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Conselho de Arbitragem assumiu compromisso para disponibilizar relatórios dos árbitros aos clubes

A reunião da tarde desta quarta-feira tinha como objetivo discutir a onda de críticas e ameaças aos árbitros, após os jogos da semana passada da Taça da Liga. Os presidentes do Benfica, Sporting e Porto não compareceram mas enviaram representantes

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MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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Os resultados dos relatórios dos árbitros vão passar brevemente a estar disponíveis para consulta por parte dos clubes – foi o compromisso assumido pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) na reunião da tarde desta quarta-feira com os clubes das I e II Ligas, na Cidade do Futebol.

A decisão foi avançada à saída do encontro por Bruno Mascarenhas, vogal do Conselho Diretivo do Sporting, e resulta de uma das 11 medidas que o clube de Alvalade apresentou para discussão durante a reunião.

O dirigente leonino, que se apresentou em substituição do presidente do clube, Bruno de Carvalho, acredita que com esta nova medida vai ser possível “pacificar, credibilizar e dar transparência ao futebol”. Apelou ainda a Fernando Gomes, presidente da FPF, que garanta o cumprimento das regras e promessas feitas pelo Conselho de Arbitragem.

Bruno Mascarenhas afirmou que o Sporting não “tem nenhum interesse em que haja violência mas não quer ser prejudicado” com as arbitragens. “O que queremos é que os árbitros sejam defendidos, que possam dar a sua versão dos factos e não estar dependentes de um conjunto de pessoas que antes faziam as classificações”.

Os leões pedem ainda a mudança do quadro de observadores, o que não será possível esta época. “Não pomos em causa a honorabilidade dos observadores mas gostaríamos que o quadro fosse outro, sem estes vícios", referiu Bruno Mascarenhas.

Quanto ao presidente do Vitória de Guimarães, Júlio Mendes considera “fundamental que o Conselho de Arbitragem consiga encontrar um modelo de comunicar o que deve fazer e explicar o que vai fazer e decidir. Os árbitros não são máquinas, também cometem erros”. O presidente mostrou-se agradado perante a possibilidade de tomar conhecimento das decisões dos árbitros. “Se souberem explicar ao mundo do futebol, ao adepto simples, porque é que as coisas são como são, tudo fica mais claro”.

O presidente do Rio Ave, António Silva Campos, enalteceu a ligação entre os clubes e o Conselho de Arbitragem, confirmando que “tiraram as dúvidas de que é possível ter confiança nos árbitros, para que estes estejam mais tranquilos futuramente”.

Na página da FPF, o Conselho de Arbitragem escreveu que “aceita a crítica, se ela for construtiva”, mas que “nunca aceitará que os árbitros sejam os bodes expiatórios de insucessos”. Acrescentou que a função desta entidade é “gerir os árbitros e a arbitragem”, sendo que “não permite magistérios de influência, de comentadores, de ex-árbitros, de alguém ou de alguma organização em particular, sobre a arbitragem e sobre este Conselho”.

O organismo acredita que “depois da reunião da tarde desta quarta-feira, os clubes passaram a ter mais ferramentas para compreender o trabalho profundo que está a ser feito no sector da arbitragem”. Disponibilizou ainda um documento que foi apresentado durante a reunião aos clubes, para a livre consulta pelos adeptos.

O assessor jurídico Paulo Gonçalves e Nuno Gomes, diretor-geral do centro de formação, foram os representantes do Benfica na reunião. Já os dragões foram representados por João Pinto, adjunto do diretor geral para o futebol.

Seis dos 35 clubes da I e II Ligas faltaram à reunião.