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Gostinho especial em ganhar ao Sporting? Abel diz que "estaria a mentir se dissesse que não"

Técnico interino do Sp. Braga estreou-se na 1.ª Liga com uma vitória frente ao Sporting, clube de onde saiu em 2013/14, quando treinava a equipa B dos leões. Garante que apelou "ao brio dos jogadores" depois de uma difícil semana, marcada pela saída da Taça e pelo despedimento de José Peseiro

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MÁRIO CRUZ/LUSA

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Estreia na 1.ª Liga e vitória frente ao Sporting. Abel Ferreira foi o homem do leme no banco do Sp. Braga esta noite em Alvalade e era, naturalmente, um treinador feliz, apesar de reconhecer que o jogo "não foi perfeito".

"Aqui e acolá não fomos somos suficentemente fortes para travar o nosso adversário, mas reconheço que coletivamente estivemos fortes. Fomos capazes de anular os pontos fortes do nosso adversário. Conheço muito bem este treinador, fui treinado por ele e estava em vantagem porque ele não sabia o que é que eu ia fazer aqui", começou por dizer o técnico.

E o segredo para a vitória, após uma semana complicada para o Sp. Braga? "Acima de tudo apelei ao brio. Isto é um jogo que é jogado por homens, só depois é que vem o jogador. Procurei ter uma conversa franca com eles desde o primeiro dia. O presidente foi duro, tal como um pai é para um filho e juntámos-nos, falámos e a estratégia que nós tivémos foi compartilhada, porque era importante ter o compromisso dos jogadores. Só duas equipas ganharam aqui: o Borussia Dortmund e o Real Madrid. Estes jogadores merecem porque se entregaram e quiseram. Criamos inúmeras oportunidades sabendo que em alguns períodos o nosso rival teve mais posse de bola. Mas se se for a contar as grandes oportunidades, diria que acabámos em vantagem".

Abel falou ainda da saída do Sporting, onde treinou a equipa B em 2013/14. "Felizmente, tenho liberdade intelectual e financeira para estar onde quero, fazer o que quero e o que gosto e treinar aquilo que gosto. Assumi um contrato com o presidente para fazer parte da formação do clube. Foi aqui [no Sporting] que me formei enquanto treinador e depois chegámos a uma altura em que as ideias não convergiram e cada um seguiu a sua vida. Felizmente o presidente do Sp. Braga apresentou-me uma proposta e é nisso que estou focado. Tenho 37 anos, faço 38 na quinta-feira e até aos 40 que seguramente vou estar na formação do Braga a não ser que o presidente me queira mandar embora.

E, assim, tem um gostinho especial ganhar ao Sporting? "Tem. Estaria a mentir se dissesse que não. Para mim, quando falamos do Sporting, significa falar do nascimento das minhas filhas, do meu casamento, dos primeiros ganhos enquanto jogador, do campeonato nacional de juniores como treinador, de uma Taça de Honra, da final-4 da Liga dos Campeões de juniores… As memórias que guardo desta grande instituição são muito boas. Tenho aqui muitos amigos".

Abel falou ainda dos jogadores com quem trabalhou em Alvalade e que ficou feliz por rever, ele que na próxima semana volta para a equipa B do Sp. Braga. "Tenho jogadores que passaram por mim e tive oportunidade de cumprimentar como o Gelson, o Esgaio, o Rúben Semedo. O João Mário que já não está aqui. Foi um prazer trabalhar nesta casa, mas futebol é isto. Fui embora, fui à procura de fazer aquilo que gosto de fazer e estou muito bem onde estou. Seguramente que segunda-feira estarei com os meus miúdos a fazer o que gosto, que me dão um força tremenda e é isso que vou continuar a fazer".