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Presidente versus diretor de comunicação versus treinador - a guerra nas redes sociais

Este ano continuou, e intensificou, a tendência de vermos dirigentes e funcionários de clubes a criticarem-se e a trocarem “farpas” nas redes sociais. E a falarem pouco do que interessa - futebol. A Tribuna Expresso apresenta-lhe o sétimo dos 10 acontecimentos desportivos de 2016 que mais vale esquecer em 2017

Diogo Pombo

JUSTIN TALLIS

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Nós, jornalistas, temos duas opções a tomar nas alturas em que queremos falar com um clube de futebol. Uma é abrir a conta de e-mail e escrever algo que depois se envie para o endereço do gabinete de imprensa em questão. A outra, mais direta, é pegar no telefone e ligar ou enviar um sms ao responsável da comunicação - ou a um qualquer dirigente do clube, caso tenhamos o contacto direto. De resto, há o resto que é o mais normal, ou seja, as conferências de imprensa e as flash interviews, antes e depois dos jogos.

A seguir a esta ordem natural das coisas, temos as entrevistas que cada jornal, estação de rádio ou canal de televisão pode fazer a jogadores, treinadores, presidentes ou dirigentes dos clubes.

Mas vivemos num tempo em que os jornalistas, gostem ou não, são prescindíveis quando alguém quer passar uma mensagem. Podemos apelidar esse tempo com o nome de um espaço, que são as redes sociais, onde as regras não chegam e os regulamentos não tocam. Como o da Liga de Clubes, que em junho proibiu “dirigentes e funcionários dos clubes e das SAD” de participarem “regularmente em programas televisivos”. É um mundo à parte.

Nesse mundo, qualquer pessoa escreve o que lhe apetecer, quando lhe apetecer e como lhe apetecer, sem que alguém o castigue por tocar em assuntos de arbitragem ou atacar o discurso de outra pessoa. É o mundo onde, durante 2016, várias discussões e inúmeros bate-papos aconteceram e trocaram a ordem de como costumavam ser as coisas - o dirigente de um clube escreve no Facebook, o funcionário de outro responde pelo Twitter, e os jornais e as televisões e as rádios dão o eco.

Este mundo seria uma coisa boa se quem nos interessa escrevesse sobre golos, jogadas, fintas, resultados ou esquemas táticos. Sobre futebol. O 2016 que passou, contudo, serviu para lermos o que essas pessoas foram escrevendo sobre árbitros, as decisões deles, os foras-de-jogo, as injustiças. Tudo no meio de uma troca de críticas entre dirigentes, à boleia de piadas, bocas de mau gosto, alegorias, metáforas e associações de ideias que fizeram semanas do ano centrarem-se no que um disse ao outro em vez de quem vai jogar contra quem.

Passámos a ter como certo que o que o presidente de um clube diria, ou escrevia, seria rebatido pelo diretor de comunicação de outro clube (e vice-versa). Esta fase durou cerca de metade do ano, até o segundo cessar as funções no Benfica, embora continua a responder ao primeiro, que lidera o Sporting.

Em 2015, João Gabriel chamou “deslumbrado” a Jorge Jesus e viu nele um “chico-espertismo”; Bruno de Carvalho respondeu, inspirando nos Simpsons e chamando-o um "Mr. Burns" que "que no final do dia ninguém teme nem respeita". Este ano, o presidente do Sporting focou-se na instituição e foi criticando o Benfica, enquanto o diretor de comunicação do Benfica - enquanto o era e também quando deixou de o ser - lhe foi respondendo.

No meio disto, fomos vendo e ouvindo programas televisivos em que comentadores, que sabemos serem adeptos de cada um dos grandes, ia discutindo mais sobre arbitragens e acusações entre eles próprios do que sobre futebol.

E continuámos a ouvir e ver muito a ser dito sobre árbitros, erros, vouchers, contas, passivos e transferências. E pouco a ser batido sobre o porquê de as equipas perderem, empatarem ou ganharem. O problema não será o facto de as guerras de palavras existirem (emborem subam de tom demasiadas vezes), mas sim o facto de se falar mais delas do que de futebol jogado.

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