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Futebol nacional

Leões na casa-fantasma, FC Porto entre o nevoeiro e la fattura do Benfica

Expresso lança aqui a 7.ª jornada do campeonato nacional: depois de saírem da ronda europeia com diferentes semblantes, Sporting e FC Porto jogam este sábado frente a V. Guimarães (complicado) e Nacional (também, principalmente se estiver mau tempo). O Benfica entra em campo no dia seguinte com a certeza que terá um guarda-redes na baliza. Resta saber qual

Lídia Paralta Gomes

AGORA SIM. Frente ao Legia, Bryan Ruiz provou que, sim, consegue marcar golos na pequena área

RAFAEL MARCHANTE / REUTERs

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Assim não é justo: Sporting, FC Porto e Benfica chegam à 7.ª jornada após esforços europeus distintos a meio da semana. Os leões trocaram umas bolas com o Legia Varsóvia em Alvalade, enquanto azuis-e-brancos e encarnados foram de viagem e voltaram com uma mala que pagou excesso de bagagem em desilusão.

Como o universo gosta de balanço, calha ao Sporting, em teoria, o jogo mais complicado da jornada, uma deslocação ao D. Afonso Henriques onde a equipa de Jorge Jesus tem deixado muitos pontos nos últimos anos.

Já o FC Porto dá graças aos deuses da meteorologia que o encontro com o Nacional não tenha calhado no inverno e o Benfica tem no Feirense um adversário passível de vingar a derrota napolitana na Champions.

V. Guimarães-Sporting, sábado às 18h15

Como é bom o descanso. O Sporting chega animado a esta jornada depois daquele treininho mais puxado a meio da semana contra o Legia Varsóvia, que teve a gentileza de aparecer para ajudar a equipa de Alvalade a preparar aquela que é, por tradição, uma das deslocações mais complicadas do campeonato: a ida ao estádio do V. Guimarães, onde os leões não ganham desde novembro de 2013.

O D. Afonso Henriques é uma espécie de casa-fantasma para a equipa de Jorge Jesus, que na última temporada não conseguiu sair de Guimarães com mais do que um nulo, prelúdio para a desgraça da semana seguinte. De uma assentada, o Sporting perdeu com o Benfica, entregou o campeonato ao rival da Luz e o minuto 72 foi rebatizado em Alvalade como o “momento Bryan Ruiz”.

A boa nova é que Ruiz já marca na pequena área, como se viu contra o Legia (mais uma vez, obrigada Legia). Jorge Jesus pensa mesmo em tudo, caramba.

A volta na casa-fantasma pode ser considerada ainda mais assustadora se pensarmos que nas últimas dez visitas ao berço do nosso Portugal, o Sporting só venceu quatro. Pelo meio há quatro empates e dois triunfos para o Vitória, o último dos quais na era Marco Silva (possivelmente sem fato do clube). Um 3-0 que mereceu reação de Bruno de Carvalho no órgão de comunicação oficial do Sporting: o Facebook.

Não esquecer mais um dado que mete algum medo. No V. Guimarães mora o melhor marcador do campeonato, Moussa Marega. Voltamos a repetir: Marega, melhor marcador do campeonato. Ou como uma volta na casa-fantasma de repente se tornou numa sitcom.
O V. Guimarães, de resto, é 5.º, com 10 pontos e está a fazer um campeonato regular, dentro das expectativas. Bem, tirando aquela derrota por 3-0 frente ao FC Porto. Enfim, às vezes as surpresas acontecem.

Para Jorge Jesus, um pormenor de fauna e flora que poderá ser interessante e relevante depois das acusações desta manhã a Jorge Batista: não há registo de aparecimento de hienas em Guimarães nas últimas décadas. Hakuna Matata.

