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Bluff, penáltis, domínio, cartões e cartolinas - cinco coisas a reter do dérbi

O Benfica-Sporting terminou com uma vitória encarnada (2-1), polémica e pontos de vista diferentes

Alexandra Simões de Abreu

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Os bluffs

A primeira cartada coube a Jorge Jesus. “Desde que viemos da Polónia tivemos alguns problemas com alguns jogadores, mais com o Gelson e com o Adrien. Ainda não treinaram esta semana. Amanhã vamos voltar a treinar e ver se os podemos levar ou não. Ainda faltam algumas horas para ver como estão os jogadores.

Até ao momento ainda não posso dizer mais nada”. A seguir, Rui Vitória também vai a jogo: “O Jonas estará fora do jogo numa probabilidade de 80-20 por cento. Ou seja, 80 por cento fora do jogo. 20 por cento dentro do jogo. Ainda vamos ver. As possibilidades são 20 ou 30 por cento de o poder utilizar.”

Na hora de baixar as cartas, Adrien e Gelson jogaram de início e Jonas, apesar de estar no baralho de Rui Vitória, não chegou a ir a jogo - nem sequer se sentou no banco.

Dominar, sem marcar

A estatística não mente, o Sporting dominou em tudo - 58% posse de bola, 8-3 em cantos, 26-10 em faltas, 6-4 em remates à baliza, 12-5 em oportunidades criadas - menos nos golos. Na análise ao dérbi a maior parte dos comentadores é unânime quanto à melhor equipa em campo. O Sporting jogou melhor e foi mais aguerrido, sobretudo na segunda parte, mas o Benfica foi mais eficaz e aproveitou bem todas as falhas dos leões.

Os penáltis

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho queixaram-se da arbitragem, nomeadamente de penáltis que ficaram por marcar a favor do Sporting. O treinador do Sporting depois de sublinhar que o jogo foi equilibrado e que o Sporting foi melhor, disse que “faltou que a terceira equipa tivesse visto os lances que aconteceram, porque o resultado teria sido outro.

Houve dois lances capitais determinantes no jogo que a terceira equipa não viu”. E para que não restem dúvidas Jesus conclui: "A equipa do Sporting sai do estádio da Luz com uma derrota, mas foi melhor durante os 94 minutos. Sai derrotada com erros da arbitragem”.

Já Bruno de Carvalho privilegiou as redes sociais para criticar a arbitragem de Jorge Sousa e denunciar "dois lances tiveram influência directa no resultado". O presidente do Sporting fala em mão na bola e publicou mesmo imagens dos dois momentos. Primeiro da parte de Pizzi no início do lance que acaba por levar ao primeiro golo do Benfica. A segunda mão é a de Nelson Semedo, na sequência de um canto.

As faltas dos leões

Jesus viu penáltis não marcados e Rui Vitória viu faltas, muitas faltas marcadas: o treinador do Benfica realçou que a sua equipa fez 10 faltas, enquanto o Sporting fez 26 “e só viu um amarel, o a partir dos 80 minutos”. Para Rui Vitória esta “forma de o árbitro conduzir a partida” retirou ao Benfica a possibilidade de ter mais situações de perigo e de ter a bola mais tempo em seu poder. E para concluir, lembrou: “Este foi o mesmo árbitro que no ano passado não marcou uma grande penalidade no último minuto de jogo, em Alvalade, para a Taça de Portugal, a 21 de novembro, e o Luisão ficou quatro meses fora da equipa, lesionado, por causa desse lance.”

Coisas estranhas

A cara de Bas Dost não engana. Até ele ficou perplexo quando viu o seu número na placa de substituição, aos 84 minutos. Sim, era ele, o autor do golo do Sporting aos 69 minuto, quem ía sair para dar lugar ao brasileiro André. Uma substituição que causou, estranheza…

Do lado do Benfica…

Quando Rui Vitória tirou Salvio (lesionado) e pôs Danilo, percebeu-se que o treinador queria trancar o meio-campo. Acontece que Danilo raramente joga e que pouco ou nada veio a acrescentar ao jogo.

Por fim, estranha também foi a cartolina enrolada em fita cola que o presidente do Sporting mostrou aos jornalistas no final do jogo. Bruno de Carvalho garantiu que aquilo foi o que “andaram a mandar às pessoas do Sporting”, durante o encontro. Além das cartolinas usadas na coreografia para a entrada das equipas em campo e que acabaram a ornamentar a zona do banco do Sporting, também foram utilizadas outro tipo de “munições”. O treinador do Sporting levou com uma moeda na cabeça, um adepto leonino foi detido por posse de engenhos pirotécnicos e pelo menos um petardo alegadamente atirado por um adepto do Benfica, rebentou na altura em que a claque leonina entrava no estádio.