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A arca de Nuno não aguentou o dilúvio

Em noite de muita chuva no Restelo, um FC Porto (mais uma vez) desinspirado não conseguiu ultrapassar o Belenenses (0-0) e pode ficar ainda mais longe do 1º lugar da Liga

Expresso

MARIO CRUZ

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Casillas, Maxi, Felipe, Marcano, Telles, Danilo, Otávio, Óliver, Corona, Jota e André Silva. Quando o relógio em Copenhaga já estava nos 83', apesar do 0-0 teimoso, Nuno Espírito Santo mantinha estes onze homens em campo - os mesmos que tinham começado o jogo perante os dinamarqueses e, também, perante o Benfica, no Dragão. E, esta noite, perante o Belenenses, no Restelo.

Na arca de Nuno até podem caber muitos jogadores - em Copenhaga houve uns minutinhos para os regressos de Evandro e Varela; esta noite foi a vez de Depoitre e André André, que não jogavam no campeonato há dois meses -, mas os que seguem bem perto do mister são sempre os mesmos.

"Todos os jogadores têm as suas tarefas e todos tentam cumpri-las. Passam por questões estratégias, por questões individuais, análise do adversário, muitíssimas coisas… O fundamental é que todos conhecem o processo e dentro dele conhecem as suas tarefas e têm cumprido e nós tentamos potenciar", explicou Nuno na antevisão do jogo, recusando a ideia de que acreditava pouco nos habituais suplentes e e dizendo que hoje a falta de eficácia do FC Porto iria "deixar de ser assunto", porque, disse o treinador, a equipa ia marcar - e vencer.

O problema é que, no Restelo, o FC Porto nem venceu, nem marcou, nem sequer convenceu. Depois de mais uma entrada algo passiva em jogo (como em Copenhaga), a apostar frequentemente nos passes longos em profundidade, o FC Porto passou por algumas dificuldades perante um Belenenses ousado no ataque, que logo nos primeiros minutos enviou uma bola ao poste, num remate de André Sousa.

MÁRIO CRUZ/LUSA

A equipa de Quim Machado foi sempre mais afoita do que os portistas, que apenas chegaram à baliza de Joel Pereira num grande passe de Corona a isolar Óliver, mas o espanhol preferiu passar em vez de rematar e a jogada acabou por ser cortada por Domingos Duarte.

Numa noite de chuva constante no Restelo, o contacto físico foi norma e, nos últimos minutos da 1ª parte, Camará e Felipe foram amarelados num desentendimento que se repetiu com Maxi e Florent, pouco depois. O jogo caía de qualidade e só na 2ª parte voltaria a ver-se algum futebol, com o FC Porto a criar perigo em cantos: primeiro por Felipe e, depois, por Marcano, com Florent a negar um golo certo em cima da linha de golo.

A falta de eficácia portista mantinha-se - nos últimos seis jogos o FC Porto só conseguiu marcar um golo, perante o Benfica - e nem a entrada de Depoitre para o lugar de Jota ajudou a frente de ataque. Até final, o FC Porto não marcou, apesar de ter pressionado Joel Pereira em lances de bola parada, e ainda esteve perto de sofrer, quando Camará apareceu na cara de Casillas, a passe de Gerso (sempre muito ativo), mas o guarda-redes espanhol esteve sempre muito seguro.

O FC Porto empatou no Restelo e pode ficar ainda mais longe do líder Benfica, que joga amanhã na Luz perante o Moreirense (18h) e já leva quatro pontos de avanço - e, se o Sporting de Braga vencer o Feirense na segunda-feira, o FC Porto desce para 5º lugar. No final, no Restelo, houve lenços brancos dos portistas para Nuno. Onde é que já vimos este filme?

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