Nacional-FC Porto, sábado às 20h30

Será desta? Depois de mais uma desilusão europeia, os adeptos do FC Porto esperam que este sábado o melhor futebol dos dragões surja entre o nevoeiro da Choupana, como um D. Sebastião esférico. Bom, talvez este não seja o melhor exemplo.

Depois do que se viu em Lésster (ou Laixester), bom exemplo seria talvez colocar Diogo Jota e Corona no onze, os únicos portistas que já perceberam que no futebol a ideia é rematar. E Óliver? Pô-lo a 10?

Mas isto parece não importar. O que importa mesmo é a “dinâmica”, termo que Nuno Espírito Santo repetiu pelo menos cinco vezes em conferência de imprensa. Por outro lado voltou a não tocar em temas sem importância como a fragilidades da sua equipa, da falta de intensidade, dos jogadores que não rendem ou do facto de Adrián López usar os jogos do FC Porto para brincar ao esconde-esconde. Preferiu descansar os sócios e simpatizantes garantindo que o processo de construção da equipa “não é algo acabado”. Tudo certo, Nuno. Em compensação o processo de desagregação vai bem adiantado.

AO MURRO. Marcano, aqui a tentar defender Jamie Vardy, pede “um murro na mesa” para o FC Porto reagir

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reuters

Marcano garante que a derrota em Leicester (ou Lésster) não deixou sequelas nem danos no ânimo dos jogadores e com toda a calma exigiu um murro na mesa para o jogo contra o Nacional. Nada estranho se nos recordarmos das duas grandes penalidades que o espanhol cometeu na última época em casa do Nacional e que Jorge Sousa não viu (estava de nevoeiro).

O FC Porto venceu esse jogo por 2-1, mas foi o único encontro que ganhou em casa do Nacional nas últimas três temporadas. Perdeu mesmo em 2013/14, num jogo em que João Capela teve de sair do relvado escoltado pela polícia (não foi por causa do nevoeiro).

De resto, também há boas notícias. Felipe, por exemplo, parte para a Madeira bem tranquilo - até porque já o avisaram que Slimani não joga no sábado.

Benfica-Feirense, domingo às 16h

Após aqueles traumáticos oito minutos do Benfica em Nápoles, já se sabe que o Feirense vai ter de pagar a fatura (la fattura, em italiano). Resta saber qual é a taxa do IVA. Os adeptos encarnados querem os 23% correspondentes a uma exibição de luxo, mas se aqueles 8 minutos se estenderem demasiado, talvez não passe dos 6% dos bens de primeira necessidade.

A história de confrontos entre Benfica e Feirense é curtinha, até porque a equipa de Santa Maria da Feira (#notViladaFeira) não dançou muito tempo entre os grandes. Em nove encontros, o máximo que o Feirense conseguiu foi um empate (1-1), com o golo do Benfica ser marcado pelo sueco Mats Magnusson, há 30 quilos atrás.

BANCO? Depois do descalabro de Nápoles, Júlio César pode deixar o onze de Rui Vitória

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getty

Ainda assim, o Benfica tem não uma mas duas dívidas de gratidão para com o Feirense: foi o clube onde Rafa apareceu, antes de ser contratado pelo Sp. Braga, e foi ao emblema do distrito de Aveiro que os encarnados foram buscar Paulo Lopes, o cicerone das festas das águias sempre que há títulos, our very own Pepe Reina.

E por falar em baliza, essa será uma das questões da semana: quem joga, Ederson ou Júlio César? Depois da debacle napolitana, Ederson deverá voltar à titularidade e todos sabemos que é por causa “da rotatividade”. E Rui Vitória leva a questão “rotatividade” tão a peito que o Benfica tem sofrido golos de todas as maneiras e feitios, de futebol corrido, cantos, livres diretos, livres indiretos, grandes penalidades, enfim, é só escolher neste carrossel de desacerto.

Uma coisa é certa. Se o Benfica perder, Rui Vitória já tem uma explicação, a mesma que dá sempre: “São coisas que acontecem”.