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O Pedrouços e o Grijó suspeitam que os incêndios tenham mão do Canelas. Madureira desmente: “Só quero cuidar da família e dos meus negócios”

Capitão da equipa do Canelas 2010 recusa qualquer ligação da claque ou do clube no incêndio que destruiu dois mini-autocarros do adversário Pedrouços. Líder dos Super Dragões, que hoje conclui o mestrado em Gestão Desportiva, no ISMAI, diz que só quer jogar, cuidar da família e dos seus negócios ligados ao turismo

Isabel Paulo

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Fernando Madureira rejeita qualquer ligação dos Super Dragões na destruição de duas carrinhas na madrugada de anteontem no Complexo Municipal de Pedrouços, na Maia, ou ainda no incêncio que consumiu parte parte do relvado do Associação Desportiva de Grijó, em Gaia, na noite de 31 de outubro.

Carlos Caseiras, presidente do Pedouços, e Manuel Gomes, líder do Grijó, participaram os incidentes à PSP e GNR locais, tendo apresentado ainda queixas contra incertos. Apesar de não existirem testemunhas oculares ou provas materiais, pelo menos para já, dos incidentes, os líderes dos adversários do Canelas estranham que ambos os casos possam estar relacionados com o boicote de 12 clubes da Associação de Futebol do Porto (A.F. Porto) aos jogos frente ao Canelas 2010, decretado, com exceção do Candal, há duas semanas.

“Não tenho certezas, mas pode não ser uma mera coincidência, tando mais que recebi, hoje, nota de culpa num processo disciplinar que a A.F. Porto nos moveu após o jogo contra o Canelas, no início de outrubro”, refere Carlos Caseira, lembrando que foram os jogadores adversários que ameaçaram e agrediram os jogadores do Pedrouços, “clube que teve ainda mais pesada, cerca de 100 euros”.

O líder do clube da Maia queixa-se ainda da injusta suspensão de 30 dias do diretor para o futebol, José Alberto Leite, e do facto de os árbitros, “possivelmente também intimidados”, serem quase sempre condescendentes com o jogo vilolento da equipa do Canelas, onde mais de meia equipa é formada por jogadores dos Super Dragões.

O alerta para os bombeiros da Maia foi dado por moradores pelas 1h30 de quarta-feira, que avisaram ainda elementos da equipa de veteranos que se encontravam reunidos na sede do clube, em frente ao Compelxo Desportivo. Carlos Caseira estima os prejuízos sejam superiores a 6000 euros, suspeitando que o fogo tenha sido ateado com gasolina, supostamente transportada para o numa garrafa de dois litros encontrada no local.

Clubes apelam ao Ministério Público

O incêndio parcial no relvado sintético do Grijó também terá sido ateado com recurso “a um líquido inflamável“, tendo sido encontrada junto ao campo o gargalo de uma garrafa derretida. A participação foi feita à GNR dos Carvalhos por Manuel Gomes, na manhã de 1 de novembro, já que ninguém presenciou o indêndio ocorrido durante a noite.

O presidente do Grijó e porta voz dos clubes que boicotaram os jogos frente ao Canelas afirma que a falta aos jogos é para manter, mesmo que isso custe aos clubes a derrota e 750 euros de multa. “Este clima de intimidação já se arrasta há três anos sem que a A.F. Porto tome medidas para que os jogos decorram com fair play”, sustenta o dirigente, que diz não fazer sentido que nos jogos contra o Canelas os adversários tenham de andar sempre policiados, dos autocarros às balneários. “Nem na Champions”, diz.

Manuel Gomes conta que os insultos e ameças veladas dos jogadores em campo são sistemáticas, “com alguns dos jogadores do Canelas a insinuarem que sabem em que escolas andam os filhos dos adversários ou familiares dos mesmos”. “A verdade é que têm medo, e o mesmo se passa com os árbitros”, diz, lembrando que o ano passado 90% dos árbitros da A.F.Porto recusaram apitar os jogos do Canelas.

“Por alguma razão, a A.F. Porto determinou que esta época os árbitros não podem pedir escusa”, diz o porta-voz dos revoltados, que, no sábado, vão reunir com o líder associativo, Lourenço Pinto. Na agenda está o pedido para que a A.F. Porto puna exemplarmente a equipa sénior do Canelas, suspendendo-a da competição. Caso nada seja feito, os clubes vão pedir uma reunião à Federação Portuguesa de Futebol, pretendendo ainda os dirigentes que o Ministério Público investigue os jogos do Canelas e a possível intervenção de simpatizantes ou elementos ligados aos Super Dragões nos incêndios. “O que não faltam são vídeos, divulgados publicamente, que expressam bem o clima que se vive durante os jogos”, referem os dirigentes.

Madureira desmente tudo

Fernando Madureira rejeita, contudo, qualquer intervenção de elementos ligados à claque ou até do clube nos incêndios. “Só queremos jogar futebol. É isso que nos dá prazer”, diz o líder da claque do FC Porto, afirmando desconhecer os incidentes.

Conhecido no mundo da bola por 'Macaco', Madureira apresentou hoje a tese de mestrado em Destão desportiva no Instituto Superior da Maia, depois da licenciatura há dois anos. Feito publicado de imediato no Instagram: “Após cinco chega ao fim o percurso Académico. Licenciatura 16 V, Mestrado 17V. A partir de hoje têm de me chamar mestre”.

Questionado sobre o futuro, dgarante que só fez o curso para ficar com “mais bagagem académica, mas que continuará com a sua vida normal: cuidar da família, liderar os Super Dragões e tratar dos seus negócios ligados ao turismo, na Baixa do Porto. “Tenho uma guest house e quatro apartamentos de alojamento local na Batalha e o próximo projeto é um restaurante, o 'Nandos', na mesma zona, a inaugurar a 2 de dezembro”, revela.