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Em Porto que ganha não se mexe (muito)

O FC Porto venceu tranquilamente o Gafanha da Nazaré, na 3ª eliminatória da Taça de Portugal (3-0)

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PAULO NOVAIS/Lusa

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Ricardo Sousa sabe o que é ganhar uma Taça pelo FC Porto (e pelo Beira-Mar) e foi por isso que, antes do Gafanha-FC Porto, fomos ouvir a opinião de um ex-jogador que agora é treinador (AQUI).

E Ricardo Sousa dizia assim: “O Porto esta época não pode facilitar em nenhuma competição. Está faminto de vitórias, de títulos. Penso que o Nuno à partida não irá fazer o que já foi feito no passado, que é meter muitos jogadores que não andavam a ser utilizados. Não deve fugir muito do onze base até porque o Gafanha tem feito um Campeonato de Portugal muito bom e certamente vai tentar morder os calcanhares do Porto.”

Dito e feito. Sim, Nuno Espírito Santo mexeu na baliza, permitindo a estreia oficial de José Sá pelo FC Porto, e trocou Layún e Felipe por Maxi (regressou dois meses depois da lesão em Roma) e Boly, respetivamente, mas manteve o sistema e os (restantes) titulares que tinham vencido o Nacional na última jornada da Liga portuguesa por 4-0.

É que se o 4-4-2 com André Silva e Diogo Jota na frente funcionou na perfeição na Madeira, também tinha tudo para funcionar em Aveiro, casa emprestada do Gafanha da Nazaré, onde o FC Porto não queria que houvesse Taça.

A postura cautelosa de Nuno tinha razão de ser: quem esperava facilidades do líder da série D do Campeonato de Portugal (3ª divisão) enganou-se. O Gafanha fechou sempre de forma eficiente os caminhos para a sua baliza, apesar de ter, como era expectável, bem menos posse de bola do que o FC Porto.

Só que a posse portista raramente serviu para criar oportunidades de golo dignas desse nome, com exceção de um remate torto de André Silva num canto. A diferença é que quem joga na Liga principal tem jogadores que podem decidir tudo num lance - como fez Otávio, aos 32'. Depois de um contra ataque portista, recebeu a bola na área, acelerou, ultrapassou Pedro Santos - que não tinha cobertura de nenhum colega - e fez o 1-0.

PAULO NOVAIS/Lusa

Apesar de esperado, o golo teve o condão de animar não o FC Porto mas o Gafanha, que assustou José Sá sempre através do mesmo homem: Renan, primeiro num livre direto que passou a rasar a trave e, depois, num lance individual em que ofereceu o golo a Mino já em cima da baliza, mas o avançado desviou para fora.

O intervalo sossegou o FC Porto, que voltou a controlar as operações sem dificuldades de maior na 2ª parte, especialmente devido às ações de André Silva e Diogo Jota.

Foi quase sempre a dupla atacante do FC Porto a criar as oportunidades de golo da equipa, através da sua mobilidade constante entre sectores adversários, e os golos de Jota - sempre servido por André - só não surgiram porque Diogo Almeida defendeu praticamente tudo o que havia para defender.

Só não podia fazer mais no canto em que Corona, praticamente em cima da linha de golo (não estava em fora de jogo porque Gonçalo Bem-Haja demorou muito a sair do poste), desviou para o 2-0, aos 70 minutos.

O extremo mexicano tinha entrado alguns minutos antes, juntamente com Brahimi e Depoitre, quando Nuno decidiu colocar a equipa a jogar em 4-3-3, retirando então André Silva, Jota e Otávio.

Já sem qualquer réplica por parte do Gafanha, o FC Porto continuou a procurar o golo com tranquilidade e foi Depoitre a fazer o 3-0, após cruzamento de Corona.

Ao contrário de Sporting e Benfica, o FC Porto mostrou um bom nível de jogo e segue em frente na Taça sem problemas. E soma a segunda vitória consecutiva no decurso da época, feito que ainda só tinha conseguido em agosto, quando derrotou o Estoril na Liga e, depois, a Roma na Liga dos Campeões. Não vale a pena mexer (muito) mais.