Madrid e Jorge Jesus precisa que seja o Estoril a pagar “la cuenta”, “lo recibio”, “la faturia”. Whatever.

JOSE COELHO/LUSA

O Sporting terá pela frente uma equipa que esta época esteve perto de roubar dois pontos ao FC Porto no Dragão, ainda que nos dias de hoje isso pareça uma normal noite de sábado.

Diz a tradição que o Estoril também dá muito trabalho ao Sporting, que nos últimos oito duelos com a equipa da Linha só ganhou quatro. Talvez Jesus possa pedir uns conselhos a Bruno César, que na época passada jogou na Amoreira e conhece bem Fabiano Soares. Bem melhor que aquele corredor esquerdo onde jogou no Estádio dos Arcos e que aproveitamos aqui para rebatizar de “auto-estrada”.

Chaves-Benfica, sábado às 18h15

O Benfica regressa ao Estádio Engenheiro Manuel Branco Teixeira 18 anos depois e é nesse relvado onde um dia Jorge Coroado teve uma indisposição que vão jogar as duas únicas equipas que ainda não perderam neste campeonato - queremos acreditar que o facto do Chaves equipar à Barcelona não é coincidência.

Talvez por isso este seja um jogo apenas para privilegiados e parabéns se faz parte do 1% da população que poderá ver ao vivo o encontro. Com bilhetes a 80 euros, o estádio dos flavienses poderia muito bem ser palco de uma concentração de afetados pelo Imposto Mariana Mortágua.

MIGUEL A. LOPES/ Lusa

Para os pobretanas que terão de ver o jogo pela televisão e assim perder a oportunidade de conviver com a mais famosa adepta do Chaves, a cantora Ágata, desejamos mais sorte do que há 18 anos.

Na última deslocação do Benfica a Trás-os-Montes, em 1998/99, coisas sobrenaturais aconteceram. A saber: o Benfica ganhou 4-0 tendo Graham Souness como treinador e Tahar, Calado e Michael Thomas no onze. Martin Pringle também entrou.

Mais: Nuno Gomes marcou um hat-trick, o jogo foi interrompido devido ao nevoeiro, continuou no dia seguinte e Nuno Gomes marcou nos dois dias.

(Entretanto, desde que começámos a escrever este texto, o valor de mercado de Grimaldo subiu três vezes)

Já para vermos a última vitória do Chaves frente ao Benfica é preciso recuar até 1996/97. Um 3-1 que se explica pela presença no plantel dos encarnados de “jogadores de futebol” como Jorge Soares, Donizete, Marinho, El Hadrioui ou Akwá. Resultado normal.