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Taça CTT, a prova onde ninguém fica a perder (nos cofres)

Vitoriosas e derrotadas em campo, eliminadas precocemente ou não, as 37 equipas participantes da renovada Taça da Liga vão receber de forma igualitária os dividendos da prova, cuja receita maior são os €800 mil de direitos televisivos anuais. Distribuição gizada em prol da sustentabilidade da II Liga e da solidariedade, diz ao Expresso o presidente da Liga

Isabel Paulo

Pedro Proença é presidente da Liga

Rui Duarte Silva

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A 2ª fase da renovada Taça da Liga tem, esta tarde, o seu dia forte, com a disputa de sete partidas, entre as quais o dérbi madeirense Marítimo-União. Depois de terça-feira o Paços de Ferreira ter goleado por 4-0, em casa, o Nacional, e dos primodivisionários Boavista e Tondela já terem ficado pelo caminho, a segunda ronda da denominada Taça CTT chega ao final, quinta-feira, com o encontro entre o Rio Ave e o retornado Desportivo Chaves.

Às equipas sobreviventes das duas rondas a eliminar, juntam-se, na fase de grupos, a disputar já em novembro, os cabeças de série Benfica, Sporting, FC Porto e Sporting de Braga, que entram diretamente na competição na condição de quatro melhores classificados da Liga NOS da época 2015/16.

A Taça da Liga, denominada Taça CTT, foi criada para distribuir receitas, “fundamentais em especial para os clubes da Liga Ledman Pro”, prova que segundo Pedro Proença é deficitária, mas sustentada solidariamente pela Liga NOS por promover o jogador português e alimentar a competição principal.

Sem patrocinador durante dois anos, o líder da Liga referiu ao Expresso que a Taça da Liga chegou a ser colocada em causa “por falta de interesse televisivo”, uma fase de impasse que o presidente da Liga diz ter sido ultrapassada, após a prova ter ganho “espaço de intervenção com uma regeneração competitiva de fundo”.

Final Four, o boxing day nacional

Dividida em quatro fases - uma só com equipas da Liga Ledman Pro, outra com a inclusão de 14 equipas da Liga NOS, e a penúltima, a próxima, a disputar em três jogos por quatro grupos de quatro equipas -, a grande novidade é a Final Four, marcada para 25 e 26 de janeiro, dias das meias-finais, jogando-se a final a 29, em Faro-Loulé.

O Benfica conquistou a Taça da Liga em 2015/16, ao vencer o Marítimo na final por 6-2

O Benfica conquistou a Taça da Liga em 2015/16, ao vencer o Marítimo na final por 6-2

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“Vai ser uma semana inédita no futebol português, com várias atividades paralelas aos jogos da prova, uma espécie de Boxing Day nacional promovido pela autarquia que acolhe a competição, clubes, Liga, o patrocinador oficial e o operador televisivo”, refere ao Expresso o ex-árbitro internacional. A Final Four terá todos os anos um palco rotativo, concentrada num município mediante e contrapartidas financeiras para a Liga e clubes, dada a visibilidade turística da competição para as autarquias.

A competição adquirida pela RTP por €1,6 milhões por duas épocas terá oito jogos com transmissão em direto, cinco da 3ª fase e três da Final Four, emitidos pela RTP África e RTP Internacional. As receitas globais da prova reverterão em mais de 90% para os clubes, garantindo Pedro Proença que o novo figurino da competição “teve o alinhamento total dos três grandes”.

A par dos jogos, haverá ainda uma prova de atletismo, denominada corrida do adepto, e uma funzone, e outras atividades com cobertura televisiva. Já na 10ª edição, o troféu acabou sete vezes na Luz, tendo por intrusos o Vitória de Setúbal, vencedor da estreia da prova, e o Sporting de Braga, que ergueu a Taça em 2013.

Liga Portugal na vanguarda tecnológica

Tal como já sucedeu na final de 2015/16, todos os jogos da 10ª edicão da Taça CTT incluirão o sistema experimental de Goal-Line Tecnology, referindo Pedro Proença que a Liga Portugal é uma das cinco ligas “na vanguarda das novas tecnologias”, ao integrar o projeto experimental de vídeo-árbitro do Internacional Board (IFAB), como país convidado. Alemanha, Brasil, Holanda e Austrália são os outos participantes deste projeto-piloto, que terá uma duração de dois anos.

“Obviamente o meu passado de árbitro internacional pesou no convite, o que muito nos honra”, afirma ao Expresso o presidente da Liga, que acredita que o vídeo árbitro será uma inevitabilidade em breve.

Se irá resolver ou não as crónicas guerras do futebol português... Proença diz que que terá a virtude de “limpar o erro grosseiro, aquele que toda a gente vê e que escapou por qualquer tipo de incapacidade à equipa de arbitragem, descredibilizando os árbitros e o futebol”.