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Com o mal alheio pode o FC Porto bem

O FC Porto venceu o Arouca - que já nem parece a equipa que na época passada ganhou no Dragão - e aproveitou o deslize do Sporting para ultrapassar a equipa de Jorge Jesus na classificação

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ESTELA SILVA/LUSA

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Os alemães chamam-lhe schadenfreude e esta palavra, em português, traduz basicamente o seguinte sentimento: “é bem feita”. É que este é o sentimento de ficar alegre com a desgraça alheia e, esta noite, foi precisamente isso que o FC Porto fez perante dois adversários.

Primeiro, perante o Sporting, que empatou ao final da tarde com o Tondela (AQUI) e deu aos portistas a possibilidade de ultrapassarem os sportinguistas no 2º lugar, ficando com 19 pontos, mais dois do que os leões.

Depois, perante o Arouca, que na época passada foi ao Dragão ganhar 2-1 - no princípio do fim de Maicon e José Peseiro - e, esta noite, apesar de manter o mesmo treinador, Lito Vidigal, foi apenas uma sombra daquela equipa que ficou em 5º lugar da Liga 2015/16.

O Arouca já tinha começado a semana mal, ao ser eliminado pelo Real Massamá (Campeonato de Portugal, equivalente à 3ª divisão nacional) na Taça de Portugal, e acabou-a da mesma forma, com uma exibição cinzenta na 8ª jornada da Liga, que começou no antepenúltimo lugar.

É que este FC Porto de Nuno Espírito Santo, como o próprio diz, “está num processo contínuo de crescimento” e demonstrou isso mesmo no Dragão. Mesmo sem o (muitíssimo) influente Otávio, que tinha sido titular nos 13 jogos do FC Porto esta época, em todas as competições, antes de se lesionar, os portistas entraram em jogo com uma mobilidade assinalável no ataque.

ESTELA SILVA/LUSA

A criatividade de Jota, André Silva, Corona e Óliver esteve sempre em ação, tanto de forma coletiva como de forma individual - bastou ver as fintas e fintinhas de Corona aos 4' que deram num remate ao poste para perceber que o FC Porto estava com tudo.

Depois de Corona, foi Óliver a ameaçar o golo - grande defesa de Bracali - e, minutos depois, Jota - Jubal salvou o remate já em cima da linha de golo.

O FC Porto massacrava o Arouca, que mal saía do meio-campo (da área?), e o golo portista, aos 43', não surpreendeu ninguém: após um cruzamento aparentemente inofensivo, Gegé alivia a bola para os pés de Jota e o miúdo ofereceu o golo ao parceiro do ataque, André Silva, bem no centro da área.

Na 2ª parte, a pressão portista aliviou, mas os golos também apareceram, até porque o Arouca pouco fez para ser feliz - apesar de Lito ter trocado Zequinha e Artur por Marlon e André Santos.

Sem grandes problemas na defesa, o FC Porto voltou a brilhar no ataque: Brahimi (entrou para o lugar de Corona) começou a jogada, Jota continuou-a e André Silva finalizou-a. 2-0.

Já no final - e já depois de ter ouvido os assobios do costume por não querer partilhar a bola com ninguém... -, Brahimi fintou, fintou e fintou Jubal... e fez o 3-0, festejando com um gesto sugestivo dirigido aos adeptos, quase que a pedir assobios das bancadas.

Foi a 4ª vitória consecutiva do FC Porto - o melhor registo da época. A equipa de Nuno Espírito Santo está agora com 19 pontos, os mesmos dos líder Benfica, que defronta no domingo o Belenenses, no Restelo (20h15, Sport TV1).